<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905</id><updated>2012-01-26T16:36:51.784Z</updated><category term='INVASÕES FRANCESAS'/><category term='FIGURAS DA HISTÓRIA DE PORTUGA'/><category term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><category term='VIAGENS À HISTÓRIA'/><category term='ANIMAIS NA HISTÓRIA DO MUNDO - OS GATOS'/><category term='TERTÚLIA  VIRTUAL'/><category term='NOTÍCIAS DOS LIVROS'/><category term='VIAGENS'/><category term='HISTÓRIA'/><category term='GUERREIROS DA ANTIGUIDADE'/><category term='Crónicas'/><category term='CRÓNICAS DAS SETE COLINAS'/><category term='TERTÚLIA VIRTUAL'/><category term='Natal-2009'/><category term='ESCRITORES'/><category term='VISITAS À HISTÓRIA'/><category term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><category term='OPINIÃO'/><category term='CIÊNCIA'/><category term='LUGARES DE LAZER E CULTURA'/><category term='LIVROS E LEITURAS'/><category term='Crónica de Costumes'/><category term='FIGURAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL'/><category term='Festas Pagãs e Cristãs'/><category term='DESPORTO'/><category term='Sintra'/><category term='COMUNIDADE DE LEITORES'/><category term='VIDEOS'/><category term='BIOGRAFIAS E EFEMÉRIDES'/><category term='NATAL - 2008'/><category term='MASTRO DA COCANHA-OU A DIFÍCIL ARTE DE VIVER PORTUGUÊS'/><category term='POESIA'/><category term='Efemérides da história'/><category term='REPORTAGEM E NOTÍCIAS'/><category term='EFEMÉRIDES'/><category term='JORNALISMO'/><category term='ARTE DIGITAL'/><category term='ARTE SACRA'/><title type='text'>ATHANOR DE LETRAS</title><subtitle type='html'>LITERATURA-ROMANCE-POESIA-CONTOS-CRÓNICAS-ENSAIO-LIVROS-BIBLIOGRAFIA-ALFARRÁBIO-PINTURA-MÚSICA</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>161</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2278983105894702958</id><published>2012-01-26T15:35:00.003Z</published><updated>2012-01-26T16:36:51.799Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='LIVROS E LEITURAS'/><title type='text'>NOS TRILHOS DE " SEARA DE VENTO" - VALE A PENA LER MANUEL DA FONSECA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-QFozX1aigP0/TyF0LIkwX4I/AAAAAAAAC5k/8Z_eqJN8fvU/s1600/Seara%2Bde%2BVento.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 233px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701966337856790402" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-QFozX1aigP0/TyF0LIkwX4I/AAAAAAAAC5k/8Z_eqJN8fvU/s320/Seara%2Bde%2BVento.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Porque destino, nesse dia, me meti a andar à procura do antigo trilho dos contrabandistas na senda de Paymongo. A névoa a cercar-me, densa atemorizante. Avassaladora de afagar os campos como fumo cinzento dando-se de candeio indicador ao sinalizar do pio dos tordos envolvidos em voos esparsos e invisíveis no cavername do olival. De tudo, deu-me a madrugada para saber de coisas trágicas, como a do sítio onde o Joaquim Valmurano tinha lançado a corda para se enforcar. E a Amanda Carrusca tinha dado punhadas de justiça no peito das bestas da Guarda Republicana, quando estes levaram a Júlia para a morte.&lt;br /&gt;" Se ao menos encontrasse a Mariana, ela era a mais esclarecida de todos os Palmas; queria que os trabalhadores se unissem, fizessem valer os seus direitos por melhores salários e melhores condições de vida, quantas coisas me poderia contar, sobretudo das maldades perpetradas que o latifundiário Elias Sobral fez !" - Pensava em tudo isto quando avistei a venda que me tinham dito ser do Mira. Quando ali cheguei já o Mira me aguardava, era um trambalazana, de manápulas que teriam metido medo às gadanhas noutro tempo. Ficando-se hoje por restos do porte hercúleo que teria dado guarida ao contrabando e aos aliciamentos do Galrito, do Corona e do Banaíça. Postava-se um pouco desengonçado amaneirando os umbrais de polimento. Na virada do corpo o ostento das calças de saragoça de fundilhos remendados e colete violáceo do transporte dos canjirões do vinho.&lt;br /&gt;- Então vossemecê é que anda por aí a querer saber de tragédias há muito acontecidas nestes cerros?... Tem dúvidas que o Palma tinha razão ? Que foi vítima de uma acusação injusta de roubo de cereais, um ardil do velhaco do Elias Sobral e do sargento Gil e companhia de arvorados ?...Que o Palma acossado e banido do pão que ao lar era justeza, foi-se a casa do lavrador e atacou estes pantomineiros a tiro, entrincheirando-se depois em casa, resistindo como um valente de caçadeira em punho até esta se pôr em brasa de tantos disparos, tendo ainda tempo de mandar dois graduados para o hospital!... Só apanharam o homem quando a casa ficou toda rasa de balas, usando uma metralhadora, e já vinham a caminho os soldados do 17 de Beja !&lt;br /&gt;- Acredito em tudo isso, mas gostava de saber mais ! - Disse eu, tocado como se tivesse ouvido esta saga em folhetos de irmandade feirante. Voltando o Mira numa certeza de quem sabe do que fala:&lt;br /&gt;- Saber mais, só tem de ler o livro do senhor Manuel da Fonseca, de nome " Seara de Vento". Está lá tudo, todo este drama, esta tragédia, tão bem contada e real de palavras verdadeiras como hoje já não se escreve !&lt;br /&gt;Abalei. O canito dos Valmurados, o Ardila, pressente-me de boas intenções. Colasse-me às passadas, abre-me um rasto ao valado, ostentando num sacudir de ladinagem os ossos salientes de pedir. Dá uns latidos ecoados que são buzinas na bruma. Passo ao pé de uma casa descarnada pelos anos, os escombros ainda mostram as iras da metralha, montoiros adormecidos de heras vadias e meimendros esquecidos de terreiro de encruzilhada. A cova como berço musgoso lembra o aportar de invalidez do Bento e dos seus lamentos inteligíveis " Oh, " mha mã"!... " Oh, 'mha mã'! O Ardila lembra-se do farejo das migalhas, de algum osso perdido entre caliça bafienta e das alçadas punitivas do Bento. Do cerro vou ao Alto da Lage, ainda tenho de passar por Vales Mortos. O vento lembra-se da marca daqueles dias antigos, envolve-se agora em farrapos da bruma da tarde; como num lamento perpétuo aviva vozes que viveram naqueles lugares. Vozes tão fortes de justeza da terra, vozes que me parecem nítidas de proclamares, vozes como a de Amanda Carrusca, que acredito ouvi chamar dizendo-me: « Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! Um homem só não pode nada.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2278983105894702958?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2278983105894702958/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2278983105894702958' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2278983105894702958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2278983105894702958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2012/01/nos-trilhos-de-seara-de-vento-vale-pena.html' title='NOS TRILHOS DE &quot; SEARA DE VENTO&quot; - VALE A PENA LER MANUEL DA FONSECA'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-QFozX1aigP0/TyF0LIkwX4I/AAAAAAAAC5k/8Z_eqJN8fvU/s72-c/Seara%2Bde%2BVento.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3295603266876527170</id><published>2012-01-13T14:26:00.003Z</published><updated>2012-01-13T15:39:41.415Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>Filmes da vida real - Através da noite sem chegar ao dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DoHOAfNLcio/TxBDY0bvi2I/AAAAAAAAC5Q/0qeTFSKFczA/s1600/Emmett%2BRay.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 260px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697127622294604642" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-DoHOAfNLcio/TxBDY0bvi2I/AAAAAAAAC5Q/0qeTFSKFczA/s320/Emmett%2BRay.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alfredo já tinha visto 22 vezes o filme de Woody Allen, sobre a vida do guitarrista de jazz Emmett Ray. A vida deste personagem era de certo modo émula da sua. Ele também tinha sido guitarrista irresponsável, arrogante, desagradável, que gastava o que não podia e abusava do àlcool. Também se julgava o melhor guitarrista do mundo, tinha chegado a tocar na célebre orquestra ligeira " Califórnia", e todos lhe rendiam elogios à ligeireza do dedilhar e à paixão que punha nos blues. Como na fita, tinha uma namorada muda de nascença, que sempre estava pronta a aturá-lo nas suas ressacas neurasténicas. Era tanta a identidade com o ídolo que Alfredo também tinha a paixão pelos comboios; olhava o capricho das agulhas a abrirem e fecharem, mudares de destinos e direcções; os sons na noite como se fora acompanhamento feérico de qualquer pauta por escrever. Uma noite mais, foi aos comboios: com uma companhia ocasional de bar, que escorraçou. Uma mulher dificilmente compreenderia aquela paixão. Sozinho bebeu até não poder mais. Num acesso de ira destruiu o objecto do seu virtuosismo. Nunca mais tocaria para ninguém. Num ápice viera-lhe à memória sons de outrora e meteu-se num cambaleio trauteado na noite. Pautava-se por travessões intermináveis, como se fossem trastes de um braço que não podia tanger. Os sons levavam-no a névoas perdidas e a orquestras férreas onde mostraria, pensou, de novo quem era. De repente o eco recolheu-se, Alfredo pensou que era só uma pausa entre dois números, alisou a melena, ainda quis marcar o ritmo de "I'II See You In My Dreams", a voz saiu-lhe velada e rouca, medrosa do que aí vinha. Quis ser lesto, surpreender, como sempre fizera;mas, não fez o improviso a tempo. A manhã viu-o hirto de dedilhares, mãos enclavinhadas como escala abandonada. Não veria o " Sweet and Lowdown" pela vigésima terceira vez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3295603266876527170?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3295603266876527170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3295603266876527170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3295603266876527170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3295603266876527170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2012/01/filmes-da-vida-real-atraves-da-noite.html' title='Filmes da vida real - Através da noite sem chegar ao dia'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DoHOAfNLcio/TxBDY0bvi2I/AAAAAAAAC5Q/0qeTFSKFczA/s72-c/Emmett%2BRay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-5179663311853676331</id><published>2011-10-17T14:36:00.007+01:00</published><updated>2011-10-19T12:06:44.784+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VIAGENS À HISTÓRIA'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - TERCEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MwJWGhw5h2c/Tpwv_7UR78I/AAAAAAAAC4g/AqGJk98vX_A/s1600/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 246px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664455206626258882" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-MwJWGhw5h2c/Tpwv_7UR78I/AAAAAAAAC4g/AqGJk98vX_A/s320/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Do alto daquela varanda torno-me mago de descobrir. Os jinnis mostram-me o passado e o presente, numa paleta do tempo imagino milhares de seres que edificaram tantas e colossais obras. Aquelas muralhas mandadas fazer por Teodósio, estendendo-se por quilómetros, muro imemorial que ainda hoje dá forma à cidade na sua extensão até ao Corno de Ouro. Toda a população mobilizada, milhares de carregadores, canteiros, ladrilhadores, pedreiros. As facções do Hipódromo, os Verdes e Azuis contribuiram com 16 mil homens. O primeiro bastião com a expessura de quatro metros armonizava-se nas curvas das colinas. A sua resistência aos séculos é tal, que ainda hoje se consegue discernir toda a arquitectura da fortificação; uma segunda muralha menos alta ergue-se após terrapleno a que se chama períbolo. Logo após um segundo períbolo onde estagnavam as águas pluviais que se podiam aumentar como recurso de defesa, recorrendo-se a uma cisterna de eclusas. Uma terceira muralha chamada contra -escarpa, completava o conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo comunicava entre si nos planos militares por um bem concebido plano de portas e poternas. Portas que assistiram a virar de séculos, a magnificências régias, a procissões de relíquias votivas, peregrinações ferverosas, dezenas de etronizações de Imperadores Bizantinos, embaixadas luzidas em busca da Sublime Porta. Pedras que também ouviram écos de gritos feros, fúrias cerceadoras do invasor; revoltas cruéis no Circo, em busca do poder. Ao brado Janízaro que obedecia e levava a afogar no Bósforo; à destruição impiedosa, ao saque, ao sangue dos inocentes; à mais horrível matança e pilhagem perpetrada pelos irmãos do mesmo credo, cuja missão era o caminho Jerusalém, de protejer a Cruz e o resgatar do Santo Lenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimento-me aspirando um perfume estranho, uma maresia branda vem da Ilha dos Pássaros, avançando pelo mar da Marmara, como as velas das naus de Byzas. Resguarda-se no ameno do aportar dourado como se fora tecer de " Kilims" dando-se aos braços do amuralhado do Topkapi. É tudo mais visivel a prescutos quando subo ao mais alto do torreão. No outro lado, onde é nome Ásia, é tal a limpidez da noite que se vê o brilho candeio e bruxuleante do aglomerado de Uskudar. O Palácio de Dolmabahçe mostra-se numa plenitude de vivos recortes. Construido em 1853, albergou o último sultanato até ao advento da República em 1923. O tempo parece parar nestas sete colinas que tanto lembram Lisboa. Por momentos dou-me numa dualidade recordativa como se estivesse na Olissipo e o Tagus fosse gémeo do Bósforo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta noite invulgar da pujança de Silene, centelhas de lazuli abraçavam-se nos minaretes da Mesquita Azul. O Crescente coroando a cúpula lembrava Sinan e o seu discípulo Mehmet Aga. Era do pátio desta mesquita do Sultão Ahmet que partia todos os anos a caravana sagrada dos peregrinos para Meca. Daqui saía um camelo sagrado, que se dizia descendente de um animal que pertencera ao Profeta. Ricamente ajaezado com o Mahamal, uma peça de tecido negro bordado a ouro, que o sultão enviava para cobrir a Ka'ba; caminhava, o animal, na frente da procissão que descia até ao Bósforo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eunucos, os janízaros, os dervixes seguiam o camelo, logo atrás sete mulas carregadas de presentes para o emir de Meca. O inúmero povo juntava-se atrás, regulando todos o passo pela cadência do animal. Estes peregrinos encontravam-se com os de Uskudar na outra margem, partindo em direcção à Arábia. Fervor de fé sublime e colorida presença de milhares de pessoas que davam uma imponência ímpar a esta cerimónia; por isso a distinção da construção de seis minaretes nesta Mesquita, o privilégio reservado sómente à única e grande Mesquita de Meca. Mais tarde pressionado pelos Ulemas, o emir de Meca ordenou a construção de um sétimo minarete que fizesse a diferênça. Querendo mais, desdobro-me de olhar já nos beijos da aurora. Qual Ícaro sofrego de querer pairar, poiso nas Sete Torres, na de Yedicule a mais alta. Toda a cidade, toda a Terra acolhe-me: Europa e Ásia frente a frente com um destino comum.Os Muezzins chamam os crentes, Istambul acorda. Bandos de estorninhos vindos da ilhas Princípes são estandartes dum Sol ainda tímido. Volteiam ágeis indo da Mesquita de Solimão o Magnífico, até às encantadas frescuras dos jardins de Santa Sofia. Meigas rolas equilibram-se nos obeliscos, cruzando em curtos voos os lugares que levarão às sementes perdidas no Bedesten, o grande mercado. O Sol bafeja-me vindo lá das antigas terras Seljúcidas, distendo-me numa pequena preguiça felina. A felicidade dos mistérios de uma noite o olhar Intambul, dão-me a medida do olhar dos reis; antes de des&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SRc6ryR1mYU/Tpwvy16tAkI/AAAAAAAAC4U/7tE-mNVvlmw/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 254px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664454981838504514" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-SRc6ryR1mYU/Tpwvy16tAkI/AAAAAAAAC4U/7tE-mNVvlmw/s320/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;cer ainda me ocorre lembrar Théophile Gautier " Vi as ruínas de Atenas, Éfeso e Delfos; atravessei toda a Turquia, Europa e Ásia, se há memória que perdure para sempre é o que se pode sonhar entre as Sete Torres e a extremidade do Corno de Ouro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo pelo lugar do antigo Hipódromo, lugar de lutas cruéis e exaltações de facções, os Verdes, os Azuis, o aplauso das bigas e quadrigas vencedoras. Homens a lutar até à morte. Conclaves de conspirações de poder que nasciam dos rumores ali perpetrados. Lugar de saques durante revoltas populares; a pilhagem dos latinos da Quarta Cruzada. A Coluna Serpentina erigida na origem em frente do templo de Apolo: trazida para Constantinopla no tempo do primeiro imperador. Marca ainda com a sua vetustez e patine de séculos, o centro da praça e lembra a grandeza do império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os momentos mais pungentes e terríficos da história, não ofuscam o tanto e tão belo que esta cidade tem para oferecer. Cada pedra é um livro, cada monumento um agasalho para o intelecto, cada brisa uma largada para a encruzilhada das civilizações. Imagino Orham Pamuk a correr por entre a brancura da neve, sentindo o bafo frio do Mar Negro, naqueles dias em que as agulhas dos minaretes são estalagmites forradas de pérolas brancas, dias, em que o som da chamada dos Muezins écoa forte em Uskudar. Pamuk inspirando-se para escrever o seu romance a " Neve" que visita brandamente no Inverno a sua amada Istambul. Dirijo-me para o Palácio Topkapi, junto à Porta Imperial; Roxelane espera-me, parece-me ainda de uma beleza mais cativante e delicada. Num ousar gracioso digo-lhe " Gunaydin" ( bom dia em turco) sai-me como frase cantada e entendível. Ela sorri e arrasta-me docemente pela mão. Depois numa língua que entendemos ambos, diz-me: " vou-te mostrar os recantos mais misteriosos do Serralho e do Palácio Topkapi!..." - Di-lo com um pérolado sorriso Caucasiano, retorquindo meigamente em velado mistério : " afinal foi quase sempre o reino da minha vida!.." As suas palavras estendem-se de murmúrio, enleiam-se entre um clarão brando da idade da manhã. Um grupo de músicos, de rua, ali perto, toca com destaque e melodiosamente: o Bendir dá percussão marcando a cadência, o Ud de sete cordas, este familiar dos alaúdes, varia em virtuosismos de escala, dos orifícios de um Nai, de junco do Lago Van, saiem os sons mais delicados e encantadores, confundindo-se com os gorjeios dos últimos bandos de estorninhos que ainda dançam no azul do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-5179663311853676331?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/5179663311853676331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=5179663311853676331' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5179663311853676331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5179663311853676331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/10/visita-sublime-porta-terceira-parte.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - TERCEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MwJWGhw5h2c/Tpwv_7UR78I/AAAAAAAAC4g/AqGJk98vX_A/s72-c/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2039772580984060961</id><published>2011-09-28T10:47:00.013+01:00</published><updated>2011-09-28T16:47:23.518+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VIAGENS À HISTÓRIA'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - SEGUNDA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FS3A_KXQ1oM/ToMCwkDWSlI/AAAAAAAAC4A/d9iFXXBxnVw/s1600/TAPETE%2BTURCO.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 243px; FLOAT: left; HEIGHT: 207px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657368590242171474" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-FS3A_KXQ1oM/ToMCwkDWSlI/AAAAAAAAC4A/d9iFXXBxnVw/s320/TAPETE%2BTURCO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Caminhavamos por Divan Yolo, a rua que sai da Praça de Sultanahmet, e segue em direcção aos bazares, é a antiga espinha dorsal da Istambul da época bizantina e otomana. Hoje plena de lojas, cafés e casas de câmbio. Mustafa queria apresentar-me a Roxelane que tinha uma escola de danças tradicionais turcas, e cuja família tinha um dos mais antigos estabelecimentos comerciais de venda e fabrico de tapetes. Entrámos num vetusto espaço, com arcadas e paredes talvez do tempo de Justiniano, salas contínuas adornadas com uma profusão de tapetes de várias cores e desenhos. Nisan, o patriarca da família, veio receber-nos, tinha um porte nobre e talvez alguns traços escandinavos dos antigos Varegues guardas dos imperadores. Diz-nos : " A história do Tapete de "Nós", na Turquia islâmica, iniciou-se com a chegada dos seljúcidas. Alguns exemplares datam do século XIII. Apresentam como motivos de ornamento - nesta altura deslocámo-nos para uma sala abobadada, onde um soberbo tapete com vários metros cobria o centro da parede -, continuou Nisan : " aqui estão vários motivos dessa escola; estrelas, losangos, formas geométricas, pássaros, dragões. A cultura islâmica teve uma influência profunda sobre a história dos tapetes. Os otomanos conformando-se estritamente com as práticas sunitas, interditaram toda e qualquer representação de s&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-MluiViyMqgA/ToLu-iadgCI/AAAAAAAAC30/ImOQRfAJdHs/s1600/Cupula%2Bde%2BS.%2BSofia..png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; FLOAT: left; HEIGHT: 249px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657346840087855138" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-MluiViyMqgA/ToLu-iadgCI/AAAAAAAAC30/ImOQRfAJdHs/s320/Cupula%2Bde%2BS.%2BSofia..png" /&gt;&lt;/a&gt;eres vivos, mesmo imaginários. A decoração encontra-se limitada às formas geométricas, às flores, às árvores estilizadas, aos nichos de pedra. Ao fundo ouvia-se o labor dos teares num local apropriado para aprendizagem e persevação desta arte secular. Afagámos aquela superfície de muitas cores e desenhos onde o encadeado dos motivos nascia como de um só entrelaçar se fizesse. Nisan sorriu : " A partir do século XVI, o leque dos motivos utilizados alargou-se e passou a incluir espiral, nuvens, rosetas, palmitos. O principal centro de fabrico situava-se nesta época em Usak. Arabescos formando uma sequência de losangos, ziguezagues, entrelaçados, são muito característicos destes tapetes raros, como o que está na nossa frente. No entanto ouve várias regiões do império otomano que se especializaram em produzir os seus tapetes dando-lhe uma marca muito própria. Os tapetes do Pérgamo, de veludo espesso e brilhante; Os tapetes de Milas, muito reputados historicamente como tapetes para orações, com cores muito claras e motivos simples e grandes; os tapetes de Ghiordes, cidade conhecida por ter dado o seu nome ao nó turco, perto do local onde Alexandre desfez o nó górdio; os tapetes de Kula, muito parecidos com os de Ghiordes, com a procura secular de servirem para cobrir os túmulos dos sultões e das famílias aristocratas; os tapetes de Ladik, ao norte de Konya, que marcam a passagem dos motivos puramente geométricos para os motivos florais, tulipas; os tapetes de Sivas, na tradição dos tapetes persas clássicos, com cores mais claras; os tapetes de Kayseri, do mesmo género dos de Sivas, mas, com vermelhos e azuis luminosos sobre fundo claro, predominando em muitos deles a seda; os tapetes de Isparta que são de veludo espesso que esconde a visibilidade dos nós; os tapetes de Hereke em lã ou seda. No século XIX, estes tapetes eram encomenda constante do sultão, e um grande número foi oferecido a cabeças coroadas de toda a Europa; os tapetes Nómadas, que são testemunhos do artesanato nómada, apresentando abundantes desenhos simples e geométricos, sendo as suas tintas de origem vegetal, resultando cores de todas as nuançes; os tapetes de KARS enlaçados pelas tribos caucassianas do nordeste da Anatólia, sendo muito raros pelos seus apurados motivos geométricos, Roxelane tinha uma especial predilecção pela sua delicada manufactura. E Nisan mostrava-nos todas estas preciosidades com raro entusiasmo e saber. "Ainda temos os Kilims, os tapetes de tecido, mais populares nas casas turcas. Os seus desenhos geométricos e as suas cores atractivas conferem-lhes uma grande originalidade - Mustafa tinha em sua casa, no lugar de mais convivência com os amigos, vários destes tapetes - , Nisan desdobra agora alguns: " desde há muito séculos que a tecelagem dos tapetes é uma arte executada pelas mulheres, Esta tradição mantém-se nos dias de hoje na Turquia; em milhares de aldeias, as raparigas jovens aprendem a dar nós nos tapetes, essa particularidade que reside nos tapetes turcos e que define o tipo de nós empregues; por exemplo em Ghiordes envolvem-se dois fios em cadeia, de forma que as duas extremidades do nó passem entre esses fios. O par de fios em cadeia é atado da mesma forma e assim sucessivamente, o que torna o esquema regular: duas extremidades atadas, alternando com dois fios da cadeia. Sendo depois disto que passa o fio de trama, e depois se faz de novo uma nova fila de nós."&lt;br /&gt;Finalizámos na oficina de tapeçarias, onde todo um grande espaço era ocupado por inúmeros teares. Gente de várias idades dava movimento àqueles tantãns manuseadores que iam passando do branco às mais belas formas e cores que nasciam em desenhos variados.&lt;br /&gt;Nisan oferece-nos um verdadeiro café turco, que ele mesmo prepara, é um enlevo de cortezia, muito ritualizado, para os distintos visitantes que recebe. O café turco é servido pouco açucarado( "az"), meio açucarado ( " orta"), açucarado ( " seker") ou sem açucar (" sade") e acompanhado de um copo de água, esta muito especial, vinda de um nascente que alimentava, também, a cisterna de Yerebatam. É um momento solene e cerimonial que estabelece algum recolhimento, é da tradição beber este genuíno café turco em pequenos goles, sorvê-lo e aspirá-lo. Este é o " Keyf", a arte de colher o instante que passa. Uma grande bandeja artisticamente trabalhada continha folhados cobertos de xarope de açucar ou mel, recheados de amêndoas, noz ou pistachio cortados em losangos e em triângulos, eram os ( baklava); a seu lado os ( muhallebi) doces açucarados de leite e arroz, fécula ou frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 223px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657346369093247170" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s320/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Num enaltecimento difícil de controlar, fico-me pelo café meio açucarado ( "az"), encontrando, assim, o equilibrio perfeito na junção das duas coisas.&lt;br /&gt;Roxelane chega. Cumprimenta o seu vetusto parente, sorri para Mustafa e todos nós. É de uma beleza cativante, um corpo palpitante e ginasticado de se entregar aos volteios da dança, um rosto perfeito emoldurado por um profuso cabelo dum ruivo escuro, caído sobre os ombros em cascatas naturais. " Pensei na herança caucasiana, no " imposto de sangue" a entrega obrigatória de filhos e filhas de cristãos para servirem " a Porta"; eles os jovens para a apredizagem da futura guarda do sultão , os Janízaros; elas para o Harém. Lembro-me de Amhet me ter dito : " que apesar de o Império Otomano ter adotado oficialmente o islamisno Sunita, os janízaros eram adeptos de uma ordem dervixe chamada bektashi, em alusão ao seu criador Hajji Bektash. Reunia elementos muçulmanos e cristãos; permitia o consumo de bebidas alcoólicas e a participação de mulheres sem véus. Quando em serviço, no entanto, eram rigorosamente disciplinados e proibidos de casar. Os janízaros ainda tinha o hábito de levar consigo símbolos ou citações cristãs para a batalha, com o consentimento dos seus superiores.&lt;br /&gt;Sou desperto por um torpor invulgar, naquela mão que cinjo: um perfume milenar corre entre aquelas pequeninas veias cor lazúli. Sorri e diz-me que me vai mostrar todos os recantos do Topkapi, um a um: fico um pouco enebriado com a promessa. Roxelana vai-me mostrar o palácio onde a mulher de quem tem o nome, se destacou e ganhou o apelido de " Khourrem" ( aquela que sorri) e única esposa consentida e oficializada do sultão Suleimão. Agradeço, e fico a pensar: " já não é hoje que vamos à vetusta e invulgar livraria de Ameht".&lt;br /&gt;A noite chega. Na varanda do meu lugar de recolhimento olho o luar pleno. Bizâncio, Constantinopla, Istambul, três nomes imemoriais no tempo para a mesma cidade; Istambul desde 1453, esta imensa metrópole que eu olhava serenada no manto da noite, envolvendo-se num calmo adormecimento aparente. Ali, no mais alto de um edifício no bairro Sultanahmet, dáva-me ao horizonte com a vontade de um etilita perpétuo, abraçando a transparente oferta de uma noite invulgar. Os inúmeros monumentos que a minha vista abarcava mostravam-se em luz e sombras como se planassem numa outra dimensão. Os minaretes apontavam-se às galáxias perpétuando a aliança sagrada e o engenho dos homens. Do outro lado a Torre de Galata circundava-se de envolvências de nevoado tule. A ponte do mesmo nome, assim como a de Ataturk, repiravam de calcorreio breve. Antes do nascer do sol. Europa e Ásia ouviriam milhões de seres; massa humana que ia e vinha dum continente ao outro. Gentes que sofriam, rezavam, comiam, tinham fome, amavam: mostrando alegrias e tristezas e o destino de um deambular trepidante.&lt;br /&gt;Na serenidade da água lá longe, o Mar da Mármara enfeitava-se num luzeiro de miríades nas pequenas embarcações. A lua plena lembrava Hécate uma das padroeiras da cidade, a que rasgou breves trevas, clareando protectoramente, avisando os bisantinos, nesse mesmo ano de 340, quando o exército de Filipe da Macedónia estava nos contrafortes das muralhas. Da defesa e repelir dos sitiantes ficou o reconhecimento à deusa e foi cunhada moeda com o crescente e a estrela, os seus símbolos votivos que perpétuaram até aos nossos dias.&lt;br /&gt;Escrevo no meu diário de apontamentos estas experiências do dia. Verifico o muito que há ainda para recolha em relação aos manuscritos antigos e mapas.&lt;br /&gt;Tenho esperança que Ameht me fale da cidade subterrânea de Derinkuyu, na Capadócia, chamada o " Poço Profundo", que se pensa poderá ter 4.000 anos. Se é verdade que lá vive um santo e velho Sufi, o único que conhece o segredo e o paradeiro do mais misterioso, terrível e temido dos livros, o " Necronomicon" escrito por Abdul Alhazred.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( continua )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zYW4MrE26CA/ToLuwNCNz-I/AAAAAAAAC3s/GOnoGKkUh08/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zYW4MrE26CA/ToLuwNCNz-I/AAAAAAAAC3s/GOnoGKkUh08/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a 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href="http://2.bp.blogspot.com/-zYW4MrE26CA/ToLuwNCNz-I/AAAAAAAAC3s/GOnoGKkUh08/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zYW4MrE26CA/ToLuwNCNz-I/AAAAAAAAC3s/GOnoGKkUh08/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zYW4MrE26CA/ToLuwNCNz-I/AAAAAAAAC3s/GOnoGKkUh08/s1600/Hasht-Behesht_Palace_ney.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JAvAaP1Px8g/ToLujH0mIMI/AAAAAAAAC3k/dxP4R7e7rLQ/s1600/Hagia%2BSophia%2B-%2B1852.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2039772580984060961?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2039772580984060961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2039772580984060961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2039772580984060961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2039772580984060961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/09/visita-sublime-porta-segunda-parte.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - SEGUNDA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-FS3A_KXQ1oM/ToMCwkDWSlI/AAAAAAAAC4A/d9iFXXBxnVw/s72-c/TAPETE%2BTURCO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4912585086883828922</id><published>2011-09-21T14:52:00.011+01:00</published><updated>2011-09-23T12:54:22.020+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VISITAS À HISTÓRIA'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - PRIMEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-x1rNNCAApmA/TnntadiAYTI/AAAAAAAAC3Y/tk_beEZqjmI/s1600/Basilica-de-Santa-Sofia-Istambul-Turquia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654811846000009522" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-x1rNNCAApmA/TnntadiAYTI/AAAAAAAAC3Y/tk_beEZqjmI/s320/Basilica-de-Santa-Sofia-Istambul-Turquia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A segunda noite em Istambul tinha sido rica em libações e gastronomia. Mustafa tinha-se empenhado numa verdadeira noite do " leão" - o que se chama aguentar o Raki - a mais emblemática bebida turca, diluída em água, com toque e sabor a aniz, com algum grau que trai os mais incautos bebedores. A música fazia-se ouvi, Mustafa tinha a tocar Klásik Osmanh mûsikisi - música clássica otomana . Os pratos da acolhedora gastronomia turca sucediam-se: o Kebap e o Zeytinyagli Biber Dolmasi ( pimentos recheados), outros magníficos pratos não paravam de aparecer até chegar o frango com nozes ( cerkez tavugu), fazendo-se este, pela confecção, eleger a libações mais profundas de Raki: Eu poupava-me de contenção não acompanhando Mustafa ou Memet, no acto de pousar o copo vazio. A música torna-se mais fluída e envolvente de virtuosismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mustafa contava-me que " os Osmanh padisahlar ( Sultãos Otomanos), recebiam aprendizagem em Siir ( poesia), e Hat ( caligrafia), também música, baseando-se no Árabe Persa para os Makams ( modos), Uiul's ( ritmos), ou Saz ( instrumentos). O que ouviamos fazia parte de um acervo com mais de 20 mil peças, o que atestava a grande produção Otomana entre as músicas de todos os povos muçulmanos. Ouvimos depois alguns trechos tocados pelas antigas bandas militares chamadas Tug, que tomaram o nome de Mehterhãme após Mehmed o Conquistador. A finalidade da música militar era indispensável para o exército turco. Tinha o intuito de amedrontar o o inimigo com o produzir de um som musical de grande intensidade com centenas de instrumenros de percussão e sopro que formavam essa banda que seguia entre as primeiras linhas militares incitando ainda mais a ferocidade dos Janízaros. A nossa visita relacionava-se com um estudo que pretendiamos fazer sobre este corpo de forças de guarda do Sultão, essa força temível que constituíu a elite do exército dos sultões Otomanos. A força que tinha sido criada pelo Sultão Murad I, por volta do ano de 1330; e, era formada por crianças não muçulmanas, geralmente cristãs, capturadas em batalha, levadas como escravas e convertidas ao Islão. Estes jovens não recusariam abafar qualquer revolta interna, pois não os motivavam laços de parentesco com as gentes otomanas. Obedecendo totalmente a qualquer ordem do Sultão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No outro dia iamos à livraria Ahmet, onde podiamos encontrar cópias de mapas antigos e muitos manuscritos e livros sobre a época que pretendiamos estudar. Ainda referências sobre as actuais escavações arqueologicas em Éfeso, e alguns mapas muito antigos de origem Persa, sobre Antíoco II e o monumento ainda não estudado no cimo do monte Taurus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A livraria era no Edifício Pamuk, construido pelo avô de Orhan Pamuk, datava da época em que este fez próspera fortuna a montar caminhos de ferro e fábricas , tudo sobre a égide de Kamal Ataturk. Era ali que Orhan escrevia os seus romances e onde Mustafa tirava fotografias únicas que ganhavam prémios internacionais. Num privilégio único, Mustafa levou-nos lá para que pudessemos observar o Corno Dourado; esse lugar que o oráculo de Delfos no séc. 7 a. C. tinha indicado a Byzas para procurar a fundação de uma nova cidade. O oráculo tinha ainda indicado a Byzas, que essa descoberta se passaria em " terra de cegos". Partem estes descobridores da Grécia, confiantes nos deuses para resolver tal enigma. Entram pelo estreito de Dardanelos, mar da Marmara, aportando do lado asiático. A vistas de tão abrigado lugar do outro lado do estreito, com tão estratégico porto natural, concluiram que deviam ser cegos os não muitos habitantes daquelas paragens, para não verem tal; e, era este o lugar indicado pelos deuses para a fundação de nova cidade. Foi aqui, mais tarde, dado o nome de " Corno de Oiro" pela configuração geográfica e o nascimento de Bizâncio, que foi invadida em 326 por Constantino, que lhe muda o nome para Constantinopla. Em 1453 o Sultão Mehmet II conquista Constantinopla dando-lhe o nome de Istambul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ali perto o Topkapi dáva-se de imponências rendilhadas. Maresias brandinhas sentiam-se daqueles páteos debruçados sobre o Bósforo. Nuvens de estorninhos pejavam o fim de tarde sem nuvens, sacralizando ali perto as leituras dos muezzins, ecoando para o poente mais uma chamada aos crentes. Cidade, esta, prodigiosa que está e estará sempre para os escritores como São Petersburgo esteve pa&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uqtWrQqzVs0/TnntSujIcQI/AAAAAAAAC3Q/v7RrIsTbPaY/s1600/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 246px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654811713129181442" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-uqtWrQqzVs0/TnntSujIcQI/AAAAAAAAC3Q/v7RrIsTbPaY/s320/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ra Dostoiévsky; Buenos Aires para Jorge Luís Borges; Dublim para Joyce; ou Paris para Proust; aqui, toda e eternamente para Pamuk.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dezoito milhões de seres fervilham nesta grande cidade colmeia. Com pedras que nos contam história milenar a cada passada. Em Santa Sofia, repousava sempre os olhos num último fresco e pensava :" como a filha de um domador de ursos, Teodora, com uma vida de forte licensiosidade, influênciou tanto o império, e mais tarde fez-se figurar em representação ícone e pose Mariana " - Aos olhos do Sol, pisei um último lajeado, a resplandecência tolhe-me, olho acobertado nas sombras de tanta vetustez. Justiniano tornado Santo Ortodoxo sem se desgastar nas subidas infindáveis do Monte Athos. Um novo friso de painéis, o Imperador Comnenos, a sua mulher Irene e o seu filho Alexis estão retratados com a Virgem Maria e o Menino Jesus ao seu colo. Cristo sentado no trono, ladeado pela imperatriz Zoe; foram vários os maridos desta imperatriz, a quem foram modificadas as representações dos rostos e nomes de cada um deles após os casamentos; parecem, neste enumerar, estes afrescos receber uma cumplicidade do tempo, ao serem tão esbatidos como a fugacidade dos reinados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ali perto, desço à Cisterna Yerebatam, ao lado oposto ao Museu de Santa Sofia, a maior existente hoje em Istambul, e construida durante o período bizantino. O prodígio e a dimensão levam-nos para outros estágios de exaltação, a frescura empresta uma respiração de mosto de Huris. As luzes são feéricas, cuidadosas de não ferir os olhares, esbatem-se naquele lajeado aquoso que se distende como um espelho de djíns que tem de idade mil anos. A água chegava dos rios e nascentes da floresta de Belgrado, a muitos quilómetros de distância. Quem se encaminha para a saída olha duas cabeças gigantescas de Medusas, usadas como bases das colunas, parecem olhar-nos; adormecidas, tocadas pela beatitude do lugar, transformando do emblema do seu horrível bacinete, ondulantes e inofensivos líquenes flutuantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho que me encontrar com Mustafa. O tempo não chega para este périplo de multiplas apetências culturais. Já se divisa a Mesquita Azul ( Mesquita do Sultão Ahmet), a maior e mais explêndida de Istambul. Nas suas cinco portas existentes para o pátio, é sempre a mais evocativa a da corrente. De acordo com a história, esta corrente ajudava o sultão a descer da sua montada. A contornos perdemo-nos nos verdes do arvoredo e jardins circundantes à Praça do Sultão Ahmet, antigo lugar do Hipódromo que teve início de construção no ano 203, com Septimus Severus, logo após a conquista romana da cidade, sendo especialmente cocluido no ano de 330 para as cerimónias do imperador Constantino o Grande. Subindo a um pequeno mirante envolvemo-nos em inúmeros canteiros com as mais belas das flores. Dali como gajeiro de vastos horizontes, olha-se, lá em baixo, o Bósforo arremetendo-se em surtidas brandas de espumas intemporais. Imagina-se uma galera Veneziana a aportar no Corno de Ouro, ali em frente do palácio do Topkapi com mil deslumbramentos de brocados para Roxane e para as belas do Serralho. Para os lados da margem asiática, no começo daquela embocadura que já bebe do mar, teria o vento visto os balsões da frota da Cruzada para S. João de Acre. Ainda no adornar daquela linha ponteada da margem frontal, o Palácio Dolmabahçe recebendo quem vem da Ponte de Galata, o próprio Leonardo da Vinci chegou a apresentar um projecto ao Sultão, que de tão inovador, confundiu a sua aceitação - Francisco I foi mais bem acolhedor às inovações do génio. A tarde declinava rapidamente colorindo cornijas e minaretes de sépia branda. No outro dia além da livraria de Amhet, ia com Mustafa ao Grande Bazar ( Kapahçarsi ), encontrar Murat, para que nos falasse, também, de livros raros e dos antigos Caravansarais ( hospedarias), caminhadas na Anatólia, caminhos de Alexandre o Grande, grutas de Goreme e o secreto contacto com a irmandade Sufi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( Continua )&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uqtWrQqzVs0/TnntSujIcQI/AAAAAAAAC3Q/v7RrIsTbPaY/s1600/Gravura%2Bdo%2BCorno%2Bde%2BOiro.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4912585086883828922?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4912585086883828922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4912585086883828922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4912585086883828922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4912585086883828922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/09/visita-sublime-porta-primeira-parte.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - PRIMEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-x1rNNCAApmA/TnntadiAYTI/AAAAAAAAC3Y/tk_beEZqjmI/s72-c/Basilica-de-Santa-Sofia-Istambul-Turquia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-5261493229864619980</id><published>2011-09-12T11:02:00.007+01:00</published><updated>2011-09-12T14:34:48.434+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ARTE SACRA'/><title type='text'>ÍCONES, OBRAS SACRAS DA ARTE MILENAR</title><content type='html'>( Theotokos , Jerusalém - Reprodução de ícone - Gentileza de Alberto Ferreira )&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UBMXz-tNvHE/Tm3aqM6oCyI/AAAAAAAAC3E/XyCUGztc9DQ/s1600/%25C2%25ABTHEOTOKOS%25C2%25BB_-%25C3%25A0_semelhan%25C3%25A7a_do_%25C3%258DCONE_anterior__adquirido_em_%25C2%25ABJERUSAL%25C3%2589M%25C2%25BB.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 224px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651413525976320802" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-UBMXz-tNvHE/Tm3aqM6oCyI/AAAAAAAAC3E/XyCUGztc9DQ/s320/%25C2%25ABTHEOTOKOS%25C2%25BB_-%25C3%25A0_semelhan%25C3%25A7a_do_%25C3%258DCONE_anterior__adquirido_em_%25C2%25ABJERUSAL%25C3%2589M%25C2%25BB.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para quem visitou ou vai visitar uma igreja Ortodoxa, não irá esquecer como primeira visita, a beleza pictória do iconóstase, um figurado biombo -parede divisória -decorado com ícones, e que separa a nave da Igreja, do Santuário ( Santo dos Santos). Os ícones, termo derivado do grego ( Eukon, imagem), arte pictória religiosa pintada sobre um painél de madeira; consubstancía uma mensagem que representa menções dos Evangelhos, remontando a sua origem à introdução do Cristianismo em Bizâncio, atingindo o seu apogeu do século V até parte do século VIII. Este florescimento deveu-se à ressurgida Constantinopla, onde Constantino legaliza a fé cristã. Posteriormente religião oficial do império por édito de Teodósio I . Os bizantinos profetizavam ser um novo povo eleito do Novo Testamento, os novos israelitas, Constantinopla a cidade guardada por Deus, a nova Jerusalém.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É pois, dessa época, a primeira representação de Maria - Mãe de Deus - quando cerca do ano 460, a esposa de Teodósio II enviou de Jerusalém uma imagem pintada ao que se julga por S. Lucas. Isto libertou os cristãos das censuras e restrições judaicas e das religiões pagãs, que os perseguiam; começa um período de áurea criação, invocando-se figuras da Sagrada Família, Santos Mártires e tudo o que na figuração inspirasse piedosa devoção. Era uma forma de fazer chegar às pobres gentes analfabetas, por um meio pictório, passagens bíblicas e a vida dos santos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A própria corte encorajava esta devoção: Justino II tinha um famoso ícone de Cristo, que fora guardado na cidade de Kamoulianai, na Capadócia, e levado para Constantinopla em 574. Segundo a crença popular, tratava-se de uma imagem milagrosa do tipo conhecido como " acheiropoietos" - arqueopoetas, figurações que se diziam serem feitas por mãos santas, atribuindo-se ainda a sua feitura a processos miraculosos, acreditando o povo ser revelação divina. Uma das mais famosas relíquias desse tempo, que inspirou muitas pinturas, foi o " Mandylion" de Edessa, uma toalha que se dizia ter a impressão da face de Cristo. Dizia a lenda que o mais antigo soberano de Edessa a pedira a Cristo: o Senhor apiedado de tanta devoção deixou miraculosamente impresso o seu rosto; servindo este retalho de linho para estandarte de batalha nas guerras com os sassânidas. O Imperador Maurício mandou substituir no cunho do sinete imperial, a figuração de uma célebre batalha romana, pela imagem da Mãe de Deus; mandando ainda instalar uma imagem de Cristo sobre o portão "Chsike", a principal entrada do palácio imperial. Nos próximos séculos aperfeiçoaram-se os aspéctos criativos, as madeiras de larice e de abeto ( as preferidas), eram aplainadas e preparadas com esmero. Era feito o desenho, e a pintura iniciava-se com aplicações douradas; geralmente nas margens, nos detalhes das roupas, nas auréolas e nos fundos que necessitassem resplandecência. Depois pintavam-se as roupas e as paisagens de fundo. Aplicava-se por fim, o branco puro nas mãos e na face; uma composição de ténuo castanho fazia sobressair as barbas, cabelo e olhos; finalizando-se com uma camada de fino verniz que realçava todo o conjunto nuns tons rosados. A COR DOS ÍCONES assumia uma importância significativa, expressando algumas tendências de escolas a que pertenciam os artistas. O vermelho era a cor mais presente nas pinturas; representava a cor do martírio. O verde a natureza e fertilidade; o castanho a pobreza e a humildade; o azul a transcendência divina; o branco a paz e a bonança anunciada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;NO SÉCULO VIII desenvolve-se um período iconoclasta, o imperador Leão III e o seu filho Constantino V proibem os ícones, sendo esta proibição revogada por um Concílio. Posteriormente o empenho da Imperatriz Teodora, surge como apelo inequívoco à sua veneração. Ultrapassado esse período mais cerceador e proibitivo a ascensão desta arte dissemina-se fortemente consolidando-se de esmero até à queda de Constantinopla, o fim do Império Bizantino em 1453.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Instaurada a religião muçulmana - que não era proibitiva à existência de outros credos religiosos - a tradição transferiu-se para os Balcãs e para Veneza a ocidente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em Veneza é criada uma escola de Patrono S. Lucas, uma guilda de pintores da escola bizantina. No apogeu do Renascimento, artistas incontestados como Leonardo, Tiziano, Mantegna, e outros mestres, aprimoraram toda esta técnica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na Grécia criou-se uma especialidade com conjuntos de painéis facilmente transportáveis, que lembrariam mais tarde a técnica dos " Ikonostas" russos. É então na Rússia, após a conversão ao Cristianismo Ortodoxo e 988, que o ícone atinge uma importância ímpar, disseminando-se a partir de Kiev. Venerado em mosteiros, igrejas, lares: o " Krasnyugol" - a colocação de canto de figuras de Santos devotos que é presença em todos os lares ainda hoje.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No entanto foi árdua a luta pela aceitação desta forma pictória de retratar as figuras dos Evangelhos; não obstante o apoio das poderosas forças imperiais e a aceitação da nobreza, o clero vigente da igreja primitiva via com muita desconfiança estas imagens religiosas, associando-as à idolatria. Só após a conversão de Constantino, esta arte passou a ter merecida aceitação. A própria irmã de Constantino, consultou Eusébio de Cesareia sobre a aquisição de uma imagem de Cristo, para devoção particular. A resposta não podia ser mais ciosa de poder conservador: o clérigo repreendeu-a, dizendo-lhe: " Se Cristo reinava em glória, só deveria ser contemplado na mente". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Maravilhamo-nos ainda hoje com esta arte sublime, do que ficou de Bizâncio, expraiando os olhos em enorme emoção contemplativa: desde os mosaicos bizantinos, vistos nessa obra arrebatadora do mosaico da Virgem com o Menino Jesus, na abside da Igreja de Stª Sofia, ou vendo toda a beleza interior da Igreja de S. Sérgio e S. Baco; lembrando, ainda, a Igreja dos Santos Apóstolos onde se encontra o mausoléu de Constantino. O Imperador crente que fez cristãs, pagãns gentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-5261493229864619980?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/5261493229864619980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=5261493229864619980' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5261493229864619980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5261493229864619980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/09/icones-obras-sacras-da-arte-milenar.html' title='ÍCONES, OBRAS SACRAS DA ARTE MILENAR'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UBMXz-tNvHE/Tm3aqM6oCyI/AAAAAAAAC3E/XyCUGztc9DQ/s72-c/%25C2%25ABTHEOTOKOS%25C2%25BB_-%25C3%25A0_semelhan%25C3%25A7a_do_%25C3%258DCONE_anterior__adquirido_em_%25C2%25ABJERUSAL%25C3%2589M%25C2%25BB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4849828226551610625</id><published>2011-09-04T15:58:00.009+01:00</published><updated>2011-09-05T15:37:01.546+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>A MISTERIOSA DAMA DO PAÇO REAL DE SINTRA - SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8sRuiP6S5Wo/TmOTPIu-yyI/AAAAAAAAC20/sgwgoEC5rOU/s1600/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648520245904591650" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-8sRuiP6S5Wo/TmOTPIu-yyI/AAAAAAAAC20/sgwgoEC5rOU/s320/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo isto se me sublimou no espírito em fracções de segundos. Habituado pelo treino analítico ao catalogar do que me cercava; no espaço destes fugazes momentos de julgamento emocional ao que devia fazer: compreendi ir acontecer algo de mais surpreendente. Olhando mais em detalhe o programa do Concerto, vi um destacado cartão no seu interior, que dizia o seguinte: " Deve seguir -me". Fiquei algo perplexo, e a pensar ao que conduziria este jogo já começado de intensidade misteriosa e palaciana sedução. O mais estranho e paradoxal para mim, em todos estes desfilados e céleres actos, era a sensação de que aquela figura de mulher me era familiar; e, que algures, já a teria visto em qualquer lugar. Não era difícil seguir aquele rasto, o mais misterioso dos perfumes indicava-me o caminho, o mesmo era feito de parcerias com breves aparições de grupos coloquias que aguardavam o começo da segunda parte musical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na peugada de seguir a minha misteriosa guia, encontrava-me a breve trecho no pátio junto ao Tanque dos Cisnes. Dali, subindo umas estreitas escadas desemboquei no Pátio do Esguincho, ou Pátio Central; onde na calma vetustez daquele périplo por salas e pátios apartados de calor humano, já só chegavam aos ouvidos ecos remotos de conversas longínquas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir daqui divisei junto à silhueta da minha misteriosa guia, uma luz do que parecia ser, talvez, uma lanterna. Eu caminhava afoito pelo conhecido domínio do casario, mas ao mesmo tempo preso da maior curiosidade; pensando até onde me levaria aquela luz e a motivadora iniciante daquela cativante perseguição. Em breve estávamos na Sala dos Árabes, e no Pátio da Carranca. Ali a luz imobilizou-se. Eu mantinha uma distância de , talvez, algumas dezenas de passos, e a continuar assim, em breve a alcançaria. Mais perto, e por entre um fugaz luar ocultado por passageiras nuvens, divisava já aquele forte bruxulear em cima de um banco de pedra. Mas, da misteriosa diva transportadora nem rasto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhei em volta, surpreso e esperançado de que a cativante criatura que ali me tinha levado, ainda pudesse aparecer. Mas não: no ar pairava sómente de uma forma mais intensa o forte perfume que me enebriava mais, e me fazia lembrar algo que me parecia prática alquímica já por mim intentada. Era como se fosse um convite a pôr à prova a minha capacidade de separar essências para a primeira decifração d&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aI5QF-Q7PFg/TmOTAr-vxgI/AAAAAAAAC2s/2LZozTBfH2o/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648519997667919362" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-aI5QF-Q7PFg/TmOTAr-vxgI/AAAAAAAAC2s/2LZozTBfH2o/s320/mulher%2Bmisteriosa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;e algo que não era possível para leigos; mas que poderia ser uma primeira pista para os conhecedores dos trabalhos do Athanor. O odor estranho e único da forte fragrância era agora mais intenso do que nunca. A misteriosa portadora parecia ter-se desmaterializado, transformando-se nesta presença volátil. Lembrei-me de que há muito intentava fazer o Kyphi perfeito, o perfume sagrado dos deuses egípcios; mas, ainda não tinha conseguido as verdadeiras proporções e as genuínas matérias. Tudo me dizia que naquela atmosfera existia algo daquela composição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltando-me para o objecto luminoso e pegando-lhe vi tratar-se de uma lanterna. Era piramidal, de metal, bronze ou latão; devia ter uns trinta centímetros de altura. Na cúspide uma pequena argola era o meio de a transportar. Uma vivíssima luz num tom verde azulado desprendia-se, não se vislumbrando da sua proveniência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O céu era agora uma cascata de réstias de luar, divisando-se perfeitamente tudo no interior do pátio. Resolvi-me a pegar na dádiva misteriosa da minha bela fugitiva, decifrar por fim todo ou alguma parte do mistério ali acontecido. Ao deslocá-la, elevando-a, a luz apagou. Mostrando-se junto à pega, um rolo de papel de alguma consistêcia. Era só eu, o luar, e aquela presença agora transformada em perfume. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Retrocedi nas sombras com a experiência de um conhecedor que a breve sairia do Palácio. Com o artefacto metálico embrulhado num abafo, restava-me vencer a breve ansiedade de procurar uma precária luz, que fosse, para a leitura. Distendi o rolo, do que me pareceu papiro de boa qualidade: em letra que talvez cálamo escrevesse, pude ler:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Almejas conseguir o Kyphi, um dia o farás: Eu sou aquela com o cabelo enfeitado com sete estrelas, os sete alentos dos Deuses que movem e pulsam sua excelência. E tenho penteados os cabelos com sete pentes, nos quais são escritos os sete nomes secretos da morada divina, que não são conhecidos dos mortais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sou, ainda, um raio das sete Hator, da comunidade das que os deuses chamam « perfeitas, belas e puras». Também, chamadas « as veneráveis», as que afastam o Mal e favorecem a harmonia."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nitócris&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trémulo de emoção internei-me num manto de folhagem e luar, subindo ao abraço da Cruz Alta. À medida que contemplava aquele papel e os caracteres, o perfume ainda era mais intenso. Não havia dúvida de que era o Kyphi, o perfume secreto e sagrado, preparado pelas sacerdotizas egípcias e ofertado aos deuses. Duvidei de que algum dia conseguiria o segredo desse composto, não obstante a escolha e a promessa escrita dessa princesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As horas apagaram-se de brisas e a manhã rasgou-me o peito de mansinho com o grito de mil aves vindas do mar. No murmúrio do azul coberto de brandas vagas. Ela vogava, já longe, numa barca para Mênfis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aI5QF-Q7PFg/TmOTAr-vxgI/AAAAAAAAC2s/2LZozTBfH2o/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aI5QF-Q7PFg/TmOTAr-vxgI/AAAAAAAAC2s/2LZozTBfH2o/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aI5QF-Q7PFg/TmOTAr-vxgI/AAAAAAAAC2s/2LZozTBfH2o/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4849828226551610625?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4849828226551610625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4849828226551610625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4849828226551610625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4849828226551610625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/09/misteriosa-dama-do-paco-real-de-sintra_04.html' title='A MISTERIOSA DAMA DO PAÇO REAL DE SINTRA - SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8sRuiP6S5Wo/TmOTPIu-yyI/AAAAAAAAC20/sgwgoEC5rOU/s72-c/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4050423253384074411</id><published>2011-09-01T16:13:00.003+01:00</published><updated>2011-09-01T18:18:09.673+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sintra'/><title type='text'>A MISTERIOSA DAMA DO PAÇO REAL DE SINTRA - PRIMEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-QnIZPdSJclo/Tl5RVcngfhI/AAAAAAAAC2g/tl-ip6RGUWI/s1600/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647040411670183442" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-QnIZPdSJclo/Tl5RVcngfhI/AAAAAAAAC2g/tl-ip6RGUWI/s320/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on" closure_uid_dg5ltz="92"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;Buganvílias ornavam-se como chapéus coloridos, compondo preces ao luar pleno que Sintra recebia naquela noite de absoluta limpidez celestial. O palácio dava-me a medida dos ecos conhecidos, tinha-o percorrido inúmeras vezes, não só em estudos para vários trabalhos, como também, em ciclos de aulas vivas com grupos nacionais e estrangeiros. Podia , pois, deambular por todas as salas com bastante desenvoltura e regressar ao ponto de partida o Terraço da entrada, ou à Sala dos Cisnes onde decorria o concerto musical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_dg5ltz="105"&gt;Recordei tudo isto com um sorriso que me aflorou os lábios, certa vez caminhava com um grupo de trabalho italiano de professores de arte oriundos de Veneza, a quem mostrava o palácio e a quem descrevia o lugar da sala quarto-prisão onde vários anos permaneceu El-Rei D. Afonso VI. Quando se deu por falta de três elementos que se tinham afastado do grupo, sendo inexplicável de momento encontrá-los ou vislumbrar para que lado estariam. Pedi ao grupo que se mantivesse nas cercanias da antiga casa da distribuição da água e num prognóstico algo intuitivo desloquei-me em direcção à passagem para a sala dos brasões, alcançando em seguida a sala das colunas, das duas Irmãs ou de D. Afonso V ; acercando-me assim, do Jardim da Lindaraya. Ali, encontrei-os contemplando a idílica flora, entregando-se ao mesmo tempo a mantos de sombras que cativavam a tarde em prodígios de frescos. Resgatados para o périplo colectivo, rapidamente todos juntos fizemos o restante percurso da visita, e a breve trecho chegámos à Sala das Sereias, da Galé, ou da Câmara de Ouro, passando à sempre admirada Sala das Pêgas, deslocando-nos para a Sala de D. Sebastião, do Conselho, ou da Audiência, encontrando-nos em breve no Pátio da entrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_dg5ltz="105"&gt;Pensava em tudo isto quando estridente ovação veio coroar o virtuosismo dos executantes, tirando-me das minhas meditações recordativas. Era o marcado momento para tomar algum ar fresco, e amenizar o galopante fluído emotivo, elevado por tão intensa entrega melómana ao cativo dos sons. Junto ao Lago dos Cisnes encontrava-me há algum tempo só. Parado junto a um enorme cone de buxo tratado em forma piramidal, olhava impessoalmente os grupos de pessoas que me circundavam, quando fui atraído pelo odor de um perfume diferente de tudo o que nos cercava. Não sendo propriamente um " nariz", na plenitude do ofício, sabia distinguir as notas principais, as notas de cabeça, que são essências voláteis, as notas do coração, essências mais fortes que caracterizam toda a solidez da composição perfumista. Lembrei-me da oferta que um dia tinha feito a D. Sininho, com a cumplicidade de Senesino, que cantava nesse dia: um jogo de frascos de René Lalique, verdadeiras preciosidades, onde se incluía uma réplica do primeiro frasco para L'Effleurt de François Conty. Tudo adquirido num antigo vidreiro coleccionador de Murano. Para o conseguir dos preciosos frascos, depois de aturadas negociações, foi imposto como moeda de troca, duas bonitas gravuras de Bonnart, representando figuras em traje perfumista, uma cave de perfumes, caixa de conservação em madeira da Ilha de Fritis; e, ainda uma réplica de L'e Tépidarium de Théodore Chassérian, de 1853, cópia muito bem feita por um anónimo em princípios do século XX.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div closure_uid_dg5ltz="105"&gt;No nosso laboratório fazíamos vários incesos para rituais, e algumas vezes aquando de ocasiões especiais, tinha o privilegiado gosto de fazer algumas águas régias. Aqua Mirabilis, a água chamada da Rainha da Hungria, a indutora à água de colónia dos tempos correntes; e alguns óleos para práticas de aromaterapia. Onde amiudadamente lhe reservava três óleos: a lavanda para as frieiras, o zimbro para a circulação e o funcho para a obstipação. Das sete famílias de perfumes, D. Sininho gostava dos " chipres" constituídos no acorde bergamota-jasmim ; mas, preferia muito mais os " hespérideos", dádiva do grande Alexandre, o Grande, o seu divulgar de alguns pés de cidreira trazidos para a Grécia, após o regresso de muitas das suas expedições asiáticas. Os primórdios básicos onde deveriam assentar mais tarde, com os árabes, a laranja amarga da bacia mediterrânica, e quinhentos anos mais tarde a bergamota calabresa, os percursos até muitos dos perfumes dos nossos dias. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647039691512545570" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s320/mulher%2Bmisteriosa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;Parecia-me, pois, que o odor que me cercava tinha uma forte componente cítrica, mas também, talvez, a rosa damascena, ou a rosa centifólia estivessem presentes; a par de muito sândalo-branco e mais qualquer coisa muito subtil e muito forte, que não conseguia de todo identificar. Inclinei-me para através do olhar contornar o bojo da enorme escultura arbórea, de onde parecia emanar aquele odor. Divisei uma silhueta de mulher naquele recanto entre o arbusto e a janela que dava para o jardim. O sombreado fundido na luminescência difusa mostrava-me, num emolduramento quase pictório, uma mulher de traços finos e aparência muito bela, de vestes como nos aprontos da Serenissima. Os cabelos tufavam de mansinho até aos ombros, deixando-se afagar no alto por uma tiara singela; um colar cor de ébano adornava-lhe o níveo peito, como pressagiando a tepidez meio escondida e gémea, que se agitava ao bater das emoções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;Não tinha dúvidas, que era daquele ser cativante e distinto, que se desprendia a rara fragrância. Ainda não refeito por esta emoção, esta centelha ígnea, em que as almas algumas vezes capricham de encontro. Vi-a olhar-me, e acto contínuo, o seu gracioso braço estendido mostrava na mão um qualquer papel quadrangular&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647039951015514690" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s320/palacio-nacional-de-sintra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;O mesmo caiu num propósito evidente de me envolver no que era, nos últimos minutos, toda a atenção dos meus sentidos. O pequeno conjunto de páginas, que apanhara, era agora com evidência o programa do concerto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;A cerca de alguns metros, já no interior da sala, iluminada por mil reflexos cristalinos de uma luz não natural; um corpo olvidado de tensões de pose, aquela calma das princesas nas varandas de Ítaca. Tecendo oferendas para os deuses e falando com o mar; o apelo algo adorativo que cativa e prende a quem olha; e, que, inexoravelmente nos faz pensar num tributo relogioso a uma Deusa que nos aleita de presença pujante e nos coloca em ara de sortes que apelam ao respeito contemplativo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C08VuW23c5g/Tl5Qrh0jASI/AAAAAAAAC2Q/GN6fhn9AeYc/s1600/mulher%2Bmisteriosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgwb_KX57lk/Tl5Q6oi4EkI/AAAAAAAAC2Y/WG1w1zdKoE8/s1600/palacio-nacional-de-sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left" dir="ltr" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4050423253384074411?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4050423253384074411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4050423253384074411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4050423253384074411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4050423253384074411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/09/misteriosa-dama-do-paco-real-de-sintra.html' title='A MISTERIOSA DAMA DO PAÇO REAL DE SINTRA - PRIMEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-QnIZPdSJclo/Tl5RVcngfhI/AAAAAAAAC2g/tl-ip6RGUWI/s72-c/Pal%25C3%25A1cio%2Bde%2BSintra.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-7739300558594206519</id><published>2011-08-26T16:46:00.010+01:00</published><updated>2011-08-28T01:38:11.208+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVASÕES FRANCESAS'/><title type='text'>MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA.17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - ÚLTIMA PARTE</title><content type='html'>( exército anglo-luso)&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-woP6sWTXlHo/TlfA-k9SnKI/AAAAAAAAC10/HyCOevYArK4/s1600/ex%25C3%25A9rcito%2Banglo-portugu%25C3%25AAs.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 194px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645192839237377186" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-woP6sWTXlHo/TlfA-k9SnKI/AAAAAAAAC10/HyCOevYArK4/s320/ex%25C3%25A9rcito%2Banglo-portugu%25C3%25AAs.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Junot, já intitulado com o pomposo nome de duque de Abrantes, sai ele próprio de Lisboa, no propósito de mostrar aos seus generais como se comanda uma batalha. Reune em Torres Vedras cerca de 14.000 homens, incluindo 1.300 cavalos e 26 peças de artilharia. As forças anglo-lusas ascendiam a cerca de 21.800 homens, incluindo os dois mil homens da Real Legião, e também, um grande número de populares deficientemente armados. O general William Beresford achava-se a bordo da bem equipada esquadra que bloqueava a barra do Tejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Junot temia por Lisboa. Sabia que ao mais pequeno incentivo de fervor pátrio, a população se levantaria em revolta. No dia 20 ordena à cavalaria e ao grosso do exército que marche pelos caminhos da Lourinhã e Vimeiro; ( o plano, viemos a saber quando do aprisionamento do general Brenier ), seria o caminhar durante a noite, da artilharia e infantaria, para que pusessem passar num pequeno desfiladeiro, encontrando-se na manhã seguinte, dia 21, a cerca de uma légua das nossas posições para tentar surpreender-nos. No entanto as nossas tropas estavam muito bem posicionadas no terreno, aproveitando as boas condições naturais que o mesmo oferecia. Junot manda os generais Brenier e Solignac atacar o que lhe parecia um enfranquecido flanco esquerdo posicional das nossas tropas. Eu encontrava-me nesse flanco, confesso que se apoderou de mim um ímpeto de tanta vontade de combater, que a idéia da morte não me assombrou um minuto sequer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trava-se medonho e fero combate; a metralha varre corpos de homens e animais como se vento em moinha de eira se tratasse. As fumaças da pólvora sufocavam as gargantas; as tropas inglesas apresentam na artilharia uma nova peça o " shrapnell", de munições semelhantes à metralha mas com maior alcançe e efeitos devastadores. As nossas companhias estavam em grande parte equipadas com mosquetes, a arma mais apropriada para salvas e cujo carregar era o mais rápido, permitiam ainda ainda o encaixe de uma baioneta por baixo da boca do cano. Eu usava uma carabina Baker de cano estriado, cuja precisão e alcance ia aos 250m; era a arma ideal para o tiro selectivo. Os tambores rufam de compasso marcando o destino da progressão; os estandartes iluminam-se do nome dos idos, como fárois que guiam. Os peitos cavam-se de sangue vivo, roupas definham de rasgos sangrentos: uivos, gemidos, carnes soltas que se apartam misturando-&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4O8jenjg_SE/TlfBxtSLWkI/AAAAAAAAC2E/hmQSVZH2n2I/s1600/ORDENA%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645193717645793858" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-4O8jenjg_SE/TlfBxtSLWkI/AAAAAAAAC2E/hmQSVZH2n2I/s320/ORDENA%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;se numa terra mãe que se cobre de corpos sem vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clamar e desafiar a morte tem já a sua tença. São de muitas centenas as baixas, os franceses perdem mais de 2000 homens entre mortos, feridos e prisioneiros. As tropas luso-britânicas cerca de 1000. Eu exausto contornava a morte: escapava-lhe, desafiando-a em temeridades aos volteios da sua fouce. Fincando-me num calcar de mar de fetos, avançando ébrio de desafios senti a sua marca como um ferro em brasa que me maculou o braço esquerdo rasgando-me as carnes. O garrote ficou-se num vivo tricolor como a lembrar a origem do disparo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O general Brenier, feito prisioneiro, é interrogado pelo general Wellesley, confessando que todas as tropas francesas estavam no terreno, incluindo a reserva do general Kellermann. Os franceses retiram penosamente. Wellesley traça um plano de perseguição que se não fosse sustido por sir Harry Burrard, comandante em chefe, infligiria uma das maiores derrotas de sempre aos exércitos napoleónicos. Consegue assim Junot chegar a Torres Vedras com o resto do seu exército. Numa última bravata, bem ao seu gosto, ferido no mais fundo do seu orgulho, apresenta-se como um vencedor ao povo. Mas a verdade da derrota era inuludível, os sinos das igrejas de todo o rincão pátrio começam a tocar odes vitoriosas. O povo exulta gritando liberdade, hasteiam-se novamente as quinas e a lembrança de Ourique dá cor aos mastros dos fortins lusos, naus de aves brancas contornam o bojador da opressão, nascem poentes novos. Portugal está liberto!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na outra manhã seguinte, 22 de Agosto de 1808, Lisboa amanhece em grinaldas de Tejo novo, as flores namoram os beirais, um éco soalheiro casa com as colinas, São Roque respinga de alegres bronzes, do lugar da restinga do Restelo, partem velames de boas novas às gentes de Vera Cruz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa rua íngreme, num palácio sumptuoso, correm-se veludinos reposteiros, o cravo emudece de aprontos aos pares futuros e ao fausto costumeiro. Um raivoso luto cobre a derrota de Andoche Junot; os seus generais secundam-no, cabisbaixos, não ousando olhá-lo, temendo já o vociferar do grande Corso. É emanado um pedido de capitulação às tropas anglo-lusas, o princípio do fim de Andoche Junot e da primeira invasão francesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Portugal liberta-se do opressor; mas, não se liberta de um desconsiderado tratamento de menoridade que o continua a marginalizar. A chamada Convenção de Sintra, por ser aqui assinada, apoia-se em termos de acordo entre unicamente ingleses e franceses, favorecendo estes. É permitido aos franceses levarem todos os bens e preciosidades fruto dos saques e muitas rapinagens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre eles, os oito volumes de iluminuras do séc XV, da preciosa " Bíblia dos Jerónimos"; legado testamentário do rei D. Manuel I ao Mosteiro dos Jerónimos; que só décadas depois voltaria a solo pátrio. Também, já em 1807, colecções do Real Museu da Ajuda são levadas para Paris, pelo naturalista francês Geoffroy de Saint-Hilaire, só uma parte seria restituída mais tarde.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pasme-se os custos que teve a liberdade, os próprios britânicos ajudam a levar o saque dos franceses, obras de arte, tapeçarias, jóias, alfaias religiosas, até cavalos de Alter. Todo um conluio vergonhoso que teve até ignóbil partilha. Numa intenção de menorizar o escandalo, o Parlamento Inglês pede mais tarde, mas sem consequências, explicações aos seus generais e a Arthur Wellesley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 303px; FLOAT: left; HEIGHT: 229px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645193180689713714" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis o que propus contar-vos, parte destas minhas memórias de um tenente de Caçadores e da visão histórica destes momentos tão pungentes que assolaram a nossa nação. Faço-o na calmia veterana de quem foi ferido na Batalha do Vimeiro. Que derramou com estoicismo algum sangue pela sua pátria, num voluntário destino afrontado, numa morte desafiada; quiseram os fados tolher-me alguma destreza do meu braço esquerdo. Deste findar de relato, neste horizonte pleno, o silêncio impera na sombra de uma árvore que guarda túmulos; em alguns dias ainda oiço o eco dos corpos que tombaram, o relincho apavorante das montadas, o som dos tambores, a metralha zumbindo como roçadora cega, o toque final a silêncio que homenageia e dá guarida aos bravos de sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Implantação do Regime Liberal, da Revolução de 1820 à Queda da Monarquia - Hernâni Cidade&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Monarquia Absolutista - Da Afirmação do Poder às Invasões Francesas - Ângelo Ribeiro e Hernâni Cidade&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Liberais e Miguelistas - Mário Domingues&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Junot em Portugal - Mário Domingues&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_eiiPiuZhCY/TlfBSc93yjI/AAAAAAAAC18/6zIgAa71ntg/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-7739300558594206519?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/7739300558594206519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=7739300558594206519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7739300558594206519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7739300558594206519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/memorias-de-um-tenente-de-cacadores_26.html' title='MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA.17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - ÚLTIMA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-woP6sWTXlHo/TlfA-k9SnKI/AAAAAAAAC10/HyCOevYArK4/s72-c/ex%25C3%25A9rcito%2Banglo-portugu%25C3%25AAs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8789094183093450553</id><published>2011-08-24T11:27:00.005+01:00</published><updated>2011-08-24T14:56:15.659+01:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA, 17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - TERCEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nPg_mVxHPHI/TlTU9pBLlSI/AAAAAAAAC1o/VGrkK3J_8Cs/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644370388449989922" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-nPg_mVxHPHI/TlTU9pBLlSI/AAAAAAAAC1o/VGrkK3J_8Cs/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A imprensa foi amordaçada e controlada com forte censura. A Gazeta de Lisboa, na alçada dos ocupantes, foi obrigada a substituir as armas portuguesas que encimavam a sua primeira página, tendo que as trocar pela Águia Imperial e tornar-se orgão noticioso dos franceses. Surgem entretando no Porto e em Coimbra, os periódicos Leal Português e Minerva Lusitana, que nas entrelinhas davam nota de algum inconformismo. Em Junho de 1808 surge um extraordinário surto panfletário em Portugal. O 2 de Maio em Espanha tem grande influência nas consciências nacionais e na catalização da insurreição portuguesa. Isto permite que circule em Portugal um dos grandes libelos espanhóis de acusação aos franceses - lembremo-nos de que a Espanha estava em luta contra os franceses -; o opúsculo " Exposição dos factos e maquinações com que se preparou a usurpação da Coroa de Espanha" , de Pedro de Cevallos; na tradução portuguesa atinge significativo exito com 4 edições e alguns milhares de exemplares. Proliferam, então, os panfletos em prosa e verso de pendor patriótico e de crítica ao invasor, na sua maior parte de autores anónimos. Qualquer indivíduo vertia os seus pensamentos ou sentimentos nestes folhetins que circulavam mais , nos maiores centros populacionais; alguns de prosa mais elaborada tinham como assinaturas " um português patriota", ou um " português amante da pátria".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto isto, Junot entretinha-se em conquistas mundanas, ora avançando nos salões ao som do" Chant de départ de Méhul", ou aconchegando o chaile de Cachemira nos níveos ombros da condessa de Ega. Entretando o tenente-general Artur Wellesley larga de Cork com uma frota, em 12 de Julho de 1808. No dia 5 de Agosto as tropas inglesas, não obstante o mau tempo no mar, com vagas enormes, desembarcaram em solo português entre Lavos e Buarcos. Logo a seguir aproximam-se mais navios, com o general Spencer e as suas tropas. Renasce a esperança portuguesa: os generais Bernardino Freire de Andrade e Pinto Bacelar movimentam as suas tropas a caminho de Lisboa. Numa frente patriótica o povo adere entusiasta, com todas as armas possíveis de encontrar. A minha companhia de Regulares enquadrava ainda dez milícias a que tinhamos ministrado treino; mais do que treino tinham uma vontade indómita de lutar e vencer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A 12 de Agosto, em Leiria, junta-se a vanguarda inglesa e o exército português. Wellesley e Freire de Andrade traçam planos para as operações, divergindo os seus planos. Wellesley não queria abandonar a costa devido à garantia que essa posição dava em termos de abastecimento ( confesso que foi uma sábia determinação, como se verá mais tarde ), Bernardim Freire parte para Leiria para fazer frente ao terrível e de má menória general Loison. A intenção era não deixar passar tropas francesas para aquem da serra de Minde. Wellesley recolhe víveres em Alcobaça, que vieram de bordo pela costa da Nazaré. No dia 17, achava-se Wellesley em marcha para a Roliça, com 13.400 homens de infantaria e cavalaria; ao mesmo tempo o brigadeiro Pinto Bacelar iniciava a marcha com as suas tropas da Beira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imaginai quanto esforço elaborei para guardar junto da minha bagagem de combatente, os escritos que retivessem as memórias que observava e registava nestes dias, a par da tensão da iminência do combate.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Junot sabia desde o dia 2 deste Agosto, que os ingleses tinham desembarcado e que os portugueses se tinham revoltado, o povo estava em armas. As forças francesas tinham de efectivo cerca de 26.000 homens; mas, muito dispersas por várias províncias. Junot ordena ao general Delaborde, Thomiéres e Brenier que saiam com tropas de Lisboa ao encontro do exército anglo-luso. No dia 14 de Agosto as tropas francesas tomam lugar de combate perto do lugar de Roliça. Às sete da manhã do dia 17 de Agosto de 1808, o exército anglo-luso comandado por sir Artur Wellesley, iniciou a sua marcha, a sorte desta grande batalha estava lançada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em pouco tempo as tropas portuguesas, onde se incluia a minha companhia e tropas da Real Legião, situavam-se na aldeia de São Mamede, enquanto duas brigadas avançavam até aos postos franceses na Roliça. Delaborde tinha 6.000 homens, esperava tropas de Loison, tropas que nunca haviam de chegar. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IAWKE5v686c/TlTUyTh9QdI/AAAAAAAAC1g/N7zX82XZ_0g/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 303px; FLOAT: left; HEIGHT: 229px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644370193703322066" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-IAWKE5v686c/TlTUyTh9QdI/AAAAAAAAC1g/N7zX82XZ_0g/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Delaborde encontrava-se em posição difícil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resolve abandonar a sua posição principal na Roliça e procurar os sítios da Columbeira, atalhando num esforço desesperado ( mas reconheça-se indómito), por escarpas a coberto da montanha em busca de melhores posições. As nossas tropas persegue-os, os franceses deslocam-se para a Zambujeira dos Carros. O terreno é mais hostil ao invasor. Há centenas de mortos de parte a parte. Os franceses reconhecem a impossibilidade de manter as suas posições, sem o apoio esperado abandonam todas as bagagens e munições de guerra. A sorte de Junot ia declinar com a primeira vitória portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua )&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IAWKE5v686c/TlTUyTh9QdI/AAAAAAAAC1g/N7zX82XZ_0g/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8789094183093450553?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8789094183093450553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8789094183093450553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8789094183093450553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8789094183093450553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/memorias-de-um-tenente-de-cacadores_24.html' title='MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA, 17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - TERCEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nPg_mVxHPHI/TlTU9pBLlSI/AAAAAAAAC1o/VGrkK3J_8Cs/s72-c/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-765916107401694726</id><published>2011-08-22T15:06:00.008+01:00</published><updated>2011-08-23T11:47:31.984+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVASÕES FRANCESAS'/><title type='text'>MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA, 17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - SEGUNDA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-QsT-hL3s4lE/TlJjdHs_rNI/AAAAAAAAC1U/JQ20x09WCo8/s1600/Batalha%2Bdo%2BVimeiro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 245px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643682634983779538" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-QsT-hL3s4lE/TlJjdHs_rNI/AAAAAAAAC1U/JQ20x09WCo8/s320/Batalha%2Bdo%2BVimeiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No pensamento de Junot, o grande Corso teria por certo ficado desagradado com esta missão falhada; urgia colher inúmeros bens e tesouros. Impor rendas municipais, ir aos guardados bens pios, confiscar, agradar e aplacar qualquer troca de planos do Imperador em relação às suas ambições. Estender dura soberania sobre a agora desprotegida nação lusa. De pavoneio em pavoneio, não serve a Junot hospedaria convencional ou palácio de menor monta. Requisita o Palácio Quintela, o mais belo e dotado de salões, baixelas e jardins, e de todos os edificados o mais formoso nas colinas que olhavam o Tejo. O Barão titular, um dos homens mais ricos do reino, macula-se de subserviência facultando tudo ao invasor. Uma deputação de práticos interesseiros nobiliárquicos apresenta-se em louvares afrancesados, levando as chaves da cidade num beija mão vergonhoso. Só o povo, os intelectuais, os artistas, tropas desarmadas na disponibilidade e alguns poucos e honrados nobres, sentiam o vergastar da humilhação. Nenhum patrióta deixou de considerar esta atitude de vender a pátria - ostracizar a bandeira e tornar Junot o senhor de Lisboa -, como um cruel insulto. Não contente com isso, Andoche Junot mandou formar as suas tropas no Rossio, e em uniforme de gala passa revista ao seu exército, proclamando uma cínica e mentirosa exortação:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Soldados franceses! Bravo exército de Girona! Da parte do grande Napoleão vos agradeço a constância com que tendes sofrido os trabalhos e as fadigas da nossa marcha: o céu proteje o objectivo que nos propusemos de salvar esta bela cidade da opressão dos ingleses e da desordem. Finalmente, tivemos a glória de ver arvorada a bandeira francesa neste porto. Soldados, oficiais e generais; eu estou contente de vós: o grande Napoleão saberá compensar o vosso trabalho e a boa conduta, é preciso que digamos todos em altas vozes: viva o imperador Napoleão !..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os já alguns portugueses vendidos, proferiam vivas acompanhando os franceses. O povo humilhado não pôde de momento manifestar a sua indignação perante aqueles 6000 homens fortemente armados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Longas lágrimas marejaram os olhos de uma multidão. Cresciam no fundo do peito promessas de liberdade ou morte, teria que ser efémero o jugo de Junot. Este aumentava a sua arrogância, não contente procedia em cada dia como um déspota senhor reinante. Promove um sumptuoso banquete e uma récita de gala no Teatro de São Carlos. Durante a mesma manda desdobrar uma gigantesca bandeira francesa, dos camarotes até à boca da cena. Nessa mesma noite são desafiadas as armas francesas, o povo rasga éditos afixados, profere ditos patióticos, apoda em letras murais avisos de não capitular. O sangue dos primeiros mártires mancha as pedras do Rossio. Junot iria saber quanto vale um povo de passado tão glorioso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seguem- se meses de invulgar rapinagem: os bens, as casas, as propriedades dos idos para o Brasil, são confiscadas. O cheiro a patriotismo é punido de igual modo. Junot exige cada vez mais; estabelece para si mensalmente uma astronómica renda municipal. Os tesouros sacros são delapidados, obras de arte convetuais e pinturas são arroladas para envio para França. Junot guarda já para si a inestimáv&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yqQZ5DlIMcw/TlJjE8oaqzI/AAAAAAAAC1M/KseFOCUAwpU/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643682219694926642" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yqQZ5DlIMcw/TlJjE8oaqzI/AAAAAAAAC1M/KseFOCUAwpU/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;el e preciosa " Bíblia dos Jerónimos", dádiva votiva de D. Manuel I, ao mosteiro dos Jerónimos, de sua mandada edificação. Os generais franceses seguem a prática de Junot, pela província fora. O general Loison, o maneta, aterrorisa Évora, pune com o fusilamento e a forca qualquer gesto de insurgimento à situação. Jovens, freiras, mulheres de todas as idades, são violadas ferozmente sem qualquer contemplação ou avaliar da condição. O palácio onde Loison habita está a abarrotar de preciosidades rapinadas continuamente. Em périplos de sortidas nefastas são profanados inúmeros lugares jacentes: em Alcobaça o túmulo de D. Pedro I e D. Inês de Castro. Vestes , sacrários,cálices consagrados, estatuária pia: tudo enche toscos báus em carros que deambulam por tudo o que é lugar de cheiro áureo. O povo não tem armas, os paiois foram desactivados, muitas armas anuladas na sua eficácia combativa. Milhares de soldados desmobilizados que engrossam o contigente do povo que pouco pode fazer por enquanto para fins libertadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Junot pensa que tendo na mão Lisboa, poderia cercear os ímpetos de liberdade que clareavam por todo o Portugal. Nessa apreciação de sobranceria o contigente geral de todas as tropas francesas ia sendo moldado ao que seria mais tarde um táctica e fatal engano. Os generais Delaborde, Thomières, Brenier, e sobretudo Loison, ostentavam-se como pequenos reis em Coimbra, Abrantes, Castelo Branco, Évora, e outras cidades da província, cultivando na lauta vida que levavam, enormes riquezas acumuladas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por essa altura, finalmente, o zelo da conspiração já fermentava. Nessa Primavera de 1808 existiam células secretas constituidas por militares, estudantes e gentes do povo. Eu estava sediado com as forças comandadas pelos generais Bernardino Freire de Andrade e Manuel Pinto Bacelar; entre o forte de Peniche e a Nazaré. O nosso impedimento a uma sublevação eram as escassas armas e munições. Fazendo parte do corpo pessoal de ajudantes do general Freire; quando se fala de um enviado a Plymouth para contactar alguma centenas de portugueses que esperavam aqui o embarque para o Brasil; não hesito e parto nessa nobre missão de convence-los a lutar pela pátria. Parto numa noite escura da costa da Nazaré para a velha Albion, a bordo da nau Agamemnon, glorioso vaso de guerra que tinha combatido na vitória de Trafalgar. De nada valia o bloqueio francês, a frota inglesa era ainda a rainha dos mares; persistia ainda bem viva em todas as nações, a vitória de há três anos ( 1805), de Nelson. Em inglaterra os coronéis José Maria De Moura e Carlos Frederico Lecor já tinham uma petição para despertar o interesse do governo inglês. Quiseram os designios da história que o pedido de auxílio de Portugal à sua velha aliada Inglaterra, tivesse agora melhor acolhimento; não que Portugal estivesse como primeiro interesse, mas sim, pela mudança da guerra entre a França e a Inglaterra para outro xadrez do tabuleiro da Europa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Selada a vontade britânica, constituiu-se uma legião com elementos que já havia em Plymouth, das armas de infantaria, cavalaria e artilharia, a que devia completar-se com recrutas a incorporar no nosso país. Chamar-se-ia Leal Legião Lusitana: formada por três batalhões de caçadores e uma companhia de artilheiros. Adoptando-se como fardamento o verde com vivos brancos, as duas cores da Casa de Bragança. Cada batalhão tinha oito companhias, cada uma com 1 capitão, 1 tenente, 1 alferes, 3 sargentos, 192 cabos e soldados e 2 tambores. O estado maior da legião seria de 3 tenentes-coronéis, 3 ajudantes, 1 quartel-mestre, 2 sargentos ajudantes do mesmo, 1 capelão. 1 cirurgião-mor, 6 cirurgiões ajudantes, 3 tambores-mores e 4 artifíces. A junta do Porto retiraria da caixa militar inglesa as verbas necessárias para a manutenção do corpo militar. Coube-me a honrosa distinção de comandar uma destas companhias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O entusiasmo do povo em pegar em armas alastrava continuadamente, os dias decisivos para conquistar a liberdade e expulsar o invasor, adivinhavam-se para breve.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua )&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yqQZ5DlIMcw/TlJjE8oaqzI/AAAAAAAAC1M/KseFOCUAwpU/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-765916107401694726?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/765916107401694726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=765916107401694726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/765916107401694726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/765916107401694726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/memorias-de-um-tenente-de-cacadores_22.html' title='MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA, 17 DE AGOSTO; VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - SEGUNDA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-QsT-hL3s4lE/TlJjdHs_rNI/AAAAAAAAC1U/JQ20x09WCo8/s72-c/Batalha%2Bdo%2BVimeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-6753204621891421044</id><published>2011-08-21T10:57:00.007+01:00</published><updated>2011-08-21T14:43:17.710+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVASÕES FRANCESAS'/><title type='text'>MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA,17 DE AGOSTO, VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - PRIMEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-S3pXx765FTU/TlDan7Cz7QI/AAAAAAAAC1A/FxDCTyRQZLY/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 303px; FLOAT: left; HEIGHT: 229px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643250712494468354" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-S3pXx765FTU/TlDan7Cz7QI/AAAAAAAAC1A/FxDCTyRQZLY/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alquebrado e algo triste, mas esperançado nos vindouros, escrevo estas linhas que são parte das minhas memórias; ciente que daqui a muitas décadas serão lidas com o despertado interesse de quem medita e pondera nas agruras e privações que as gentes deste rincão luso passaram. Escrevo de manhã, quando o enleio das névoas frescas da serra trazem o perfume das estevas, do rosmaninho e da cidreira, ouvindo o chilreio forte dos melros, a delicadeza do rouxinol e o murmúrio compassado da água do açude. Dá-me guarida um frondoso chorão de pendente folhagem; uma laje de idade vetusta serve-me de mesa. Nela distendo o papél e alguns doutos livros com apontamentos da nossa gloriosa história. Vivo então hoje só. Com o olhar da saudade e da lembrança. Neste local de tanta vida outrora, só resto eu, os meus livros e a fidelidade da minha cadela Vitória, da antiga estirpe e raça dos cães rafeiros que a Serra d'Ossa sempre conheceu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Despertei para a vida neste local, perto da formosa Estremoz, no Alto Alentejo; corria o ano de 1775, tendo por nome Cândido - mais tarde o meu padrinho, curador da casa de Bragança, dizia-me que um senhor francês de nome Voltaire, gostaria deste meu nome -, mais tarde percebi o que ele queria dizer e li esses seus livros. Eu era o segundo mais velho de quatro irmãos: dois rapazes e duas raparigas. A minha família era pobre, o meu pai tinha uma pequena courela, uma pequena parcela de terra de onde tiravamos o nosso sustento, vendendo ainda na vila vários dos outros produtos hortícolas da nossa produção. Quis a caprichada sorte mudar o meu destino futuro: um dia um abastado senhor, nosso cliente de há muito, viúvo e falho de descendência, querendo honrar os votos de desejo de um filho, que tanto a esposa clamou em vida. Pediu ao meu pai a minha tutela e o meu apadrinhar para os estudos e os aprontos da vida. Acedeu o meu pai e a minha mãe, ainda que com grande mortificação pela separação futura que isso implicava; mas explicando-me que seria para meu bem, era uma sorte que me tinha tocado; poderia aprender a ler, e quem sabe estudar mais e ter melhor vida. Despedi-me dos meus irmãos e dos meus pais, com muitas lágrimas nos olhos, despedi-me do "manjerico", o nosso velho burro, e dei os meus grilos e as gaiolas ao meu irmão Miguel. Vim para a vila de Estremoz com muita saudade da nossa casa, dos meus pais, meus irmãos, e de tanta coisa boa que aquele lugar no campo me dava. O meu padrinho tinha uma linda casa na parte alta de Estremoz, não muito longe da Torre de Menagem; casa tão grande que nos primeiros tempos me custei a adaptar. Logo o meu padrinho me levou para a escola dos frades Agostinhos, que começaram por me dar os primeiros saberes. Eu esforçava-me por ser um aluno aplicado e diligente; o meu padrinho não poupava nas finanças para me levar ao bacharelato, estando visivelmente contente com os meus progressos. Eis-me anos mais tarde titular do melhor dos graus académicos; e, por vontade patriótica do meu padrinho, ingressei na Escola Real do Exército. O meu labor castrense era denotado e admirável, montava eximiamente, era lesto e temível com o sabre, não falhava um tiro a cem passos. Em 1793, acabava eu os meus estudos militares, dá-se a campanha do Rossilhão e eu fui incorporado no Exército Auxiliar à Coroa de Espanha. Espanha e Portugal, com o apoio britânico declaravam guerra à França revolucionária. O general inglês John Forbes comandava este exército de 5.400 homens. Mas quis o destino que eu, como alferes, fizesse parte da Divisão do brioso general Gomes Freire de Andrade. Estivemos nesta dura campanha até 1795, e as nossa forças cobriram-se de glória; quem me diria a mim, que 14 anos mais tarde teriamos invasões francesas em solo luso e que eu combateria contra as forças de Junot. Já como alferes, no meu fervor de observação, inteirava-me do periclitante abandono e declínio do nosso exército, os altos cargos de comando eram dados à impreparada nobreza, as regiões das províncias ao Sul do Tejo tinham por comando o senhor Duque de Lafões, que Deus guarde, ancião alquebrado e atormentado por persistentes ataques de gota; longe da realidade e do terreno. Emanava as suas ordens da capital, do seu palácio, nas cercanias da Madre de Deus, em Lisboa. Os oficiais briosos e de carreira não tinham voz nem patente nos altos comandos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6ALYHUmh4kc/TlDadFQQG3I/AAAAAAAAC04/YkRA6tH-OY4/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643250526256634738" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-6ALYHUmh4kc/TlDadFQQG3I/AAAAAAAAC04/YkRA6tH-OY4/s320/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resultando de como 14 anos mais tarde, 1807, uma pleiade de briosos jovens que tinham abraçado a carreira das armas, foram impedidos de lutar; quase desarmados, sem voz de comando superior, corrompidos numa inércia que apontava à vassalagem quando os franceses invadissem o reino. E, nesse ano de 1807 avançaram as tropas de Junot e de D. Manuel Godoy, a Espanha agora movida por outros interesses esqueceu o auxilio da Campanha do Rossilhão. Pelas tais razões de decrepitude do exército português, Junot avança sem conhecer a oposição das forças regulares portuguesas. Só o " general Inverno" tolhia os passos aos franceses. Atolando-os nos terenos alagados, fustigando-os de tempestuosa chuva, fazendo-os arrastar por montes e vales na direcção a Lisboa, que Napoleão não estava satisfeito com a progressão, e Junot não queria perder as graças do grande Corso. Houvesse uma réstea de patriótica vontade organizativa por parte da nobreza em assumir os seus deveres para com o reino, e os invasores não tinham passado as terras raianas da fronteira com Espanha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis, como a treze de Dezembro de 1807, um domingo, o povo de Lisboa soluçou de raiva ao ver arreada a bandeira nacional no Castelo de S. Jorge; e o inçar da bandeira francesa. Junot irado queria descarregar a sua vingança em tudo o que fosse ainda afirmação lusa. Dias antes, como louco, tinha vagueado no cais de Belém, soltando imprecauções, entre os seus generais, maldizendo a rigorosa invernia que o tinha feito chegar tarde. Apontando os seus punhos contra o horizonte oceânico, que punha já a bom recato desde 29 de Novembro a família Real rumo ao Brasil , no bojo da nau Princípe Real . Seguindo a inúmera prole que a acompanhava, na Afonso de Albuquerque, ladeando as fragatas de apoio Urânia e Minerva, ainda mais 50 naus com a nobreza e criadagem possível . O Contra Almirante Sydney Smith comandava os navios protectores ingleses, que velavam pela segurança dessas amontoadas e angustiadas 2000 criaturas que cumpririam uns temerosos e rudes 99 dias até à acalmia portuária de São Sebastião do Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua )&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6ALYHUmh4kc/TlDadFQQG3I/AAAAAAAAC04/YkRA6tH-OY4/s1600/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-%2B2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-6753204621891421044?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/6753204621891421044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=6753204621891421044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6753204621891421044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6753204621891421044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/memorias-de-um-tenente-de-cacadores.html' title='MEMÓRIAS DE UM TENENTE DE CAÇADORES - ROLIÇA,17 DE AGOSTO, VIMEIRO, 21 DE AGOSTO DE 1808 - A DERROTA DE ANDOCHE JUNOT - PRIMEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-S3pXx765FTU/TlDan7Cz7QI/AAAAAAAAC1A/FxDCTyRQZLY/s72-c/INVAS%25C3%2595ES%2BFRANCESAS%2B-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3616641937685007324</id><published>2011-08-06T12:38:00.004+01:00</published><updated>2011-08-06T15:43:23.991+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCRITORES'/><title type='text'>Fernando António Pessoa - Em busca da Arca Perdida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-l2tK_CYKKMw/Tj0qYmyaE0I/AAAAAAAAC0g/i8qHehpBiYI/s1600/tabacaria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 218px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637708910754927426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-l2tK_CYKKMw/Tj0qYmyaE0I/AAAAAAAAC0g/i8qHehpBiYI/s320/tabacaria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;( ilustração- gentileza de Jorge Miguel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não está propriamente perdida, mas arrolada em leilão e de guarida a terras nortenhas. Não pensaria o Fernando António Pessoa que a notícia o apanhasse tão desprevenido. Na fugaz deambulação às idas ao Abel, o conforto seráfico de ser fiel às musas do " Mar da Palha"; o " amarelo da Carris" a cativar-lhe modorras de solavancos de paralelepípedos desafinados, que de quando em vez esbarravam numa agulha ecoada de sons férreos. Do enlaçar da fada verde na noite anterior em casa da " Preta Fernanda", no 100 da Rua da Misericórdia. Plumas e rendas parisienses, corredores forrados de papel cor marfim, a reprodução de " La Nouvelle Justine"; corpos que sugestionavam abundância para prestações orgíacas. Aquela tosca imitação da " Afrodite de Cnido", de Praxíteles, que repousava na confluência dos corredores; outra gravura de " Félicia" que encimava a porta para a entrada do salão, compondo-se por cima uma réplica de uma gravura de Rodin, de nome " Le Jardin des Supplices". O José Almada a acenar dos cenáculos da Brasileira. A pintura da senhora de ar grave e pensativo e uma diva da arte de Talma, que da terra de Cervantes, marcava ali modernidades da época, ilusionando manipulações de " Galoises" em volutas azuladas.&lt;br /&gt;Quando voltasse à Colina de São Roque, o tio Rosa e a Ofélia dos madrigais esperavam-no junto à cadeira de aparas voláteis e dos " fotomatons" da estranja. Pensou nos peixes que avistava de bordo do Herzog, mansos de refulgências e saltitares do acaso, rastos das naus de Gama sulcando entre correntes abastadas que conduziam a padrões da fé. Para que teria ele escrito a " Mensagem"?...Ninguém entendia nada de nada. Já naquele tempo lhe repescaram um prémio atabalhoado, um abafo ao escândalo. Mas, não aprenderam nada!... Revolucionaram tempos novos, cravos rubros: que injusta mágoa: chegaram a dizer que ele era fascista. Ele, que antes da sua morte, chegou a defender em carta aberta os Maçons. Depois, tornaram-lhe a casa da lembrança quase como pedido de tostões do S. António, ou não fora ele do treze de Junho. E, agora esta desfaçatez!... Leilão da arca, a arca que guardou tantos tesouros de letras desalinhadas e ainda mornas de azul. O mago Crowley cativado de tanto rigor, ao saber que o alinhamento astral era outro!... O homem encenou-se de paragonas nos matutinos da época. Deixa a cigarreira, entre algas brandinhas, vistosa de pratas lavradas; " Boca do Inferno", redemoinho do " Livro da Lei"; pretenso desaparecimento na bocarra das ondas, só eu sabia, na placidez do Martinho, onde ele estava.&lt;br /&gt;Tudo vendido em leilão. A arca por uns tais 50 mil, a correspondência com o mago Aleister por outros 50; cartas, fotografias, manuscritos, tudo por uns tais 400 mil. - Confesso que isto me atormenta muito. Escrevi outrora para os meus concidadãos, tenho consciência que a minha escrita é de difícil interpretação: mas que diabo!...A culpa não é minha!...É, sim, de décadas de analfabetismo e da política do então chamado Estado Novo. Passei privações de monta, para ter alguns gastos livrescos; nunca quis dar estampa anglófona ou outra. Pensei que o espólio ficasse comigo na Coelho da Rocha. A falta da arca e esta polémica desgosta-me bastante. Mas, o que adianta exortar. O país está quase moribundo, as leituras escasseiam... Quem troca o pão por livros!? Quem pode dar esses livros?... Eles não ouvem, quase que me renegam como ao vate meu vizinho Luís Vaz.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-P5N_V2MFNV4/Tj0oG8ZoIfI/AAAAAAAAC0U/W_BJx74ePtg/s1600/Fernando%2BPessoa-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 217px; FLOAT: left; HEIGHT: 218px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637706408295670258" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-P5N_V2MFNV4/Tj0oG8ZoIfI/AAAAAAAAC0U/W_BJx74ePtg/s320/Fernando%2BPessoa-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Mas, o que me custa é o desperdício, o compadrio ignóbil, a demagogia política, os dinheiros mal gastos. O meu tio Rosa contou-me tais desvergonhas, que chego a pensar que estamos pior que nos idos do princípio do século XX; que é tudo um mau folhetim ficcional. Só me resta mitigar o travo da ingratidão, sair da minha cadeira, caminhar por ruas avessas a maus encontros. Juntar-me a um coro de justos que faça tremer o poder, encontrar a minha arca, com petição ou não: exigir que me seja devolvida, afinal é a Arca de todos os portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-P5N_V2MFNV4/Tj0oG8ZoIfI/AAAAAAAAC0U/W_BJx74ePtg/s1600/Fernando%2BPessoa-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-P5N_V2MFNV4/Tj0oG8ZoIfI/AAAAAAAAC0U/W_BJx74ePtg/s1600/Fernando%2BPessoa-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3616641937685007324?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3616641937685007324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3616641937685007324' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3616641937685007324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3616641937685007324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/fernando-antonio-pessoa-em-busca-da.html' title='Fernando António Pessoa - Em busca da Arca Perdida'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-l2tK_CYKKMw/Tj0qYmyaE0I/AAAAAAAAC0g/i8qHehpBiYI/s72-c/tabacaria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3127564027366033138</id><published>2011-08-02T12:42:00.008+01:00</published><updated>2011-08-02T16:11:41.949+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EFEMÉRIDES'/><title type='text'>LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS, O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - ÚLTIMA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8jjCabyYa8c/TjfkY6MSFGI/AAAAAAAAC0I/i96tp7GCGA8/s1600/004.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636224575266231394" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-8jjCabyYa8c/TjfkY6MSFGI/AAAAAAAAC0I/i96tp7GCGA8/s320/004.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Finalmente toda aquela mole humana parou, enchendo todo o espaço fronteiro à Torre de Menagem e ao Castelo onde eram as prisões. Ao breve parar, os rostos congestionados pela cólera tomavam tons sombrios de ameaça. Seguiu-se novo coro, mantendo-se o ar aturdido com os gritos da morte.&lt;br /&gt;« Morram todos os partidários de D.Pedro!...Vamos a eles!... Entreguem-nos os presos!...» A galera a custo fez a manobra de encostar a traseira ao portão, para que os potes e os sacos de víveres fossem descarregados. O momento aprazado e cumplicemente preparado tinha enfim chegado. Logo a breve fresta do portão foi feita em pedaços, violada pelos machados que pediam sangue. Manuel Jacinto que ocorrera desvairado a tentar travar a turba, logo ali foi derrubado por forte paulada que lhe fendeu o crânio. Milagrosamente viria a escapar; contando mais tarde de feira em feira, em ladainhas pungentes, ser um dos poucos sobreviventes dos " Crimes dos Armazéns".&lt;br /&gt;Rompido todo o madeirame do portão, povo e guarnição corriam como torrente incontida em busca dos presos. Alguns prisioneiros ocupavam as suas exíguas celas, eram os mais debilitados; outros em uniforme de parada passeavam no pátio interior comentando as novas da guerra, que por serem boas à causa liberal lhes davam algum alento.Porém, não mudariam o destino que aquele dia lhes tinha reservado. À vista daquelas figuras cheias de respeitosa dignidade, a turba emudeceu e estancou receosa. Dava parte da fragilidade dos seres menores, que mesmo em rebanho amealha temores de má nascensa, quando confrontada com a estatura dos homens livres e dignos.&lt;br /&gt;Por breves instantes só o longo xaile da morte vociferou um calor mudo à brancura de todo aquele alvo esquife de mármore. Em breves minutos tudo se consumaria. Empurrados como rebanho, os da frente perderam as miradas respeitosas das vítimas. Os prisioneiros não puderam oferecer resistência, privados da menor das armas. A chacina foi monstruosa. Os que se arrastaram moribundos pelas escadas de mármore branco, foram cruelmente desmembrados a golpes de machado, mergulhando o seu sangue nas fendas que hoje atestam o lugar onde morreram.&lt;br /&gt;( Pátio interior do Castelo, eram neste perímetro as casamatas-prisões, e foi neste espaço que teve lugar a cruel mortandade)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F-Caw1gY_2A/TjfkTV1Fz-I/AAAAAAAAC0A/C3kmdLuY6Sw/s1600/028.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636224479605936098" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-F-Caw1gY_2A/TjfkTV1Fz-I/AAAAAAAAC0A/C3kmdLuY6Sw/s320/028.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No mais pequeno dos quartos restavam vivos o Coronel Francisco Pereira, o cadete José Maria Queirós, o Major Manuel Azevedo. Junto da porta, como duas deusas da vingança, as corajosas senhoras faziam frente aos assassinos. Dois homens cobriram-se de honra, o tenente Chichorro e o soldado António Ferreira, ao levantar do chão as pobres senhoras feridas de uma febre moribunda; desmaiadas pelo odor animal que lhes sediou as almas, nas últimas mortes que acolheram ali nos seus regaços de filial e marital amor.&lt;br /&gt;Foram vítimas indefesas destes cruéis assassinatos: Sebastião José de Mira, Brigadeiro de Cavalaria; Francisco Pereira de Sousa Meneses, Coronel miliciano de Évora; os dois filhos mais velhos do Visconde de Ervedosa, cadetes de Infataria 9; José Maria de Queirós Aguiar Mosqueira, Cadete de Infantaria 21; Manuel José de Azevedo, Major de Milicianos da Feira; Francisco de Magalhães Costa Serpa, Tenente de Milicianos de Tomar; Joaquim Leite Teles e Meneses, Alferes de Veteranos de Manteigas; Anselmo da Fonseca Morais Sarmento, Capitão de Milícias de Tomar; Joaquim dos Santos Cordeiro, Capitão de Cavalaria nº5; José Alves Gaspar, Quartel Mestre de Infantaria; Januário Duarte de Matos, Tenente de Milícias de Tomar; António Joaquim da Ponte, Tenente de Cavalaria nº6; José Gonçalves Teixeira, Ajudante de Cavalaria nº11; Manuel José Ribeiro, Cirurgião Môr de Infantaria nº10; José d'Oliveira da Silva, Tenente de Milícias de Tomar; Joaquim José de Figueiredo, Capitão de Infantaria nº 9 ; João Esteves Ramos, Alferes de Cavalaria nº11; José Fernandes Malhado, Alferes de Cavalaria nº11 ; José António da Silva, Tenente de Infantaria nº9; Capitães: António Manuel Pimentel; João d'Almeida Dinis; Prudêncio José de Sousa Caldas; Luís José de Sousa Caldas; José Ferreira Pinheiro; José Lourênço; João José Pereira, pai; João José Pereira, filho; José Ferreira Oleiro; Padre Manuel José da Silva ;Luís, criado do Brigadeiro Mira; Miguel, criado do Capitão Anselmo; carlos, de 6 anos de idade, filho do Capitão Anselmo.&lt;br /&gt;Escaparam por estarem fora da prisão, quando chegou a turba, os seguintes: Manuel Jacinto, que embora muito ferido sobreviveu, António Joaquim, criado do Cadete Queirós; Jerónimo, criado do Capitão Cordeiro; Diogo, criado do Tenente Magalhães.&lt;br /&gt;( Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel I - disputando a coroa portuguesa - por Honoré Daumier, 1833) &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8zPqUUU6NW4/Tjfj7agN7zI/AAAAAAAACz4/GoZhM9AOfBc/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 254px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636224068543704882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-8zPqUUU6NW4/Tjfj7agN7zI/AAAAAAAACz4/GoZhM9AOfBc/s320/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas horas passadas: na rosácea dum poente de luto e de tristeza, a Vila de Estremoz foi bafejada por crepes negros de mil andorinhas que cobriram de luto as cales brancas de todas as casas. Na remoção piedosa dos despojos, dos corpos sem vida, na mais prenhe das luas, dois corpos abraçados pela morte selavam a palavra Liberdade. O de um pai que por ela lutou e morreu, o de um filho que não chegou a conhecê-la.&lt;br /&gt;No dizer do historiador Luz Soriano:&lt;br /&gt;« Não havia, pois, memória de em qualquer época da história nacional, Portugueses terem cometido tantas atrocidades contra Portugueses».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota do autor: Os "Crimes dos Armazéns" têm uma envolvente ficcional, que respeita rigorosamente a história e o tempo em que estes acontecimentos tiveram lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia: História da Guerra Civil - Luz Soriano / O Remexido e a resistência miguelista no Algarve - José Carlo Mesquita - Revista do Arquivo Municipal de Loulé / Liberais e Miguelista - Mário Domingues / Estremoz e o seu Termo Regional - Marques Crespo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;josé Movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F-Caw1gY_2A/TjfkTV1Fz-I/AAAAAAAAC0A/C3kmdLuY6Sw/s1600/028.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F-Caw1gY_2A/TjfkTV1Fz-I/AAAAAAAAC0A/C3kmdLuY6Sw/s1600/028.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8zPqUUU6NW4/Tjfj7agN7zI/AAAAAAAACz4/GoZhM9AOfBc/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8zPqUUU6NW4/Tjfj7agN7zI/AAAAAAAACz4/GoZhM9AOfBc/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8zPqUUU6NW4/Tjfj7agN7zI/AAAAAAAACz4/GoZhM9AOfBc/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3127564027366033138?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3127564027366033138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3127564027366033138' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3127564027366033138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3127564027366033138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/08/lutas-entre-liberais-e-absolutistas-o.html' title='LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS, O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - ÚLTIMA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8jjCabyYa8c/TjfkY6MSFGI/AAAAAAAAC0I/i96tp7GCGA8/s72-c/004.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2677035222502134723</id><published>2011-07-30T12:24:00.009+01:00</published><updated>2011-07-30T15:51:50.686+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Efemérides da história'/><title type='text'>LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS, O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - TERCEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-F9YbrGy3wrY/TjPrLxBy8YI/AAAAAAAACzk/zmMaTlM9p4s/s1600/004.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635106146142581122" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-F9YbrGy3wrY/TjPrLxBy8YI/AAAAAAAACzk/zmMaTlM9p4s/s320/004.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com as notícias que davam como certo o avanço das forças liberais sobre Lisboa, Miguel Jacinto temia o pior. Sabia que a população da Vila de Estremoz, por obrigação caciquista, era quase na sua totalidade partidária do miquelismo. O seu amo e demais presos não encontrariam lá em cima nas casamatas do castelo, junto à Torre de Menagem, melhor sorte do que na tirânica prisão de Vila Viçosa - no Porto tinha-se resistido heróicamente-, e a causa liberal obrigava a uma pureza do Cartismo, mais patenteada após o desembarque do Rei Libertador no Mindelo em 1832. No entanto os mais convictos realistas tornavam-se por uma raiva incontida cada vez mais intolerantes e perigosos; as últimas informações davam como certa a vinda de uma força liberal para Sul em Junho deste ano de 1833, para dispersar as forças absolutistas e obrigá-las a combater noutras províncias. Tudo isto não augurava nada de bom para os indefesos presos Liberais. Cada vez transparecia mais a certeza que as forças Liberais entradas pelo Algarve, tinham vencido os regulares e a guerrilha do Remexido, obrigando-o a fugir para os emboscadouros da serra. Na marcha para Lisboa, foram derrotadas as forças de Teles Jordão, na Cova da Piedade, atravessando o Tejo a 24 de Julho, entraram na Capital , desbaratando os miguelistas tomados de pânico. Eram estas noticias que levaram os arruaceiros a começar de imediato a dar vivas provocatórias: « Morra D. Pedro IV!... Viva D. Miguel!... Morte aos malhados!...Abaixo os pedreiros livres!...» E a esta incontinência de atordoadas tão brutal, respondeu o povo movimentando-se receoso nas bardas do medo; temeroso que algum dos caceteiros lhe visse pouco entusiasmo nas vivas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No acumular de toda esta tensão e clima emocional; vivo foco de movimento humano aconteceu no outro lado do rossio, junto do edifício dos «Gongregados». Um antigo soldado da guerrilha de Elvas, tinha sido reconhecido como combatente da cauda liberal. O pobre homem ao ouvir a turba enfurecida correu em direcção à casa do juíz de fora Rodrigues de Aguiar. Nas imediações da casa do juíz foi agarrado e barbaramente espancado, conhecendo uma morte horrível na presença do próprio magistrado que chegou a encorajar os criminosos. Atingiu então, com este acto de morte, a turba de celerados, o paroxismo sanguinolento. Os gritos de morte aos liberais ecoavam em uníssono, proferidos por aquelas gargantas de bestiário. Preparava-se assim, o clima de violência e a ascenção da turba incontrolada em direcção às casamatas-prisões - os armazéns -, onde os presos indefesos e sem protecção esperavam sem ainda saber, a mais cruel das mortes. À passagem do carro da rendição da guarda, em direcção às prisões, foi travada a sua marcha, sendo revistados os poucos haveres que compunham a parca ração diária, e rasgadas as cartas para os presos; as poucas notícias familiares, que já eram objecto de todas as censuras e delapidações antes de serem entregues. A mão prepotente e cruel de Teles Jordão fazia escola. A glória criminosa que emanava do Forte de S. Julião, lugar que vivia do sacrifício e matança dos presos liberais. Era panfleto de glória da causa miguelista e dava cartilha de seguimento em todo o país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel I disputando a coroa portuguesa - por Honoré Daumier,1833.&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gQqd87SPHpI/TjPq7RhFRWI/AAAAAAAACzc/qZxh8_QWffM/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 254px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635105862805964130" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-gQqd87SPHpI/TjPq7RhFRWI/AAAAAAAACzc/qZxh8_QWffM/s320/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Irmanou-se então, definitivamente, aquele cortejo de morte, em direcção às prisões do castelo. O próprio juíz de fora tinha dito: « mão livre nos presos liberais, detença aos da cadeia civil que desses à minha guarda estão». Manuel Jacinto nas imediações das prisões, já tinha tido oportunidade de transmitir por sinais e através de janelas, as boas novas da causa liberal - a tomada de Lisboa. No entanto inquietava-o o vociferar da turba que engrossava com a chegada de mais povo curioso e necessitado de cenas de violência. A breves instantes os contagiados pela exaltação feroz eram às centenas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando um pequeno destacamento de tropa de linha chegou, comandado pelo sargento Joaquim Mendes, os acenos e vivas de cumplicidade redobraram; colocando-se este à frente do carro, com o seu cavalo e ladeado pelos restantes soldados. Abria assim o cortejo da morte, que passo a passo, já na calçada do Arco Fernandino, se fazia ouvir num eco cada vez mais medonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-U2qwAne_q7c/TjPqqT_Y1oI/AAAAAAAACzU/JebOhIoJSJE/s1600/028.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635105571412170370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-U2qwAne_q7c/TjPqqT_Y1oI/AAAAAAAACzU/JebOhIoJSJE/s320/028.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Manuel Jacinto temia por todos: entre os presos vivia uma criança de seis anos, filho de Miguel, criado do capitão Anselmo, criança apadrinhada pela família deste oficial. E duas corajosas senhoras, esposa e filha do Cor. Francisco Pereira da Silva Sousa e Menezes. Estas senhoras em tudo desafiavam a torpeza dos carcereiros, passando dia a dia , mês a mês, ano a ano, os mesmos sacrifícios e infortunios que seu pai e esposo, e restantes mártires de tanto sofrimento de muitos anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À passagem pelo arco a multidão comprimia-se, avançando o carro e os soldados quase esmagados pela pressão. As pobres mulas pontapeadas, aos gritos de...« andem malhadas!...» sendo a resposta entoada, a compasso pela multidão, num coro fero e medonho: « malhadas são, como os presos que lá estão!...»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gQqd87SPHpI/TjPq7RhFRWI/AAAAAAAACzc/qZxh8_QWffM/s1600/D_Pedro%2Be%2BD_Miguel%2Bguerras%2BLiberais.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-U2qwAne_q7c/TjPqqT_Y1oI/AAAAAAAACzU/JebOhIoJSJE/s1600/028.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2677035222502134723?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2677035222502134723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2677035222502134723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2677035222502134723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2677035222502134723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/lutas-entre-liberais-e-absolutistas-o_30.html' title='LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS, O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - TERCEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-F9YbrGy3wrY/TjPrLxBy8YI/AAAAAAAACzk/zmMaTlM9p4s/s72-c/004.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-7218789348188451321</id><published>2011-07-27T14:34:00.011+01:00</published><updated>2011-07-27T18:37:02.430+01:00</updated><title type='text'>LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - SEGUNDA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-z1roPoIwdF4/TjAjvAPIbGI/AAAAAAAACzI/ndy2qZHMfHY/s1600/004.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634042424264780898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-z1roPoIwdF4/TjAjvAPIbGI/AAAAAAAACzI/ndy2qZHMfHY/s320/004.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia de Julho de 1833, vinte e sete de seu calendário, era a madrugada ainda incomodada de desassossegados resfolgos das quenturas diurnas ,que por todo o lado se faziam sentir. A temperança da noite tinha ficado peada da falta de brisas; e, o lajeado incomodava a deita pedindo os corpos jorros de chafariz e mimos de quarta de barro e barril à cabeceira. Logo pela manhã ,dos arredores ocorriam negociantes ao terreiro de S. João, estendendo-se os carros de varais com as sacas dos cereais e demais géneros; os carros com as pipas de vinho, os queijos entrelaçados a cardo novo e os galináceos a navegas de gorpelha e pescoços periscópicos. O gado de tracção de bornil a descanso, outra grande parte a saca de favadas : entregando-se a ruminâncias mansinhas, marcando o terreiro a ferrado, sacudindo os moscardos em frenesins de jarretes, parecendo querer acompanhar os ecos orquestrais do bronze que marcava as horas na Torre dos Congregados. A pouco e pouco, o bulício ia-se dando ao brandinho daquela terra batida que espalhava poeiras e tisnes de ocres quantos dias a feira tivesse. S. Tiago mostrava-se lá em cima numa estrada de estrelas, e as famílias pernoitadas em jazências de cobertores de papa, embalavam-se de olhares nos rasgos das constelações.&lt;br /&gt;Do lado do maciço dos frades Paulistas, a leve bruma já era desvanecida desde o S. Gens, e o Manuel Jacinto, o criado do coronel Francisco Pereira, desceu as faldas da Serra de Ossa, despedindo-se da Adelaide, das casas pardas, onde tinha dormido no monte mais a nordeste da Aldeia do Canal. Lesto, aprontava uma passada viva em direcção à Vila de Estremoz, onde convinha chegar bem cedo. Desde o dia 5 de Julho que o seu amo estava preso nas casamatas do Castelo, junto à Torre, nos armazéns, como lhe chamavam. Tinha sido transferido nessa data, de Vila Viçosa, conjuntamente com mais trinta militares e partidários da causa Liberal. Presos há cinco anos, aquando do pior momento da causa miguelista, vieram para Estremoz por instâncias do juíz de fora de Vila Viçosa, de nome Goulão, que tinha a negregada obsessão de provocar os presos, em tudo imitando o terrífico Teles Jordão, que da triste memória do Forte de S. Julião, dava ao país inteiro os queixumes moribundos de uma mil vezes cruel morte a tantos e válidos defensores da Carta.&lt;br /&gt;Tudo porque o Goulão não obtendo motivos para exercer represálias, dado que o comportamento dos presos era exemplar: se lembrou de numa última humilhação pedir ao Governador da praça de Vila Viçosa para que o autorizasse a mandar os presos para a cova - prisão de ladrões, criminosos e desertores. Não obtendo essa permissão, espírito deveras malévolo, arquitectou por último , que face à crescente onda liberal dos meses recentes, e a vitórias do Rei Constitucionalista, não se responsabilizava pelos presos. Sendo, como foi dito, os mesmos transferidos.&lt;br /&gt;Já dentro da Vila, o Manuel Jacinto dirigiu-se apressadamente para a Posta, para saber se a diligência para Elvas já tinha passado. Um dos postilhões da diligência, o Diogo, criado do tenente Magalhães, que também estava preso; traria por certo as últimas notícias de Lisboa. Tinha tomado este emprego para melhor informar os vários núcleos da província e militantes da causa liberal.&lt;br /&gt;O ambiente na Vila, era, a par com o calor escaldante que se fazia sentir, de alguma vivacidade humana em torno dos pequenos negócios e dos carros de venda de vinhos. Logo a meio da manhã tinha havido um incidente com o chamado maluquinho de " S. Tiago"; um pobre homem que vivia de esmolas e a quem o juízo quase abandonara de vez. Usava um largo capote militar, gasto e sebento, talvez ainda do tempo da Guerra da Aclamação, e amiudadamente embrulhava-se numa manta parda igualmente gasta das inúmeras noites de bivaque. Assim, mais grotesca e hisurta se tornava aquela cabeça, onde mal se distinguiam uns olhos fundos e sem brilho. Um alforge, viveiro de esmolas ocasionais, albergava pedaços de pão duro e um sem número de outras velharias. Das mesmas sobressaia, com idolatrado carinho, e colocado à parte, um retrato de D. Pedro, desbotado e gasto pelas arrumações anárquicas daquele conjunto de muitas coisas inúteis e sujidade terrosa. Falava pouco o maluquinho de " S. Tiago": porém: quando tomado de furores que a crise dava; martelava num possessivo verbal dificilmente contido.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Dqkd5dlvG3A/TjAjfIfSooI/AAAAAAAACzA/eG9g544AlmY/s1600/028.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634042151602135682" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Dqkd5dlvG3A/TjAjfIfSooI/AAAAAAAACzA/eG9g544AlmY/s320/028.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Dqkd5dlvG3A/TjAjfIfSooI/AAAAAAAACzA/eG9g544AlmY/s1600/028.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que dizia, verberando em bom tom: enfurecendo os miguelistas; causando vivo prazer aos liberais, era: « Morra D. Miguel e a p... que o pariu!...» A princípio esta frase soez tinha sido lançada aquando da «archotada» organizada pelos ultra-realistas, e dizia: - « morra D. Pedro e a p... que o pariu!...» O que só por si ridicularizava a intenção do proferido, pois D. Miguel também era filho de D. Carlota Joaquina. Com a inocência dos loucos, enveredou o maluquinho por proferir estas e outras frases, redobrando de tom nas vivas a D. Pedro. Tanto bastou, por tal facto, que fossem despertados os maus instintos do imenso grupo de arruaceiros, dos quais havia uma componência muito grande de membros das quadrilha dos " Garranos"; do Galamba, do Boto e até do Remexido, do Algarve; forças avançadas para o planeamento das sortidas futuras e para verem dos cabedais de valor que algum lavrador mais abastado ainda tinha de seu.&lt;br /&gt;Na sua maior parte estavam ébrios e adornavam-se de grossos cacetes, passeando-se arrogantes e provocadores a tudo e a todos, desde o começo da feira. Os chefes dizia-se: eram dos que percorriam o país contratados a 240 mil réis, para efectuarem o exercício da violência e descobrirem simpatias liberais. Estavam hospedados na estalagem do " Alturas" seu correligionário de desmandos e que tinha forte influência na plebe e nos meios desordeiros da Vila.&lt;br /&gt;Sovado de alguma forma, ainda violenta, ao louco valeu-lhe o ter sido atirado ao lago do " Gadanha", a par da circunstância de ter chegado a diligência.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XVQB8P6VNmw/TjAjXOP0npI/AAAAAAAACy4/2j_DPFb9bzs/s1600/027.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634042015708913298" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-XVQB8P6VNmw/TjAjXOP0npI/AAAAAAAACy4/2j_DPFb9bzs/s320/027.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudaram de rumo os energúmenos, dirigindo-se para a Posta. E, se Manuel Jacinto esperava notícias da causa liberal; os absolutistas também esperavam na pessoa de quatro ou cinco mercenários que se distinguiam do grupo, notando-se pelos seus movimentos que também a eles eram caras as novas da Guerra Civil. A notícia da queda de Lisboa e da sua tomada pelos partidários de D. Pedro, foi conhecida, embora não certa; mas, era algum vislumbre de esperança para a gente justa e ameaçada de sevícias e roubos. Juntou-se muito povo naquela parte do rossio. Nos olhos de muitos uma restea de esperança; não manifestada de imediato, o medo imperava e a população de Estremoz, tocada por caciques locais, era obrigada, quase na sua totalidade habitacional, a não ser partidária do Rei Soldado.&lt;br /&gt;( Continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XVQB8P6VNmw/TjAjXOP0npI/AAAAAAAACy4/2j_DPFb9bzs/s1600/027.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-7218789348188451321?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/7218789348188451321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=7218789348188451321' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7218789348188451321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7218789348188451321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/lutas-entre-liberais-e-absolutistas-o_27.html' title='LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - SEGUNDA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-z1roPoIwdF4/TjAjvAPIbGI/AAAAAAAACzI/ndy2qZHMfHY/s72-c/004.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4399335554614847570</id><published>2011-07-24T16:12:00.011+01:00</published><updated>2011-07-25T12:53:56.925+01:00</updated><title type='text'>LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS - O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - PRIMEIRA PARTE</title><content type='html'>NA ESTREMOZ DE 1833 - &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VicCnsZMnWg/Tiw4qUVpUVI/AAAAAAAACys/Uhl6YDQ3gxw/s1600/004.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632939533598806354" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-VicCnsZMnWg/Tiw4qUVpUVI/AAAAAAAACys/Uhl6YDQ3gxw/s320/004.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;O QUE OCORREU DURANTE ESSA FEIRA DE S. TIAGO DE 27 DE JULHO - O CACETISMO DAS MILICIAS MIGUELISTAS - A MÃO DO REMEXIDO CHEGA AO ALENTEJO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vão longe na memória do tempo, os cento e setenta e oito anos que se completam neste S. Tiago de tradição feirante, que passam neste Julho de 2011.Na poeira dos séculos, fica gravado no livro do tempo desta então Vila, hoje cidade com 84 anos; e, na memória de gerações, uma cronologia de feitos que oscilou muitas vezes entre os fervores patrióticos; com provas dadas em períodos em que a nacionalidade foi ameaçada - caso da crise de 1383, em que o Alentejo e Estremoz estiveram com o Mestre de Avis, reunindo aqui D. Nuno Álvares Pereira, as derradeiras forças que sairiam vitoriosas na batalha de Atoleiros. E, mais tarde , após a Restauração, o cerrar de fileiras em torno dos conjurados, sendo novamente a Vila esteio de congregados reunires para outras libertadoras batalhas na guerra da Aclamação . Vindo para Estremoz o valioso espólio que os espanhóis abandonaram após as batalhas de Ameixial e Montes Claros. A tenda do Imperador Carlos V de Espanha, usada por D. João de Austria, e outros artefactos régios de grande valor. Tudo era guardado no Palácio de D. Dinis, contíguo à memorável Torre de Menagem. Palácio que servia nesta época de Armazém Provincial, contendo nas casamatas grandes quantidades de pólvora e munições. Edificação que num Agosto de 1698, dá à Vila o eco de medonho estrondo seguido de pavoroso incêndio que destruiu o Palácio e todo o espólio guardado que num todo já vinha dos alvores da Fundação.&lt;br /&gt;Foi sobre estas cinzas,que mais tarde se reconstruiram as casamatas, as hediondas prisões que albergaram indefesas gentes que foram chacinadas por defenderem a causa liberal.&lt;br /&gt;Para que se não esqueça, que de tudo isto é feita a memória do tempo e dos homens, E, se conheça a históra pela evocação e lembrança que os vivos devem ter ao aprender as lições do passado; ainda e sempre se devem lembrar os mártires que cairam lutando contra todos os actos de tirania governativa. Tirania, dos que ocasionalmente por um destino de conjuntura conduzem os destinos dos seus concidadãos. São, pois, lembrados esses idealistas que por serem partidários do absolutismo ou do liberalismo pagaram com a vida um tributo sangrento em período de Guerra Civil. E, se muitos acontecimentos se passaram desde a Revolução Constitucional de 1820, passando pela vilafrancada e abrilada, até à Convenção de Évora- Monte, em 26 de Maio de 1834. Alguns factos houve, que são a maior parte tristes efemérides desse período conturbado da nossa história. Lembrando alguns; e, em particular o que se passou em Estremoz. Não queremos deixar de referênciar, que de ambos os lados das duas facções, Liberais e Miguelistas, imperava a violência, se bem que logo após a chegada da Carta Constitucional, os realistas dessem corpo a assolar o país de bandos de salteadores, de bandoleiros e de guerrilha, mais ou menos organizados, que se diziam defensores da Santa Religião e dos direitos de D. Miguel ao trono de Portugal. José Joaquim de Sousa Reis, o Remexido, tinha um dos grupos mais aguerridos e melhor municiados, sendo um misto de regulares e bandoleiros, e tendo o Algarve por base e as sinuosidades da serra como guarida; Jorge Boto, capitão- mor de Gouveia, espalhava o terror na Beira; Manuel Martinni dá cunho à violência na Beira Baixa e em parte do Ribatejo; O Galamba aterrorizava as gentes do Alto Alentejo; os próprios clérigos tomavam capitania de grupos, como o Padre Góis que actuava na zona de Beja.&lt;br /&gt;À sombra da bandeira miguelista, multiplicavam-se ainda as quadrilhas de malfeitores, de puro intento, que roubavam , violavam e trucidavam impunemente; sendo algumas de mais triste lembrança a do Caca, ou dos Garranos, e a dos Brandões, dominando vasto território da zona centro.&lt;br /&gt;Acontecia , então, que no período férreo do cacetismo absolutista nenhum cidadão estivesse a cobro da turba de arruaceiros que percorria o país a coberto do beneplácido da causa miguelista.&lt;br /&gt;Atestando-se, no que a história nos conta, que a violência campeava dos dois lados; e, que também, dos simpatizantes do Rei soldado houve nefandos crimes.&lt;br /&gt;Logo em 1828, ano do começo da verdadeira Guerra Civil, ocorreu um episódio que causou a mais viva agitação e pesar nos meios académicos. Os lentes da Universidade de Coimbra formaram uma deputação para apresentar cumprimentos de fidelidade a D. Miguel. Por sua vez os estudantes, na sua quase totalidade partidários do liberalismo, discordavam dessa atitude tomada em nome da vetusta academia.&lt;br /&gt;Para impedir os lentes de dar cumprimento a esse propósito os « Divodignos» - associação secreta de estudantes - , tomou a resolução de enviar membros seus a interceptar os lentes. Daqui resultou um infausto e sangrento acontecimento, corria o mês de Mrço de 1828, perto de Condeixa, no lugar de Cartaxinho. Dois lentes foram barbaramente assassinados, ficando vários outros feridos com gravidade. Após a prisão dos estudantes responsáveis, seguiu-se a sua condenação e morte. Três foram enforcados nesse mesmo ano, em Junho, no cais do Tojo( que à data era em frente da Bica do Sapato), o último fugido e refugiado em Espanha, foi extraditado e executado em Julho de 1830. E, se estas sevícias mortais foram cometidas por liberais contra miguelistas. ( Foto actual do pátio interior da Pousada Rainha Santa Isabel. As outrora casamatas - prisões onde os militares e civis liberais foram chacinados destribuiam-se no perímetro deste espa&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-VhPSboi99vI/Tiw4cbkiLvI/AAAAAAAACyk/Wil-S2Gvr9U/s1600/028.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632939295022132978" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-VhPSboi99vI/Tiw4cbkiLvI/AAAAAAAACyk/Wil-S2Gvr9U/s320/028.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;ço),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nesta dolorosa desordem cívica, outras retaliações se seguiram como a do bárbaro assassínio de setenta liberais, que transferidos de Lisboa para Elvas, foram em Vila Viçosa chacinados , encontrando uma morte horrível no ano de 1830.Era neste clima que o pretenso Rei Absolutista se mostrava como um « estoira-vergas», que fazia vida nocturna em companhias pouco abonatórias; picarias, toiros e batidas de sege, tumultos e boémia barulhenta eram quase o preenchimento da sua existência; não deixando de ser atroz e sangrento com os que não defendiam os seus ideais e se confessavam liberais.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Por o descrever do episódio seguinte, se afere da torpeza e se comula de ridículo total este filho de D. João VI. Em Novembro de 1829, este monarca absoluto, fracturou uma perna. Conduzia, ele próprio, uma pequeno carro entre Queluz e Caxias. As mulas espantaram-se e o veículo tombou. Tanto bastou para que a intolerância absolutista punisse as pobres muares, decretando-lhe a morte; pelo que chamou « atentado»; por esse motivo ordenou que se passassem a alcunhar de « malhados» os liberais, porque as mulas tinham malhas claras e escuras.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kfmqvDey7-4/Tiw4AkvNytI/AAAAAAAACyc/Lx5iXuwZ7cE/s1600/027.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632938816446515922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kfmqvDey7-4/Tiw4AkvNytI/AAAAAAAACyc/Lx5iXuwZ7cE/s320/027.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;( Foto actual da famosa escada, com destaque ao corrimão de artístico ferro forjado, que conduz ao interior da Torre de Menagem: escada que foi local de grande mortandade, nesse 27 de Julho de 1833, dos que procuraram por aqui resguardar as suas vidas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;(Continua)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;José Movilha&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-VhPSboi99vI/Tiw4cbkiLvI/AAAAAAAACyk/Wil-S2Gvr9U/s1600/028.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4399335554614847570?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4399335554614847570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4399335554614847570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4399335554614847570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4399335554614847570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/lutas-entre-liberais-e-absolutistas-o.html' title='LUTAS ENTRE LIBERAIS E ABSOLUTISTAS - O TERRÍVEL MASSACRE QUE OCORREU EM ESTREMOZ NO DIA 27 DE JULHO DE 1833 - OS CRIMES DOS ARMAZÉNS - PRIMEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-VicCnsZMnWg/Tiw4qUVpUVI/AAAAAAAACys/Uhl6YDQ3gxw/s72-c/004.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8291113783130556617</id><published>2011-07-20T14:54:00.006+01:00</published><updated>2011-07-20T16:40:13.615+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCRITORES'/><title type='text'>5 de Julho de 1928, A lembrança dos 83 anos da ida de Alves Redol para Angola - Última Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5104gy1xESM/TibfuPAC-aI/AAAAAAAACyQ/tlGJeGmB_B8/s1600/Alves%2BRedol%2B-3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631434369467087266" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-5104gy1xESM/TibfuPAC-aI/AAAAAAAACyQ/tlGJeGmB_B8/s320/Alves%2BRedol%2B-3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tempo de alguma acalmia na vida de Alves Redol - O ideário de Redol em prol da justiça social - A malária torna-o bastante doente - O seu regresso a Vila Franca de Xira&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Toma Redol contacto com os livros de doutrinação política, de mestres como Bukharine. Foi, também, em Luanda que Redol começou a conviver com gente dos jornais d'A Província de Angola e da Última Hora. Teria Redol encontrado alguma barbearia como a descrita no romance " A Conjura" ( Eduardo Agualusa), que fala da Luanda do alvorecer do século XX; onde funcionavam estes estabelecimentos como " Club de Ideias" onde avultavam volumes de Proudhon e Kropotkine, e as ideias do socialismo e da Revolução Russa eram correntes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Barbearias como grande centro de tertúlias políticas, como a do seu amigo Francisco Goes, em &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vila Franca, que inspirou o nome de " Barbearia Fraternidade" no romance " Olhos de Água".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este amadurecimento precoce que se realiza em Redol, em Angola; vai galgando campo contra tudo o que são injustiças e ferrete colonial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diria: «(...) fui para África. Tinha 16 anos, voltei com 19. Considero essa viagem e essa estada decisiva para a minha vida: foi uma autêntica " viragem". A condição do negro é que me abriu os olhos para a condição do branco na Metrópole.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Redol permanece como funcionário público um escasso ano e pouco. É um emprego certo, é verdade, mas muito monótono e sem nenhuns horizontes de progressão. Consegue empregar-se na mais florescente firma de Angola; a Bernardino Correia &amp;amp; Cª. Conhece um bom período de estabilidade material: dá-lhe para forrar 1.250$00 mensais e ter casa própria. A poupança de 50 contos que mais tarde mandará para os pais, vem daí. Quantia elevadissima que correspondia ao capital da firma António Redol &amp;amp; Cª, Ldª.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos últimos meses da sua permanência em terras angolanas, a malária atormenta-o, o quinino corrói-o dando-lhe uma tez verdosa. O seu amigo Rato, alentejano de coração largo, vela por ele nesses momentos difíceis da &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6OMWrd431X0/TibfnV2MnOI/AAAAAAAACyI/soIpeCohWS0/s1600/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631434251045739746" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-6OMWrd431X0/TibfnV2MnOI/AAAAAAAACyI/soIpeCohWS0/s320/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;sua debilidade fisíca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6OMWrd431X0/TibfnV2MnOI/AAAAAAAACyI/soIpeCohWS0/s1600/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pensa em regressar à sua Vila Franca de Xira. Não queria morrer longe. Não seria o primeiro europeu a pagar a tença de anemias palustres e ficar no " Campo Santo de S. Paulo". O seu fígado ia ficar marcado para sempre, iria encurtar-lhe a existência só para mais 38 anos de vida. Em 1969 morreria precocemente este grande escritor que ainda tinha tanto para dar às letras portuguesas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mesmo cais recebe-o.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O jornal que dava à estampa às suas « Crónicas de Longe», publica nos primeiros dias de Junho de 1931.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« António Alves Redol&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« De regresso de Luanda e em gozo de férias chegou a esta vila inesperadamente, o nosso prezado amigo e distinto colaborador, Sr. António Alves Redol.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Veio doente, felizmente sem gravidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« A sua visita troxe-nos muita alegria, tanta como a que sentiu a sua família ao ser surpreendida com a sua presença.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Com um abraço muito sincero fazemos votos para que Alves Redol, que é moço muito inteligente, um bom amigo e um filho exemplarissimo, aqui encontre um repouso bem merecido.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nessa mágoa do corpo tocado, pensava nos horizontes da sua reabilitação confortando-o já o que diria um dia:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Quando um dia me perguntaram qual o lugar do mundo que achava mais belo, respondi sem hesitação: o cais da min&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-06_XPiFd4FA/TibfLhw45ZI/AAAAAAAACyA/XAFyIgz3pss/s1600/Niassa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631433773208364434" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-06_XPiFd4FA/TibfLhw45ZI/AAAAAAAACyA/XAFyIgz3pss/s320/Niassa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ha terra. Sim, o cais de Vila Franca, o rio, barcos ornados de flores, de toiros e pássaros, a massa irregular das casas caiadas de branco e ocre, o marulho das águas...»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vindo impressionado pela exploração do negro, as codições desumanas do seu ferrete. Até ao fim dos seus dias Redol só teve olhos para a justiça igualitária, a luta contra a Ditadura e as condições do trabalhador metropolitano, o « alugado», termo que usava para acentuar mais essa dependência; deste que era vítima de exploração semelhante, porque era dominado pelo mesmo sistema opressor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde " Glória Uma Aldeia do Ribatejo", o seu primeiro livro impresso, toda a sua obra literária é no sentido do aperfeiçoamento do homem. Numa das suas últimas crónicas « Confissões», Alves Redol escreveu tão pertinentes palavras, que hoje ainda são um libelo para o mal que assola os países pobres e os oprimidos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« O meu rival é aquela massa humana, disforme e repugnante, que ouvi falar em operações de Bolsa, de olhos cobiçosos e ávaros, parecendo querer açambarcar o mundo !»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nota: Estes escritos sobre a experiência africana de Alves Redol, em parte desconhecidas do grande público, pretendem ser um modesto contributo; uma lembrança e uma homenagem ao insigne escritor; neste ano da comemoração do centenário do seu nascimento - 2011. Evocar o escritor que nos legou páginas imemoriais de recorte literário e exemplar reflexão do caminho da justa cidadania; exemplo cuja apreensão total ainda nos falta fazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bibliografia : Caibéus/ Os Reinegros/ Marés/ Histórias Afluentes ( Alves Redol) ; Experiência Africana de Alves Redol ( Garcez da Silva)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6OMWrd431X0/TibfnV2MnOI/AAAAAAAACyI/soIpeCohWS0/s1600/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-06_XPiFd4FA/TibfLhw45ZI/AAAAAAAACyA/XAFyIgz3pss/s1600/Niassa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8291113783130556617?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8291113783130556617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8291113783130556617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8291113783130556617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8291113783130556617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/5-de-julho-de-1928-lembranca-dos-83_20.html' title='5 de Julho de 1928, A lembrança dos 83 anos da ida de Alves Redol para Angola - Última Parte'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5104gy1xESM/TibfuPAC-aI/AAAAAAAACyQ/tlGJeGmB_B8/s72-c/Alves%2BRedol%2B-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8123458409257864203</id><published>2011-07-18T15:27:00.005+01:00</published><updated>2011-07-19T11:06:23.738+01:00</updated><title type='text'>5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - Quarta Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qy3EDntvY0c/TiRDoJpZVyI/AAAAAAAACx0/rzKbGGVs8yo/s1600/Alves%2BRedol%2B-3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630699791183337250" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-qy3EDntvY0c/TiRDoJpZVyI/AAAAAAAACx0/rzKbGGVs8yo/s320/Alves%2BRedol%2B-3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;JÁ SÓ PEDE UM TRABALHO PARA SOBREVIVER EM LUANDA - OS EMPREGOS COMPATÍVEIS COM O SEU CURSO ESCASSEIAM - SÓ O DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO - APRENDIZAGEM CULTURAL DE REDOL - O TRABALHO DE CONTABILISTA SOBREPÕE-SE AO LITERÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sua chegada a Luanda, desse 18 de Julho de 1928, após 13 dias de internato no Niassa, diria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;« Desembarquei com 50$00, uma garrafa de Porto e a experiência de uma viagem com emigrantes de 3ª classe e condenados por crimes de militança.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diria mais, parecendo adivinhar das duras realidades que iria enfrentar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) a segunda gesta, a do prelúdio que vai ter nova fase, é outro mar, de navegação difícil, com escolhos e trabalhos, com tempestades e bonanças.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus amigos Costa e Khol, antigos companheiros de " Colégio Arriaga", esperavam-no, Khol leva-o para sua casa para os lados da " Praia do Bispo". Aloja-o lá por diversos meses. O pai de khol é bom homem, mas de humores variáveis; um dia dá-lhe para pensar que o jovem põe em perigo a fidelidade esposal. Tudo isto é subentendido, mas angustia António que sai para pequeno quarto alugado e tarecos imprescindíveis em segunda mão; não chega a dormir nos bancos de jardim; mas, fica a um passo dessa indigência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ter uma situação tão dramátrica que o leva a ter de dormir « numa cadeira de viagem emprestada», e um dos amigos ajuda-o muito: o mesmo amigo de que Redol diria mais tarde: « a roubar galinhas para o alimentar». Esse amigo é o Rato, alentejano, que também lhe valeu como enfermeiro dedicado quando a malária o prostou nos últimos meses de África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ócio forçado vai observando o que o cerca, vai-se a exploradas idas aos montes luandinos, ao " Morro dos Veados", aos cheiros da estrada de Catete, à Mutamba, aos bairros emblemáticos da Luanda colonial; da Fortaleza de S. Miguel; vai à formosa praia da restinga. Mas, é no bulício do porto que mais se entretêm nas suas observações. Chega a querer trabalhar lá, tal o desespero; mas,o porto é só para negros, ali não há suor branco.&lt;br /&gt;Com persistentes pedidos de Khol ao pai para que junto dos seus conhecimentos saiba dos concursos; Redol concorre: a burocracia é muita, junta todos os diplomas que atestam os seus créditos: estenografia " Muito Bom"; Contabilidade atestada pelo Crédito Agrícola de Vila Franca de Xira. Fica aprovado e finalmente faz parte dos quadros da Fazenda em 14 de Novembro de 1928. Passa a ter um vencimento certo de 1.000$00; dá aulas numa escola nocturna e junta mais 250$00. Poderia juntar algum dinheiro para valer aos pais, no permanente sufoco comercial. Chega mesmo a pensar que os pais poderão ter de vir a emigrar, juntando assim a família em te&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-t4xy7pd6PX0/TiRDefher8I/AAAAAAAACxs/JuEBAQG2wps/s1600/alves_redol2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 249px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630699625257021378" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-t4xy7pd6PX0/TiRDefher8I/AAAAAAAACxs/JuEBAQG2wps/s320/alves_redol2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;rras africanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas até lá o seu quotidiano é cheio de provações.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Diria: « Seis meses de desemprego às sopas do Khol», depois mais tarde ainda escreveria na Vértice: « Fiz durante seis meses o curso de mendigo de trabalho.»&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Vai dando conta de tudo em cartas que escreve para o seu amigo Júlio Goes, de Vila Franca; não obstante todo o sofrimento dá uma imagem de estabilidade nas cartas que escreve à família.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Com o trabalho certo: um pouco mais animado o jovem Redol procura novamente dar fio às suas crónicas « De Longe» com que vai preenchendo a página literária do Vida Ribatejana. Muito se interrogam as mentes, dos fulgores da composição e do que lêem os escritores quando a diásporas; que influências teriam tido? Como lhes corre o gosto para o estilo A ou B ? E, como irrompem a breves anos para obras colossais que cativam milhares de leitores. De uns se diz que foi a Biblioteca Coimbrã do Mosteiro de Santa Cruz e o estudo dos Clássicos - Luís Vaz; outros a completa biblioteca do tio General Rosa, caso do Fernando Pessoa. De Camilo se diz que foi atrás das grades que apurou o mosto literário; Mark Twain na Biblioteca de Cincinnati; Hemingway trabalhando como jornalista no Kansas City Star; Borges na Biblioteca de Buenos Aires ( só para falar de alguns), um sem número de ensaios adivinhatórios que sempre dão ao perfume biográfico algo novo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas, será talvez a voragem da papelada esparsa e aquele vício bom e inebriante de devorar páginas e conhecimentos; ir ainda a locais para captar ao vivo jeitos de gentes e vivências reais. Depois, depois, que grande labuta: vai tudo ao almofariz do trabalho e é moldado pelo talento transformando-se na obra final; isto é, o ofício de escrever e dar a ler. O que tão bem Redol foi progressivamente fazendo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O jovem Alves Redol teria lido os livros possíveis na sua infância. Começa sempre tudo pelo jornal diário que o chefe da família compra e que após o jantar lê em voz alta à família. Só aos doze anos António lê o primeiro livro, que lhe é emprestado. Depois os estudos no " Colégio Arriaga" cujos livros eram mais de completação técnica. Possivelmente como complemento, e ainda antes de partir, teria lido Forjaz de Sampaio, António Ferro, Antero, Eça, Fialho Camilo, António Patrício; talvez mais tarde em Angola: Ferreira de Castro, Aquilino; e o sempre real e exemplar Raul Brandão; clássicos e livros de viagens como o surpreendente " Situs Orbis" de Duarte Pacheco Pereira.&lt;br /&gt;É pois, de crer, que Redol em Angola tomasse contacto com muitas obras que acrescentaram mais bagagem aos seus conhecimentos. Em Luanda lia-se muito. Diria João Chagas, deportado por envolvimento no « 31 de Janeiro»:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;(...) os jornais são lidos no interior da colónia com um interesse seguramente maior do que aquele com que são lidos em Portugal. O Tédio das longas noites do sertão estimula a leitura e não é raro encontrar, entre esses comerciantes, na aparência indiferentes à vida intelectual, quem esteja perfeitamente ao corrente do movimento literário de Portugal e do estrangeiro».&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Teria, ainda, Alves Redol frequentado a velha, mas algo valiosa biblioteca pública de Luanda ? Que datava de 1873; ou teria tido acesso a uma já considerável biblioteca particular, a do seu amigo Bruto da Costa ? Amigo que lhe tinha ofertado o livro " Os Pobres", de Raul Brandão.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;( continua)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;josé movilha&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8123458409257864203?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8123458409257864203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8123458409257864203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8123458409257864203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8123458409257864203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/5-de-julho-de-1928-lembranca-dos-83_18.html' title='5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - Quarta Parte'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qy3EDntvY0c/TiRDoJpZVyI/AAAAAAAACx0/rzKbGGVs8yo/s72-c/Alves%2BRedol%2B-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8009587007940244432</id><published>2011-07-16T15:47:00.006+01:00</published><updated>2011-07-16T17:27:54.903+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCRITORES'/><title type='text'>5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - TERCEIRA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4Z2_KEFSLzs/TiGmtCQxm2I/AAAAAAAACxg/X0K8lF0TioA/s1600/Alves%2BRedol-4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; FLOAT: left; HEIGHT: 159px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629964301821385570" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-4Z2_KEFSLzs/TiGmtCQxm2I/AAAAAAAACxg/X0K8lF0TioA/s320/Alves%2BRedol-4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; AS VISTAS DA CAMACHA- QUANTO HAVERIA PARA VER NO INTERIOR DA PÉROLA DO ATLÂNTICO - MAIS 2 DIAS DE VIAGEM E A TROPICAL GESTA É JÁ S. TOMÉ - FINALMENTE LUANDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem Redol vai a terra numa das lanchas. Quer aproveitar algumas horas para ver aquela formosa Pérola do Oceano. Observa o bulício daquelas gentes calçadas de dominados tamancos que o andar aperfeiçoa no segurar. Gente que vai e vem ao seu comércio, os carros típicos que transportam frutas, medas de palha, madeira, hortícolas coloridos, cuja tracção é feita por bois, cavalos, asininos,e muares; fazendo-o lembrar as feiras no Cevadeiro e os preparos de mercado grande na sua Vila Franca de Xira.&lt;br /&gt;Surpreendem-no o nome dado àqueles carros-cestos " Tobogâs", um apodo dos concidadãos de John Bull; carros- trenós que deslizam vertiginosamente pelas íngremes e polidas calçadas, levando de assento dois seres à aventura; acomodados de perícia que um ou outro dos dois homens vestidos da cor do paraíso e chapéus de palhinha, manejam num contrabalanço sábio e controlado. Daquelas vistas do cimo do monte da Camacha, o casario da ilha são polvilhos de lantejoulas em vestido verde. O porto, lá em baixo, é um formigueiro de pequenas embarcações que iam a gentes a desembarque vindas no " Paquete Lima" que vindo do Lobito, em rota oposta, se cruzava ali com o Niassa. O ar é rasgado pelo vozeirão da saudação, o Niassa como irmão mais velho dá-se a ensaios barítonos num tom grave que atordoa a baía. Ficando-se depois na modorra de uma cachimbada de mantença às máquinas; um fumo leve e esparso como o de cozedura de forno comunal.&lt;br /&gt;A cada passo a natureza cumprimenta com profusão de tufos de buganvílias, hortênsias, cameleiras, loendros; mantos de estrelícias que se oferecem ao visitante singelas de corte para adorno de jarra ou prenda namoradeira. Redol não pode ver muito mais. O tempo é escasso: nem o encanto das levadas recôndidas, as matas floridas; a Floresta de Laurissilva de que tanto tinha ouvido falar. Ficam-lhe ainda na retina as silhuetas poderosas do Pico Ruivo e do Pico do Arieiro e a ribeira de S. João, de águas limpas e cantarolantes, levada gigante que vem recolhendo veias pequenas, filhos de nascentes órfãs que emparedam desde o alto indo-se dar de foz ao azul do oceano.&lt;br /&gt;O Niassa parte de novo da barda do porto do Funchal; Redol diria:&lt;br /&gt;« Á popa acompanhando-nos até à entrada do oceano, um bando de gaivotas revoando sobre nós, dá-nos as despedidas...»&lt;br /&gt;Eram já nove dias de viagem. Redol com a sua vivência de observador descobre um madeirense clandestino, que descoberto arca com o castigo de ir durante o dia trabalhar na dura tarefa de alimentar as caldeiras. Durante a noite tange uma guitarra campaniça, lassa de gemidos lúgubres que servem para acompanhar a voz rouca de um dos degredados que canta a cançaõ da saudade.&lt;br /&gt;« E assim se sucederam os dias até àquela tarde calmosa de 16 de Julho, em que por todo o barco revoou a notícia de S. Tomé à vista:»&lt;br /&gt;Na crónica que escreveria « S. Tomé», Redol surprende, pois além da viva paisagem observada que tão bem descreve; faz referências históricas sobre a ilha, dando detalhes de leitura escrutinada e inspirada, possivelmente, em " Situ Orbis" de Duarte Pacheco Pereira.&lt;br /&gt;A sua impressão em terra foi igual ou maior do que na Madeira. A intensa vegetação tropical maravilham-no à medida do seu internar até onde pode entre mangais, cacaueiros, bananeiras, coqueiros, cajus. Alguns companheiros ficam espantados com aquela curiosidade que tomam por audácia, não percebendo da demamnda do que é guardar de experiência viva para relato impresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AQn0HpMwuEU/TiGmOmY9c-I/AAAAAAAACxY/ACm0l2r6lB0/s1600/Niassa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629963778943448034" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-AQn0HpMwuEU/TiGmOmY9c-I/AAAAAAAACxY/ACm0l2r6lB0/s320/Niassa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não falta muito para o aportar final. Numa noite o sapateiro dira a Redol:&lt;br /&gt;« Ah sôr Aredol! Sôr Aredol! Acando é qu'a gente voltará à nossa Lisbia ! »&lt;br /&gt;Os peixes voadores são agora o entretêm nas tropicais águas; estabelece-se um jogo de quantos são possíveis contar de uma mirada. Falta dia e meio para se cumprirem os 13 dias desta viagem.&lt;br /&gt;Finalmente, foi de noite a chegada à baía de Luanda, era uma quarta- feira 18 de Julho de 1928.&lt;br /&gt;O Niassa abranda as máquinas de grasnados metálicos; a grande chaminé fica-se como os fumadores que se dão a um exalar poupado de beata final; o bojo férreo descansa ali imóvel como casa de Jonas bom que vai despejar no dia seguinte aquelas gentes a ares novos. A lua plena traça os contornos daquela forma difusa de crescente frontal de areal brando e de suave estender; palmeiras postadas como sentinelas parecem descer desde o Monte de S. Paulo, acenando à restinga da ilha do Cabo; abraçando na cornija voltada ao largo o porto das sacas cafeeiras, da cana-de-açucar, óleo de coco, amendoim, algodão, borracha, tabaco, sisal; de riquezas maiores ainda se atestaria mais o deslumbramento do carrego; cobre, chumbo, estanho, ouro, platina e diamantes que se diziam mais grados que ovo enaltecido de poedeira afamada. Era, então ali, o lugar de frenesim de forças escravas que davam a sua tença diária de suor negro e mourejar que só a calada da noite continha.&lt;br /&gt;Fica-se tudo na amurada a beber aquela visão meio escondida da terra prometida, o ar tem uma humidade relaxante, um cheiro doce a flores raras e a frutas apetitosas: tamarindos, carambola, mabeque, maracujá, fruta pinha, goiaba. A guitarra que tanto alento dava aos degredados, emudece nessa noite, fica-se só por acordes lamentosos. Eles sabem que o seu fado vai para além daqueles muros que se erguem lá bem no alto, as masmorras da Fortaleza de S. Miguel esperam-nos para que cumpram o destino no Depósito de Degredados que tem livro de assentos desde 1881.&lt;br /&gt;Quase ninguém dorme nessa noite, tudo anseia por um clarear menos sovina de mostras. No entanto as madrugadas angolanas são indolentes como o canto Bailundo; uma névoa espessa guarda-se como tule, concentra-se e persiste de opacidade, é o célebre cacimbo que tem o respeito autóctone e a que o emigrante depressa vai aprender a respeitar para seu resguardo. O António Redol não arreda pé. Toma apontamentos num pequeno caderno que é o complemento às guardas da sua retina e às gavetas alquímicas da alma de um escritor.&lt;br /&gt;Desta vez os jogadores do emblema da " Cruz de Cristo", e os restantes, não o surpreendem de primazia, como nos olhares à "Pérola do Atlântico". Ele é agora das raras presenças à descoberta do que o dia vai mostrar. E no algodão doce tragado pelo tropical Sol, mostra-se primeiro que tudo a Fortaleza altaneira e polvilhada de canhões de idos bronzes em seteiras que outrora mostravam respeito a quem queria afrontar a soberania lusa.&lt;br /&gt;A distância à dourada praia e ao recorte do casario talvez fosse metade da que um listão de 5 anos precisasse para voltas do maioral. Mas, o que mais impressionava era aquela terra vermelha, aquele tom de ocre que igualava as práticas dos abegões quando com zarcão davam cor aos carros dos carregos do melão vizinho da " Senhora de Alcamé".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( continua )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AQn0HpMwuEU/TiGmOmY9c-I/AAAAAAAACxY/ACm0l2r6lB0/s1600/Niassa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NvJq-EhdJZI/TiGmCp7GaUI/AAAAAAAACxQ/O5k_9QAQ94c/s1600/Alves%2BRedol%2B-3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 176px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629963573733517634" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-NvJq-EhdJZI/TiGmCp7GaUI/AAAAAAAACxQ/O5k_9QAQ94c/s320/Alves%2BRedol%2B-3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8009587007940244432?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8009587007940244432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8009587007940244432' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8009587007940244432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8009587007940244432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/5-de-julho-de-1928-lembranca-dos-83_16.html' title='5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - TERCEIRA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4Z2_KEFSLzs/TiGmtCQxm2I/AAAAAAAACxg/X0K8lF0TioA/s72-c/Alves%2BRedol-4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-6636375551208352098</id><published>2011-07-11T15:11:00.002+01:00</published><updated>2011-07-11T16:46:27.489+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCRITORES'/><title type='text'>5 DE JULHO DE 1928 , A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - SEGUNDA PARTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6baTbRpEgy0/ThsFHQ0VuLI/AAAAAAAACxE/pFXsMQlo1JE/s1600/alves_redol2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 249px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628097781661284530" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-6baTbRpEgy0/ThsFHQ0VuLI/AAAAAAAACxE/pFXsMQlo1JE/s320/alves_redol2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;AS « CRÓNICAS DE LONGE» - A PARTIDA DOS CAIS DO " BOM SUCESSO" - COMO UM JOVEM QUE DESPERTA PARA A ESCRITA VÊ UMA EXPERIÊNCIA A BORDO - A PÉROLA DO ATLÂNTICO A PRIMEIRA TERRA À VISTA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os amigos bricavam com ele, nos escassos dias que faltavam para o embarque, a propósito de ter participado no elenco da revista « Ida e Volta» que se representara em Vila Franca de Xira, onde Redol tinha tido uma pequena figuração no elenco. Especialmente o Júlio Goes, com quem materia viva correspondência quando já em Angola. Este dizia-lhe: « " Ida e Volta" era pronuncio de ele um dia voltar para o berço ribatejano e para os amigos mais chegados.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi talvez este licor de Talma que ficou embebido em Redol levando-o a gostar de teatro, a escrever peças e a preparar pormenorizados guiões, que no espólio e nas pesquizas da sua já casa Neo-Realista, surpreendem pelo detalhe encenativo e riqueza criativa. Chega então o dia de pisar o Cais do Bom Sucesso. Uma multidão de debutantes do mar salgado acotovelava-se de atavios como decalque parecido aos taleigos da Bérrio; semblantes dos granitos de Monsanto; costaneiros das águias de Marvão; alguns rasos, da terra dos milagres de Ourique; mais alguns de guarida à medronheira e audácia mourisca. Alguns a canga de deportes acorrentavam-se brandos de tinir cadeias, fardas cor de rato, cigarro vadio feito de onça indigente; passos dados à cadência vigilante do grumete arvorado. Que por esta altura já a tutela negra se exercitava de soberana maldade, laborando nas laudas fascizantes do Duce.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dos que gostavam do pão da escrita, a que as letras embalavam, também, sabia ele que Torga e Ferreira de Castro, pão novo procuravam, e deste cais tinham tido piso nas idas aos Brasis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele iria a zarpares na rota de Diogo Cão, e a terras que tinham muitas medidas do chamado " puto" ocidental. Escreveria o jovem Redol nas crónicas que em breve mandaria, e em recordação décadas passadas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« A multidão que me envolvia era uma massa confusa de abraços e gritos, de algumas gargalhadas e de muitas lágrimas. Já havia gente na amurada cinzenta do Niassa, acenando lenços e querendo rir, não sei se para afogar a mesma angústia que eu sentia naquele instante, quando o barco soltou um primeiro mugido de sinal de embarque.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O " Uíge" o " Vera Cruz" seriam irmãos mais novos daquele Niassa; nasceriam décadas mais tarde para carregarem gente para a guerra.. O Niassa barco enorme para a época, estava ali para dar anseios a vidas fugidas da miséria e a castigadas gentes que já diziam não à Ditadura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda não era tempo de acenos pungentes como os que se rasgariam no ar 33 anos depois, quando o luto era um crisântemo anunciado no cano de uma espingarda e o soldadinho partia marcado na lembrança pelas estrofes de quem tinha a canção como arma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« E o " Niassa", vendo expirar os minutos, (...) grita também... Cada passageiro é uma saudade; cada saudade (...) um drama... E as lágrimas bailam em todos os olhos...»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diria, já onde o mar era senhor:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Lisboa passa a nossos olhos como uma cidade de conto de fadas. Parece ( possuída) de uma atmosfera de respeito, de uma soberania que o mar lhe concede, de uma vaidade que o céu lhe emprestou e lhe assenta às mil maravilhas.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A maturidade e conduta do jovem Redol, o seu dever para com os concidadãos Vila-Franquenses, transparece na nota escrita que quer seja publicada no jornal onde debuta de criação literária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escreveria o Vida Ribatejana na sua edição nº 301 de 8/7/ 1928.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Tendo embarcado e 5 do corrente para Luanda, e sendo natural, ainda que involuntariamente, que deixasse de despedir-se de algumas pessoas a que tinha o dever de o fazer, por esta forma se despede e oferece os préstimos naquela cidade ultramarina - Caixa Postal 335.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« António Alves Redol»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo no interior do Niassa a sua observação de escritor está presente a cada momento:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Desce a noite... O mar agita-se convulsivamente, arremessando ondas gigantescas ao casco do navio que avança indiferente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Recolho alegremente ao meu beliche, impulsionado pelo intuito de presenciar os meus compatriotas. « Arriscam-se as primeiras palavras de conveniência. E dentro em pouco, o nosso beliche, é uma sala de clube, um misto de jogos e de restaurante, um confessionário de vidas, de ilusões...»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do vencer daquelas milhas marinhas, Redol brinda os companheiros de viagem com inventivos epítetos. A um agricultor arruinado, mas esperançoso de nova oportunidade « um dramático da vida»; o sapateiro a « um fado»; o barbeiro a um « jazz-band»; a um falador inveterado e de pose convencida chamaria de « fox-trot». Mas, a todos o jovem Redol tratava com urbanidade e respeito, sendo figura grata daquela urbe nauta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aportariam à Madeira em breve. Convinha levantar antes do Sol despontar para ver a Pérola do Atlântico envolta em brumas matinais e o alto do Machico soerguido como presépio antecipado. Redol levanta-se às 6 horas pensando ser o rei dos madrugadores; mas, quando chega ao convés já ali estava a malta do Belenenses que lhe dá breve motejo a minorar-lhe o madrugar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Niassa vai ancorar a vistas de acenos. E logo aparecem pequenos barcos com as ofertas de artesanatos: vimes, rendas de bilros, frutos diversos que logo deliciam as vistas. Os miúdos saltitam como tritões amestrados, mergulham lestos para colher a moeda que lhes é atirada, ceifam-na mesmo antes dela chegar ao fundo. É uma companhia de pequenos girinos ladinos que tem uma parcela que o Atlântico lhes dá. Grudam-se aos cascos como lapas risonhas e agradecem da dádiva do óbolo, superando-se a cada ida e vinda à prancha marmórea do ousar voar para o rendilhado das ondas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os rapazes do " Emblema da Cruz de Cristo" descem para um gasolina engalanado de bandeirinhas gastas. O César e o Augusto Silva são os primeiros. Vão realizar jogos com o " Nacional" e o " Marítimo". O mestre do gasolina mostra a sua gasta farda de gala. As dragonas são desfiadas de brilho áureo; a almofada da ganga peitoral ostenta um emblema de cada um dos clubes insulares. Há vivas exultantes aos forasteiros e aos anfitriões. A barca vai-se numa restia de vivo bombordo, da folga a terra já vai decretado o édito do regresso, o levantar ferro nessa tarde para S. Tomé...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-6636375551208352098?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/6636375551208352098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=6636375551208352098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6636375551208352098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6636375551208352098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/5-de-julho-de-1928-lembranca-dos-83_11.html' title='5 DE JULHO DE 1928 , A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - SEGUNDA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6baTbRpEgy0/ThsFHQ0VuLI/AAAAAAAACxE/pFXsMQlo1JE/s72-c/alves_redol2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-581511783512117900</id><published>2011-07-08T15:03:00.005+01:00</published><updated>2011-07-08T16:39:44.247+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCRITORES'/><title type='text'>5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - PARTE PRIMEIRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0U3kl7Y9auc/ThcPCxrip3I/AAAAAAAACw4/sHAubl8As-c/s1600/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626982799792842610" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-0U3kl7Y9auc/ThcPCxrip3I/AAAAAAAACw4/sHAubl8As-c/s320/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;SONHOS DE UM ADOLESCENTE - O sonho persistia « Só, com a carta que o meu pai escrevera e enfiara num dos bolsos da minha gabardina. Dava-me os seus conselhos e alguns nunca esqueci. Mas nem ele nem eu adivinhávamos que aquela viagem para África teria tal importância na minha vida que ainda hoje não lamento a saúde que por lá deixei...»&lt;br /&gt;Sonhava com esse ir. Abalar um dia a mundos novos. Cada vez era mais o tansmute dos olhares aos grandes navios aquietados no grande cais de perteza, não muito longe do 66 da Rua da Junqueira, onde estudava e era interno. Levava tudo na retina quando embarcava no combóio operário vinde de Lisboa para Vila Franca de Xira. Amansando a pantalha janeleira de translúcidos olhares para as marés do Tejo. Imaginando-se nas vagas dos carris, como se o bojo do já predestinado Niassa que tinha manjedoura de carvão de pedra no Cais de Alcântara, e fumaréus brandos de dormências semanais, esperasse antes de zarpar as esperanças das gentes que procuravam novas vidas.&lt;br /&gt;Porém, tudo era mais que persistente ideia. Tinha que demandar aquelas terras que matriciavam o robusta e o arábica que se davam a crestos naquele espaço fabril que o pai tinha inagurado, e onde se entretinha no hipnótico acompanhar daquelas bolas de ferro que se imolavam rodopiando em fogo brando; arrastando no interior aquela mistura verde que havia de torrar mais lesta de engenho que saca de portentosos grãos que ficaram às portas de Viena, atestando as práticas Sufis e os benefícios do arbusto etíope.&lt;br /&gt;O seu mundo já não acabia nem para além da Avenida Pedro Victor, da Rua Palha Blanco, e do gaveto que estendia a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra; incluindo-se as poeiras do Cevadeiro quando o listão entontecia o solo nas tardes de corrida; ou o bulício avieiro que animava o mais lindo cais do mundo, o da sua Vila Franca de Xira. As idas aos confins da restinga do Restelo, alfobre das suas práticas de vivência estudantil no Colégio Arriaga, tinham chegado ao fim. O diploma tinha vindo singelo de aprovação elevada " Bom"; era agora um contabilista encartado, justificara os enormes encargos que o pai tinha tido com este seu curso comercial dado num Colégio particular. O « Deve e Haver » da pauta comercial, de que o pai punha tantas esperanças para gerir a contabilidade caseira, era uma realidade que era preciso pôr em prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_7M6j0iVdO8/ThcO18CLxMI/AAAAAAAACww/nVZZ9psA9hQ/s1600/alves_redol2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 249px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626982579233866946" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-_7M6j0iVdO8/ThcO18CLxMI/AAAAAAAACww/nVZZ9psA9hQ/s320/alves_redol2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Porém, a adolescência é como um mosto que se expande de fervências incontroladas. Os bailes e as paródias atarraxam as noites com o vigor do entusiasmo crescente de estar presente em estúrdias com os amigos. Alves Redol começa a ver mais as madrugadas que trazem os carros dos hortelãos, do que o içar dos tapumes comerciais. O pai proibe-o das longas noitadas desviantes. Quere-o no bico das laudas, a somar as entradas e saídas e a tirar a limpo o rol mensal. António mortifica-se por dever e respeito aos éditos paternais. Para tudo ser mais difícil já foi tocado pela secreta ambrósia de contar o que o mundo mostra, o ofício de escrever já dorme na sua alma em latências vulcânicas. Cada vez vai percebendo melhor o eco do acontecido segredar: « Nesta hora em que o passado se prolonga em mim, neste momento exacto em que não sei o que sou nem o que quero, sinto-me envolvido por vozes e aleluias, por carícias vivas ou por promessas que ficam nos olhos ou no esboçar dos gestos que as mãos só imaginaram.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia, uma menina descalça, a vendedeira de figos, aparece nos contíguos do pátio do Colégio Arriaga; é uma figura de contos de fadas. Da idade dos meninos letrados e tão ingénua para o mundo quanto eles. Bricam: « Um figo por um beijo.» Redol é o escolhido: da transgressão de bibe azul praticada nesse recreio, resultam oito dias de castigo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembraria mais tarde: « E ainda bem. Porque no silêncio da pena que cumpri, sonhei contigo horas plenas de um lindo romance que ainda hoje me canta no sangue, apesar do tempo deste degredo... Onde andarás tu, agora, meu amor de tantos anos?! »&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passados meses surge a publicação dos seus primeiros escritos no Vida Ribatejana, dirigidos a preocupações de carácter social; esta forte impressão resulta da grande pobreza e mendicidade na sua Vila;o cadinho que tão forte despontaria mais tarde contra as injustiças e desigualdades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste artigo, terminaria com uma exortação: « Coragem, pois, senhoras da minha terra, e não desanimeis um só momento, na obra suprema de todos os tempos - a caridade.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Da sua prática cursiva, e pelo que observa, verifica que as coisas não iam bem com as contas. Havia muito que receber. Desde o fim da primeira Grande Guerra que andavam ensarilhadas as contas da Nação e as de cada um. A crise assolava o país, e o pequeno e médio comércio tinham sérias dificuldades. Não obstante, o pai tinha um enorme sentido de entreajuda familiar, e chamava a si a educação de sobrinhos, recolhendo outros familiares que albergava na sua residência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-X6KWP1g-Gs4/ThcOsEa-_gI/AAAAAAAACwo/zj7KmlNWs0M/s1600/Alves%2BRedol.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 193px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626982409686679042" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-X6KWP1g-Gs4/ThcOsEa-_gI/AAAAAAAACwo/zj7KmlNWs0M/s320/Alves%2BRedol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O pagamento das mensalidades do último ano do curso, já foi suportado com dificuldade pelo pai. António apercebe-se, pede ao pai que lhe permita terminar o curso; logo que possa, com o dinheiro do seu trabalho irá reembolsar a casa. É sobretudo isso que o leva, na correspondência trocada com o seu amigo e condiscípulo Luís Khol, angolano, a dizer-lhe da sua intenção. António Redol mantinha com ele um regular epistolar; desabafando noutra carta: « « As coisas de meu pai aqui não vão bem. Gostaria de ir para Angola a fim de tentar reparar a situação». Pede-lhe que escrutine a escol de empregos que lhe podiam servir, orientados para a contabilidade. O de escriturário da Fazenfa, funcionário público, seria uma dádiva que o destino, se quisesse, lhe poderia ofertar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas crónicas que há-de escrever para o jornal da sua terra, e na primeira a que dá o nome de « partida», dirá: « Atracado á muralha do Entreposto(...) o " Niassa" perfila-se quedo e grave, como fugindo á comoção das cenas que passam no cais. « Gritos cruciantes de despedida pairam e revoam na atmosfera, como sinal de começo daquele drama que só terá fim dentro de meses, dentro de anos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua )&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-X6KWP1g-Gs4/ThcOsEa-_gI/AAAAAAAACwo/zj7KmlNWs0M/s1600/Alves%2BRedol.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-X6KWP1g-Gs4/ThcOsEa-_gI/AAAAAAAACwo/zj7KmlNWs0M/s1600/Alves%2BRedol.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-581511783512117900?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/581511783512117900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=581511783512117900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/581511783512117900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/581511783512117900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/07/5-de-julho-de-1928-lembranca-dos-83.html' title='5 DE JULHO DE 1928, A LEMBRANÇA DOS 83 ANOS DA IDA DE ALVES REDOL PARA ANGOLA - PARTE PRIMEIRA'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-0U3kl7Y9auc/ThcPCxrip3I/AAAAAAAACw4/sHAubl8As-c/s72-c/Lima%2Bde%2BFreitas%252C%2BAlves%2BRedol%252C%2B1952.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4346252251877801481</id><published>2011-06-10T13:00:00.003+01:00</published><updated>2011-06-10T13:33:54.398+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Efemérides da história'/><title type='text'>" ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE..."</title><content type='html'>( ilustração - gentileza de Jorge Miguel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vrMY7YJbTmA/TfCfpCCUsRI/AAAAAAAACwc/JnAfZoWfZEU/s1600/Camoes%2B-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 211px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616164262601077010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-vrMY7YJbTmA/TfCfpCCUsRI/AAAAAAAACwc/JnAfZoWfZEU/s320/Camoes%2B-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jau acercou-se do pobre leito, a um aceno do amo. Tinha escondido a escudela com as poucas moedas esmoladas na Rua Nova dos Mercadores. O amo Luís Vaz não queria que ele pedisse e recebesse insolências, fosse assaltado por malfeitores em qualquer beco pouco iluminado, ou se soubesse que pedia para a casa. Ainda lhe borbulhava na alma o orgulho de fidalgo, embora pobre, e o reconhecimento de umas tantas gentes cultas que sabiam o que era a arte poética. Aquele catre diminuto e insalubre na Calçada de Santana, era o refúgio dos três, e ali enfrentavam a miséria Luís de Camões, sua mãe Ana e o fiel javanês a quem tinha baptizado António, mas que era tratado por Jau. A magra tença de 15.ooo réis anuais, atribuida por El Rei D. Sebastião, mal dava para viverem, a maior parte das vezes chegava atrasado o pagamento e tinham que ir falar com D. Pedro de Alcaçovas Carneiro, escrivão da puridade; daí as preocupações de Jau em arranjar mais alguns meios de subsistência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Últimamente soerguia-se do leito, a breves períodos, enquanto as malfadadas terçãs não o cobriam de suor febril, quando assim era ainda escrevia e lia. Acariciava contra o peito o seu livro impresso há oito anos " Os Lusíadas"; antes a morte que ter perdido aquele manuscrito. Mas, cruéis fados, perdeu-se a doce Dinamene: " Ah! minha Dinamene! Assim deixaste/ Quem não deixara nunca de querer-te! / Ah! Ninfa! Já não posso ver-te,/ Tão asinha esta vida desprezaste! . " Ah, como se pode viajar com a mente!... Quando saía de sua casa na Mouraria, para ir ter com seu pai aos armazéns das guardadas coisas da Guiné e da Índia. Tinha muito orgulho na sua descendência fidalga, e na sua condição de " escudeiro"; não queria ser " Rascão", como mestre Gil Vicente chamou nos seus autos, a alguns da sua condição. Logo no ano do seu nascimento um presságio astrológico dizia que ia acontecer um dilúvio de proporções bíblicas, nada que molestasse as musas da sua inspiração. Que recordação dos seus estudos em Coimbra, no colégio de Todos-os-Santos; os estudos da Gramática, Retórica, Dialéctica, Filosofia; mas, do que mais gostava era do Latim. Que mundos de acesso me deu !...Os clássicos gregos, romanos; a biblioteca do mosteiro de Santa Cruz, onde li as obras de Petrarca - a quem tomei por modelo-, Bembo, Garciliano, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro; como foi bom saber italiano e escrever castelhano."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Doces e claras águas do Mondego, / Doce repouso da minha lembrança/ Onde a conquista é pérfida esperança/Longo tempo após si me truxe cégo./ De vós me aparto, sim, porém não nego,/ Que inda a longa memória que me alcança,/ Me deixa de vós fazer mudança,/ Mas quanto mais me alongo mais me achego."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jau ouvia falar tantas coisas ao seu amo. A maior parte não as percebia, não tinha instrução, fazia-se entender e percebia as palavras tão diferentes desta gente de pele branca. O amo falava em Natércia, Bárbara, Dinamene, Maria, Maria era o nome que mais pronunciava quando estava febril. Ele, Jau, como as aves coloridas que falavam lá na sua terra, aprendeu uma melopeia que lhe cantava baixinho: " Aquela cativa,/ que me tem cativo/ porque nela vivo,/ já não quer que viva./ Eu nunca vi rosa/ em suaves molhos,/ que para meus olhos/ fosse mais fermosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem no campo flores,/ nem no céu estrelas/ me parecem belas/ como os meus amores./ Rosto singular,/ olhos sossegados,/ pretos e cansados,/ mas não de matar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ua graça viva,/ que neles lhe mora,/ para ser senhora/ de quem é cativa.../ Pretos os cabelos,/ onde o povo vão/ perde opinião/ que os louros são belos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pretidão de Amor,/ tão doce a figura,/ que a neve lhe jura/ que trocara a cor./ Leda mansidão/ que o siso acompanha;/ bem parece estranha,/ mas bárbara não.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Presença serena/ que a tormenta amansa;/ nela, enfim, descansa/ toda a minha pena./ Esta é a cativa/ que me tem cativo./ E pois nela vivo,/ é força que viva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquietava-se tanto quando tal ouvia que parecia que todo o seu ser se revigorava. A velha mãe assumava por entre o velho pano que dividia o catre e ficava a contemplá-lo mudamente." O seu Luís Vaz, que tantos anos se apartou das suas gentes!...Cruel mutilação lhe deformou a visão, e tantos e tão rude&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ayCHQUPWMHM/TfCfZr-rKNI/AAAAAAAACwU/AWNKvyo1dnc/s1600/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 252px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616163998982154450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-ayCHQUPWMHM/TfCfZr-rKNI/AAAAAAAACwU/AWNKvyo1dnc/s320/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;s padecimentos passou, tanto envelhecendo em tão poucos anos".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos dezoito anos vê a Lisboa que ainda tem largadas do Tejo. A Lisboa que recebe um fidalgo pobre mas atraente de porte e jovialidade, cabelos arruivados, olhos expressivos, modos de saber estar e falar. Era ainda um voluntarioso lutador e um hábil espadachim. Foi doidivanas, foi; teve rameiras por companhia, arruaceiros, embarcadiços de passagem. Até inventou um nome " Malcozinhado", para designar famosa barraca da Ribeira onde o vinho corria célere nas gargantas e se " comia quer bem, quer mal", a origem do epíteto. A sua vivacidade e composição poética dá nas vistas. Conhece por via disso D. Manuel de Portugal; poeta , senhor de alta condição social e frequentador da corte. Na mesma altura, no Pátio de Comédia, onde se dizia poesia e representavam pequenas peças e autos; conhece o franciscano António Ribeiro Chiado, poeta e apreciador do despontar artístico de Camões. É Ribeiro Chiado que alcunha Luís Vaz de Camões, de " Trinca- Fortes", por ele nunca virar a cara a qualquer injustiça e fazer frente a pretensos fortalhaças que molestavam indefesos. Finalmente a apresentação no Paço da Rainha em Xabregas, onde D. Catarina, mulher de D. João III , organizava saraus culturais. E, no Palácio da Infanta D. Maria, irmã do rei. Neste selectivo ambiente da corte conhece ainda Francisco de Morais, poeta e novelista, autor de um romance de cavalaria muito apreciado, " Palmeirim de Inglaterra". Estabelece também amizade com D. Francisco de Noronha, que fora embaixador em Paris e camareiro-mor da rainha D. Catarina. Tudo isto seria determinante para a integração do poeta neste meio. Passado algum tempo as donzelas disputavam o favor das suas estrofes numa folha de papel; e os " motes" sucediam-se, devolvidos em glosa artística e elegante. Certa vez D. Francisca de Aragão, senhora de alta erudição e beleza, que brilhava nos serões da corte, propos um complicado mote a Camões: « Mas porém que cuidados? » - ao que o poeta respondeu:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Se as penas que Amor me deu/ Vêm por tão suaves meios,/ Não há que temer receios,/ Que vale um cuidado meu/ Por mil descansos alheios./ Ter nuns olhos tão formosos/ Os sentidos elevados,/ Bem sei que em baixos estados/ São cuidados perigosos./ Mas, porém, ah! que cuidados!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Claro, que tanto talento e bonita figura despertava algumas invejas, mais evidentes nos homens de letras seus pares. Parece que desse despeito cultivou Pêro de Andrade Caminha. Pouco tempo depois, aconteceu, o poeta ter tido a sua primeira paixão, numa marcada Sexta-Feira -Santa de 1544 , na igreja das Chagas. Camões vê Catarina, que por anagrama criado por si, dará mais tarde o nome de Natércia. Catarina era uma jovem e linda camareira da rainha e tinha 14 anos; Camões tinha 20 anos e estava na pujança da sua figura. A jovem não é indiferente a Luís Vaz. Mas, a condição de fidalgo sem meios de fortuna é um óbice que o perseguirá sempre negando-lhe amores que ele até vê correspondidos. " Ah, Natércia cruel! Quem te desvia/ Esse cuidado teu do meu cuidado? / Se tanto hei-de penar desenganado,/ Enganado de ti, viver queria..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo passando à condição de aio de D. António de Noronha, cargo que pouco mais era do que escudeiro, Camões não tinha qualquer condição de manter amores na corte ou fora dela, com qualquer mulher de elevada condição fidalga. Se não bastasse um primeiro desengano de amor, aparece logo a seguir um outro enlevo, mais profundo e inatingível, que marcará ainda mais a vida do poeta. A Infanta D. Maria, irmã de D. João III, de uma cultura muito elevada e personalidade vincada, vive independente no Palácio de Santa Clara, onde recebe a fina flor das artes do país. D.Maria aprecia muito o génio de Camões, e nasce entre ambos uma afinidade intelectual muito elevada, não pondo a Infanta qualquer marca na tão elevada condição social que os separava. Os dias passam e D. Maria maravilha-se com o talento de Luís Vaz. Por sua vez este, vê na Infanta a elevação espiritual e intelectual capaz de o compreender e aos seus sonhos. A este desejado amor de Camões, que dizer: se com D. Catarina, teve tão fugaz desfecho, com a Infanta de Portugal, tal nunca poderia acontecer. O poder régio é informado: Camões é brandamente banido; parte para uma espécie de exílio interno, sendo obrigado a permanecer a uma certa distância de Lisboa. A este afastamento, escreve:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Aquela triste e leda madrugada./ Cheia toda de mágoa e de piedade,/ Enquanto houver no mundo saudade,/ Quero que seja sempre celebrada./&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela só, quando amena e marchetada,/ Saía, dando à terra claridade,/ Viu apartar-se uma outra vontade,/ Que nunca poderá ver-se apartada;/&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela só, viu as lágrimas em fio/ Que de uns e de outros olhos derivadas,/ Juntando-se, formaram largo rio;/&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela ouviu as palavras magoadas/ Que poderão tornar o fogo frio,/ E dar descanso às almas condenadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Camões enceta a sua longa diáspora que há-de começar aqui e levá-lo a muitos lugares do mundo. Procura o bucolismo das margens do Tejo; parece ser em Constância que vive os três longos anos que o afastam da capital do reino. Lê, escreve, escreve muito, já, de certo constava, no seu íntimo criativo a génese de um grande épico que contasse as glórias lusas. Em Ceuta perde a visão do olho direito. Regressa, e na entrega de defender amigos, fere à espada um escudeiro da corte. É preso na mais hedionda das prisões, a do " Tronco"; junto a uma ralé medonha sofre os designios dessa proximidade. Os amigos angariam algum dinheiro para compra ao carcereiro de algumas condições, vela de iluminação, papel e pena. Camões é esquecido das vistas do seu Tejo que ama, durante nove meses. Sai, e após duas semanas parte numa armada para a Índia; logo à saida da barra perde-se por naufrágio uma das quatro caravelas. A sua saudade é grande quando deixa para trás o monte " Cintio":&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Já a vista pouco a pouco se desterra/ Daqueles pátrios montes que ficavam;/ Ficava o caro Tejo e a fresca serra/ De Sintra, nela os olhos se alongavam./ Ficava-nos também na amada terra/ O coração, que as mágoas lá deixavam;/ E já depois que tudo se escondeu,/ Não vimos mais, enfim, que mar e céu."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Camões, não obstante a dureza da viagem, maravilha-se nas observações preciosas que contribuirão muito para a narrativa do seu épico poema. Naquele Setembro de 1553, a nau São Bento chega a Goa. Daqui sai para outras paragens, como soldado combatente das guarnições das naus. Vai conhecer as águas do golfo Pérsico. Vai em frotas de comércio fazer negócios no Extremo Oriente, o " trato da China"; Ceilão, Malaca, Ternate e Banda. Assiste a temíveis massacres. Ele, um humanista, tem que conviver com a desumana voragem da cobiça do oiro e com o pouco valor dado à vida humana. Chega a ir a Macau, onde se instala com os desvelos da sua companheira Dinamene, numa cenóbica gruta, pensa ter encontrado tranquilidade para acabar o seu grande poema. A força bruta inquieta-o mais uma vez. Um capitão de nau que diz ter pertença de leis naquele local dá voz de prisão a Camões. No regresso a Goa, a nau naufrága nos baixios do rio Mecong. Dinamene morre, Camões nada com desespero apertando o manuscrito dos seus poemas épicos, entre os fracos retalhos das suas vestes. Vagueia, faminto e ferido por entre praias com gente estranha, comendo dos parcos alimentos, dos restos das populações que encontrava. Consegue ir para Malaca e depois para Goa. Parecem os " fados" querer dar algumas tréguas aos infaustos do poeta. Encontra alguns amigos: João Lopes Leitão, Vasco de Ataíde, Jorge de Moura. Encontra Garcia da Orta, humanista, médico e botânico, é nesta altura um septuagenário que tem em preparação uma grande obra científica " Colóqio dos Simples e das Drogas". Mostra-a ao poeta, que logo, culto como era, viu da importância que se revestia a impressão, testemunhando a favor do alvará junto do Vice- rei. Passados estes mais de cinco anos de obrigatoried&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jJuzocYavUg/TfCfO6vR2LI/AAAAAAAACwM/wKMCz9ztIgs/s1600/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 259px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616163813965551794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-jJuzocYavUg/TfCfO6vR2LI/AAAAAAAACwM/wKMCz9ztIgs/s320/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ade de cumprir na Índia. Luís pensa em regressar a Lisboa. Consegue libertar da escravatura um jovem, natural da ilha de Java, empenha-se em catequizá-lo, dá-lhe o nome de António, cria com ele grandes laços de amizade, e logo pensa em trazê-lo para Portugal. Parte Camões, e o seu fiel Jau, da Índia; naquele ano de 1567. Rumando para Moçambique. Não estavam sanadas as desventuras do poeta, e o capitão Pedro Rolim empresta 200 cruzados a Luís. Logo em Moçambique quer imperiosamente que Luís Vaz lhe pague, sendo muito contundente para com ele.Valem-lhe os amigos, que encabeçados por Diogo de Couto, fazem uma colecta e pagam a dívida. Em Novembro de 1569, Camões abandona Moçambique, na nau Santa Clara, sobre o comando de D.António de Noronha. Entra no Tejo e revê as sete colinas e os ares de Lisboa, estivera afastado durante 17 anos. Sentia-se um estranho: alquebrado, envelhecido, pobre, quase sem conhecer alguém que por ele tivesse interesse. Da família, só a sua envelhecida mãe Ana. Vai viver para uma velha casa com duas pequenas divisões, para os lados da Calçada de Santana. São três as almas que se amparam: Luís, Ana e Jau. Depois de muito porfiar para obter permissão para publicar o seu poema épico " Os Lusíadas" , com a ajuda de antigos amigos que ainda lembravam o seu génio: D. Francisco de Noronha, Dona Francisca de Aragão que apreciava o poeta e se lembrava dele, das sessões do Paço; sendo ela, a pedir a D. Pedro de Alcáçova Carneiro, escrivão da puridade e da confiança de D. Sebastião, que fosse facilitada a licença régia. Sendo ainda, submetido o manuscrito ao parecer da inquisição. Finalmente o livro é impresso em 1572, tendo os primeiros exemplares muitos erros tipográficas e ainda alguns cortes da censura; codição só reposta dez anos após a morte do poeta e na 4ª edição de 1608.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Eis-me no fim!...Carrego eu e esta pátria tanto sofrer, a vil peste que ceifa sem temperânça. Agora as notícias da funesta campanha do Norte de África, de que dizem as novas que se perdeu grande parte da mocidade desta lusa terra. O rei D. Sebastião que ninguém sabe onde está, e que todos esperam que apareça para alento da continuada nação". A tosse rompe-lhe aqueles balbúcios evocativos. Jau chega-lhe aos lábios uma tisana de plantas que são um último fel e que nada modificam do seu febril estado. Ajeita-lhe a cabeça com desvelo enquanto lhe limpa uma muda lágrima que não chega a irromper daquelas pregas sem visão. A fraca luz da vela estremece de mudança, tinha dado alento aos últimos escritos. Estes eram para D. Francisco de Noronha, que sempre percebeu do seu astro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;« Foge-me, pouco a pouco, a curta vida, se por acaso é verdade que inda vivo; choro pelo passado; e, enquanto falo, se me passam os dias passo a passo. Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena. Enfim acabei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ayCHQUPWMHM/TfCfZr-rKNI/AAAAAAAACwU/AWNKvyo1dnc/s1600/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vrMY7YJbTmA/TfCfpCCUsRI/AAAAAAAACwc/JnAfZoWfZEU/s1600/Camoes%2B-1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jJuzocYavUg/TfCfO6vR2LI/AAAAAAAACwM/wKMCz9ztIgs/s1600/Cam%25C3%25B5es%2B-%2B2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4346252251877801481?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4346252251877801481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4346252251877801481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4346252251877801481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4346252251877801481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/06/erros-meus-ma-fortuna-amor-ardente.html' title='&quot; ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE...&quot;'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vrMY7YJbTmA/TfCfpCCUsRI/AAAAAAAACwc/JnAfZoWfZEU/s72-c/Camoes%2B-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4728801103844761578</id><published>2011-06-02T22:24:00.004+01:00</published><updated>2011-06-02T23:50:11.524+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónica de Costumes'/><title type='text'>A DIFÍCIL ARTE DE VIVER PORTUGUÊS - AS TEMEROSAS PROCLAMAÇÕES DAS SONDAGENS QUOTIDIANAS</title><content type='html'>ilustração - gentileza de Jorge Miguel&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KkPxLMu20jE/TegEEA9pHFI/AAAAAAAACv8/eQwIKTukPUU/s1600/camponeses.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613741402541857874" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-KkPxLMu20jE/TegEEA9pHFI/AAAAAAAACv8/eQwIKTukPUU/s320/camponeses.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Elas aparecem paladinas de se dizerem de científica consulta; feitas em sazonal virtualidade telefónica, indagando das preferências dos seleccionados; convocando os tais quinhentos entre o começado cozido à portuguesa e o pedaço de pisa no microondas. Os símbolos dão-se a subidas e descidas como habilidades de " jongleur", baralham-se os cinco do arco eleito; e, se logo avança o laranja, logo o cor de rosa lhe morde os calcanhares, adivinhando-se o beneplácito do Santo Padre Cruz, para fazer subir a turma do Caldas. Os homens do " Avante" restam firmes " unidos como os dedos das mãos" ( lá dizia a canção); e, os Bloquistas dão uma de cor limão à tez, o preço do séquito ao poeta. Os rapazes da segunda divisão ( leia-se partidos menores), acautelaram as suas presenças nas televisões, por emanação da justiça; logo as mesmas se vingam, marcando-lhes presença no bojo da madrugada. O homem da Madeira torna-se um coelho saltitante, aparece de tronco nú a estender corda com flâmula propagandística; fosse o tempo dos gladiadores de Cápua, e o Alberto já o tinha metido no fosso. Os politólogos e analistas afins esfalfam-se de conjecturas. Arriscam tímidos prognósticos: depois, há ainda os indecisos que são capazes de seguir o exemplo do " botellón" espanhol. Tudo tornado uma corrida que até parece que vai ser decidida por " foto finish". O rapaz da equipa do Rato, perdeu o pio; o da Lapa é encorajado a vociferar mais, assanhar-se de verborreia. " O Paulinho das Feiras" entrou numa de " queque" dos Estoris, não se mete com aquela " plebe" dianteira e não profere palavrões e grosserias, ficando-se pela catrefada de nabos e afins agrícolas que as feiras dão. O sempre simpático Jerónimo é presenteado com mimos de ministro; perguntando a velhinha, quando a caravana já vai de planície esquecida: " como é que se chama este senhor ? " " Jirómino" - diz o cigano..."Ele é Jirómino", só que é Sousa e eu sou Silva. O Francisquinho da Duque de Loulé esfalfa-se em visitas às metalúrgicas: se não tem sido aquele erro de se colar ao rosa não estavam agora perto da Segunda divisão; mesmo em risco da Distrital.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo baralhado com estes prognósticos das sondagens televisivas e afins dos media; houve um esclarecido cidadão que pensou em consultar o Rafhael Baldaia. Feito tal; esta mente iluminada nem sequer conferiu o trânsito de Mercúrio; nem os taciturnos de Saturno. Logo informando: que na família tinha um desses arregimentados respondedores de sondagens. Contando, que o homem ,farto dos incómodos de tais práticas e da interrupção do cozido à portuguesa, passou a dizer: " lá vêm os gajos dos telefonemas dos votos ! " Todos os dias lhes digo um diferente: como dizia o Chico nos jogos difíceis: " Baralha e volta a dar..." - os gajos vão ficar lixados...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4728801103844761578?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4728801103844761578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4728801103844761578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4728801103844761578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4728801103844761578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/06/dificil-arte-de-viver-portugues-as.html' title='A DIFÍCIL ARTE DE VIVER PORTUGUÊS - AS TEMEROSAS PROCLAMAÇÕES DAS SONDAGENS QUOTIDIANAS'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KkPxLMu20jE/TegEEA9pHFI/AAAAAAAACv8/eQwIKTukPUU/s72-c/camponeses.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4054259943779759559</id><published>2011-05-27T15:53:00.005+01:00</published><updated>2011-05-27T19:24:46.454+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónica de Costumes'/><title type='text'>A DIFÍCIL ARTE DE VIVER PORTUGUÊS - I</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-T8G2EWw6EPY/Td-8C4pV-wI/AAAAAAAACvw/VCbxt3bxR2Q/s1600/Mendigo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611410418478480130" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-T8G2EWw6EPY/Td-8C4pV-wI/AAAAAAAACvw/VCbxt3bxR2Q/s320/Mendigo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; De como a célebre República do Bacalhau, em tempo de crise, mudou o nome para Academia do Caracol - Como o lema, beber, de Henry Chinaski, é levado à letra - Como pela duodécima vez o Fabião, farmacêutico, não consegue fazer o " dawamesk" , a receita do doutor Bouchardat -De como o Tinoco, das enguias, impedido de cultivar a Ameijoa Japonica, vê gorada a sua intenção de financiamento por parte de Strauss-Kahn, para comercialização de " Cantharis vesicatoria".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;ilustração - Gentileza de Jorge Miguel&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A República do Bacalhau mudou de nome. É agora Academia do Caracol: e à falta do lascudo que se tornou cativo só de mostras recordativas para as bandas do Arsenal, subindo o seu preço às cavalitas da crise; resolveram os mentores das tertúlias levadas a efeito na tasca do Jim Morrison, filho, mudar o nome para Academia do Caracol. Foi então o almoço de abertura de época tornado num festival em que o caracol foi rei, figurando com primor gastronómico em diversas receitas confeccionadas pela mão apaladada de senhora Rosa. Manhã cedo já o Zé Caixeiro propagandeava as virtudes de conduta de Henry Chinaski - personagem do livro " Mulheres" de Charles Bukowski - citando com desenvolto entusiasmo: " Se acontecer algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontecer, bebe-se para que aconteça alguma coisa". Acontecendo logo por isso; voz a palavras de ordem buscadas nas citações célebres que alguém escreveu: " Cessou o império enfim da força bruta/ Não sofreremos mais" ( Antero de Quental); " Bruxelas de Santa Gúdula,/ Com tetos de dominó,/ Dás flores à língua das vacas/ Só a mim me deixas só" ( Vitorino Nemésio). Sendo muito aplaudida uma última : " Povo marinhairo,/ Povo camponês,/ um povo inteiro/ A espera de vez, ( Alexandre O'Neill). Serviam, ainda, estas confraternizações para lautas conversas de acertado escárnio e mal dizer; vergastadas nos intendentes da usura, desanques na classe política, macaqueios caricaturais aos poderosos da praça financeira;e, treinos de bancada ao futebol nacional e notícias locais de desenlances amorosos e traições de alcova.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Chico Lusitano esperava toda a gente ao pé do plátano velho. A cadela do Bernardino punha um malfadado ácido nuns malmequeres encolhidos. O Luís, Queen, preparava uma armadilha para gafanhotos, tinha a secreta esperança de descobrir o porquê do mistério de haver pragas de gafanhotos na Mauritânia, e não haver nas ricas terras da América do Norte. Eis quando, foi tudo avisado que não podiam comparecer na tertúlia o Kerouac, Neal Cassady, Allen Ginsberg e William Burroughs, que haviam de gostar destas coisas para poderem contar "pela estrada fora". A tarde prometia: A Esmeralda sorria junto à porta entreaberta, o tempo aqueceu e ela lançava algumas acendalhas de moldes carnais moldados em generosas formas.Cada vez estava mais parecida com a Penélope Cruz, embora o Luís lhe chamasse " Boneca de Luxo", nome que tirara de Truman Capote, seu autor preferido. A Penelope era filha da senhora Rosa, cozinheira, e tinha havido tal banzé há dias que voaram tachos e panelas em direcção ao Sérgio, da drogaria. "Então o desavergonhado diz à pequena se tinha "brunches"!... Uma pequena tão séria, que foi logo dizer à cozinha a infâmia de tal pedido. Claro que a D. Rosa atirou com tudo o que tinha à mão em direcção do malvado atrevido, e até um " Magalhães" que tinha comprado na Feira da Ladra, se foi esventrar de " chips" contra a umbreira da porta. Apareceu depois o Nélinho, que tinha tirado o 12º nas " Novas Oportunidades" ( e a quem o Bernardino enfernizava por ele não saber o gognome de D. Afonso IV ); a dizer que esse tal " brunches" não tinha nada de mal e era uma catrefada de comida para os gajos e gajas que andavam na boa-vai-ela noite fora, e que depois de manhã comiam para o dia todo, desde: alheiras, carnes frias, salsichas, ovos, massas, tomates assados, cogumelos, queijos, farófias, figos e nozes, tudo o que podiam enfardar. Sanado este propalado caso. Estava ainda proibido de frequentar a tertúlia, temporariamente, o Gutierres, galego, poi tinha-se desentendido com o Sérgio desde que este soube que a Espanha tinha tido planos para invadir Portugal em 1940. Tudo por culpa do " botas" a peneirar-se de intenções subservientes ao " caudilho"; a ajudar a mortificar os desgraçados com um fogo dos infernos quando apanhados na raia, enviando de noite uns danados que gritavam o malsoante nome do dos " Hermínios" e de quem os mandava. Jurava ainda o Sérgio que tinha visto na casa de prestamista do Gutierres, uma bandeira da " Falange" e o retrato de Primo de Rivera envolto lateralmente em fachos de vivo fogo, tudo logo ao lado de uma gravura do Vale dos Caídos. Vindo tudo para o interior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mesa não se alarveava tanto como outrora; mas, para fazer " bico" o Ernesto, padeiro, chegou com quatro grandes pães recheados com chouriço e toucinho de Montoito, que pingavam enodoados e despreendiam um cheiro cativante.Independentemente de ser Maio, ainda era presença a " fada verde" ( leia-se absinto), e as Katiuscas 33 ( medronheira bem graduada, mel da Malcata e Cachaça do Velho; claro, tudo isto bem agitado de mexidas num copo de 33 cc). O almoço ia ser regado com uma pinga que poria até Sileno em diáspora refrescante pelos bosques da Tessália. Desmatelados os aperitivos que constavam de pequenos primores de aves de capoeira, orelheira no seu ponto, pézinhos de coentrada, molejas de ovelha com ovos, farinheira de Estremoz na borralheira e queijos de Niza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo veio a Penélope colocar a ementa que tinha como pratos fortes perninhas de rã fritas e vários primores gastronómicos em que o caracol e caracoleta figuravam como vedetas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde as " Pataniscas de Caracol"; Caracóis à Jim Morrison"; Caracóis à Matilde , mamalhuda"; Tiborna de Caracóis à Goliardo" Rancho de Caracoletas à Triunvirato"; " Caracóis à Paulinho das Feiras"; "Caracóis à Freeport"; "Caracóis à moda da Lapa" e " Caracóis à Troika".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Claro que ficou tudo muito desconfiado com estas últimas cinco receitas, desconhecidas e não provadas, adivinhando-se um autêntico malogro para estas cinco panelas em que o tempero não agrada aos comensais da tertúlia lusa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;José Movilha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4054259943779759559?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4054259943779759559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4054259943779759559' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4054259943779759559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4054259943779759559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/05/dificil-arte-de-viver-portugues-i.html' title='A DIFÍCIL ARTE DE VIVER PORTUGUÊS - I'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-T8G2EWw6EPY/Td-8C4pV-wI/AAAAAAAACvw/VCbxt3bxR2Q/s72-c/Mendigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2536318835014405047</id><published>2011-04-20T15:41:00.006+01:00</published><updated>2011-04-20T17:26:13.913+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><title type='text'>REFLEXÃO PASCAL - MORTE E RESSURREIÇÃO - O SANTO SUDÁRIO ( SEGUNDA PARTE)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-H9JFi1Il6XQ/Ta7ykATImZI/AAAAAAAACvk/_qWHBk9E7vQ/s1600/Sepultamento%2Bde%2BJesus.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 315px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597678087237573010" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-H9JFi1Il6XQ/Ta7ykATImZI/AAAAAAAACvk/_qWHBk9E7vQ/s320/Sepultamento%2Bde%2BJesus.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em 1562, o Ducado de Saboia transferiu-se de Chambéry para Turim; em 1578 a relíquia foi levada para a Catedral de Turim, onde tem estado até hoje na Cappella della Sacra Sindone de Pallazzo Reale di Torino. Já no século XX, em 1983, após a morte do ex-rei de Itália, Humberto; a Casa de Saboia, por testamento do monarca falecido doou a peça ao Vaticano. A relíquia, ao contrário do que sucedia na antiguidade, hoje raramente é mostrada em público. A última exposição data de 2010, atraindo mais de 50 mil fiéis. Grande parte da comunidade cristã acredita que o tecido amortalhou o corpo de Jesus após a sua morte. Quase 60% do tecido do Sudário é resultante de muitas reparações ao longo dos séculos. O académico Raymond Rogers defende a tese, num artigo publicado em 2005, que a análise química por ele realizada indicava que as amostras usadas na datação por carbono-14 mostram traços evidentes de corantes, possivelmente usados pelos tecelões medievais, para tentar dar a cor do tecido original. Neste restauro e reparação foi intenção conferir ao Sudário uma maior protecção. Isto teria contribuido (no dizer dos especialistas), para lançar alguma controvérsia entre os resultados dos vários exames efectuados que se estenderam a diversas disciplinas da ciência, desde: fotografias com diferentes tipos de filme; radiografias de raios X com fluorescência, espectroscopia, infravermelhos, amostras retiradas com fita, tudo antes de datação por carbono-14. Todas estas acções desencadearam alguma polémica entre os que acreditavam na originalidade do Santo Sudário; e, outros que se baseiam em alguns dados científicos, situam o tecido numa data entre 1260 e 1390.&lt;br /&gt;Em Maio de 1898, Secondo Pia, um fotógrafo italiano, tira a prmeira fotografia ao Sudário, verificando que o negativo da fotografia se assemelhava a uma imagem positiva de um homem, o que significava que a imagem do Sudário era, em si, um negativo. A partir dessa data começou o interesse em saber mais sobre aquele artefacto, a sua composição e o que representava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipa americana do STURP ( Shoud of Turin Research Project), após 100.000 horas de trabalho, equivalente a três anos de pesquisas, publicou as seguintes conclusões: "Havia sangue humano no Sudário; as gotículas de tinta ocre seriam resultado de contaminação; a habilidade e equipamentos necessários para gerar uma falsificação seriam incompatíveis com os conhecimentos apontados na datação do período da Idade Média; as marcas do Sudário mostram um duplo negativo fotográfico de corpo inteiro de um homem com imagem de frente e de dorso; a figura do Sudário, contrariamente a outras figuras bidimensionais testadas até então, contém dados tridimensionais; o Sudário apresenta marcas compatíveis com a descrição da crucificação nos Evangelhos; não existe ainda explicação científica de como a imagem do Sudário foi feita." No entanto esta equipa de cientistas, não pôde ainda assim afirmar que a mortalha era verdadeira.&lt;br /&gt;Mechthild Flury-Lemberg, especialista suíça em restauros de tecidos, diz que a trama do Sudário é muito semelhante à encontrada em tecidos datados de 40 a.C. a 73 d. C. ; recuperados na fortaleza de Masada, que caiu após os seus defensores Zelotas se terem suicidado ao verem inevitável a conquista do seu bastião pelos Romanos.&lt;br /&gt;Tudo isto deu lugar a um novo estudo chamado "Síndone", e à sindonologia, nome da disciplina que tem hoje cerca de 400 grupos que pesquisam sobre o Sudário; estudando anatomia, poléns, composição tridimensional computorizada, tintas e pigmentações da antiguidade. O Sudário tem as dimensões de 4,30 de comprimento e 1,10 de largura. A altura do corpo a que serviu de mortalha seria a de um homem de cerca de 1,80 de estatura. A Igreja Católica ainda não emitiu uma opinião definitiva acerca da autenticidade desta relíquia. A posição de cada um a esta questão é uma decisão de fé pessoal.&lt;br /&gt;O Papa João Paulo II ficou por diversas vezes comovido e emocionado ante a imagem do Santo Sudário. Afirmando " que uma vez que não é uma questão de fé, a Igreja não se pode pronunciar"; ao mesmo tempo convidou as comunidades científicas a continuar a investigar. A "Catholic Encyclopedia", editada pela Igreja Católica, no seu artigo sobre o Sudário de Turim (como é mais conhecido), opina que esta peça está para além da capacidade de falsificação de qualquer falsário medieval. Persiste mais um grande enigma que desafia a ciência dos nossos dias; contrapondo-se a fé avassaladora dos milhões de crentes, para os quais a Santa Relíquia é um testemunho da Ressurreição de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2536318835014405047?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2536318835014405047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2536318835014405047' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2536318835014405047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2536318835014405047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/04/reflexao-pascal-morte-e-ressurreicao-o_20.html' title='REFLEXÃO PASCAL - MORTE E RESSURREIÇÃO - O SANTO SUDÁRIO ( SEGUNDA PARTE)'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-H9JFi1Il6XQ/Ta7ykATImZI/AAAAAAAACvk/_qWHBk9E7vQ/s72-c/Sepultamento%2Bde%2BJesus.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-6603608136316094017</id><published>2011-04-19T10:59:00.009+01:00</published><updated>2011-04-19T16:22:30.601+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><title type='text'>REFLEXÃO PASCAL - MORTE E RESSURREIÇÃO- O SANTO SUDÁRIO ( PRIMEIRA PARTE)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0neSR2vp3DI/Ta1dlCR-URI/AAAAAAAACvY/1VvW3qUtvxE/s1600/O%2BSanto%2BSud%25C3%25A1rio.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 212px; FLOAT: left; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597232802740195602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-0neSR2vp3DI/Ta1dlCR-URI/AAAAAAAACvY/1VvW3qUtvxE/s320/O%2BSanto%2BSud%25C3%25A1rio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Cristo foi sepultado. Os evangelistas todos são unânimes e dão o seu testemunho quanto a esse acontecimento. Mateus e Lucas dizem: " Tendo tomado o corpo" - José de Arimateia - envolveu-O num lençol". Mateus salienta " Um lençol próprio". Marcos confirma que, saindo da casa de Pilatos, José foi à cidade buscar um lençol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João acrescenta que serviu para envolvimento no lençol; " uma mistura de mirra e aloés, pesando cerca de 100 libras ( o que seria próximo de 32 quilos). Foi na tarde de sexta-feira que levaram o corpo de Jesus ao túmulo. Eis que surge o início do sábado. Conforme as prescrições judias, bastante severas, relativamente ao descanso no sábado, as mulheres deveriam deixar de proceder ao amortalhar de Jesus. " E no sábado descansaram, disse Lucas, segundo o mandamento. Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado". Quanto a Marcos, ele escreveu: " Passado o sábado, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamá-Lo". Essas mulheres , munidas dos aromas, encaminharam-se então ao sepulcro, no domingo de manhã. Encontraram-no aberto e vazio, correndo para anunciar aos apóstolos a inconcebível novidade. Os apóstolos zombaram delas, dizendo que deliravam. Madalena insiste, suplica, dirige-se principalmente a Pedro e João, conseguindo convencê-los. Partiram rapidamente para o túmulo. "Pedro, porém - disse Lucas -, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu senão os lençóis de linho"; e João: " Então Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Viu também, os lençois, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençois, mas deixado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo - João -, que chegara primeiro ao sepulcro, que viu e acreditou.Nada é mais certo do que a presença no túmulo dos lençóis e do lenço que haviam servido para envolver o corpo de Jesus. Da forma como os apóstolos puderam conservar essa mortalha, ainda hoje é desconhecido das investigações. Pode-se imaginar que eles teriam acrescidas dificuldades de guardar essa lembrança extraordinária do Mestre. Os adversários do testemunho do Santo Sudário, salientam que os judeus consideravam impuro tudo o que se referisse à morte. Porém, a história mostra que os primeiros cristãos tinham guardado cuidadosamente a mais preciosa das relíqias da Paixão de Jesus. Não se tratava de morte, mas da Ressurreição. Em 631, São Braulion, bispo de Saragoça, diz numa carta: " de sudário quo corpus Domini est involutum - " do sudário em que o corpo do Senhor foi envolvido". E acrescenta:" As escrituras não dizem quem o conservou, mas não se pode chamar supersticiosos aqueles que crêm na autenticidade deste sudário". Assim, na época do Bispo Braulion, a existência da mortalha era conhecida. Um outro texto dá-nos conta de que a relíquia estava então em Jerusalém. O bispo Arculphe parte em 640 em peregrinação a Jerusalém. Testemunha que viu e beijou " o Sudário do Senhor que, no sepulcro havia sido colocado sobre o sítio da sua tumba. Dá a informação de que era uma longa peça de tecido com cerca de 8 pés de comprimento. A presença da relíquia em Jerusalém continua a ser confirmada no século VIII por Bède, o Venerável, e por São João Damasceno. Depois há um longo tempo de omissão até ao século XI. Quando se torna a falar sobre o sudário, ele já não não está em Jerusalém, mas em Constantinopla. Em 1150, um peregrino inglês menciona " o sudário do qual diz ter estado perto". Guillaume de Tyr, em 1171, fez alusão à mortalha. Em 1204, por ocasião da Quarta Cuzada, um cavaleiro provençal, Ricardo de Clari, toma parte na tomada de Constantinopla. Faz, em seguida, uma narração sobre a sua viagem, na qual descrevia com minúcia todas as riquezas descobertas por ele nos palácios e nas" ricas capelas e ricas igrejas da cidade". Considera dois fragmentos da verdadeira cruz: uma ponta de lança, dois pregos, a coroa de espinhos. É, então nesta data, o Santo Sudário referenciado como estando na basílica de Sainte-Marie des Blachernes. Mas,não se soube ao certo o que aconteceu à relíquia quando a cidade foi tomada. Nesses tempos de duros e sangrentos combates, pilhagens habituais, qualquer terço de armas ou combatentes de maior poderio considerariam o sudário como um bem muito valioso.&lt;br /&gt;Um erudito italiano procurou explicar esse desaparecimento: os cruzados, diz ele, ao pretenderem saquear Constantinopla, respeitariam a capela de Blachernes. Facto este confirmado pelo conde de Riant no seu Exuviae: " Um bispo de Troyes, Garnier de Tainel, que fazia parte da expedição, foi encarregado de conservar todas as relíquias que a capela imperial continha. Escreveu Riant: " O bispo fez chegar à Europa um grande número de objectos preciosos; conhecem-se alguns constantes numa lista e dados como muito preciosos, mas, o sudário não consta". Ora, o bispo morreu em Constantinopla no ano de 1205. Nessa altura talvez o sudário estivesse nas mãos de alguem importante que oficiava na igreja. Conhecem-se os nomes de alguns: um descendente do conde de Charny, ao que se pensa, teria a relíquia teria ficado nesta família. Mais tarde venerou-se o Santo Sudário na catedral de Saint-Etienne de Besançon, até 1349. Nessa data um incêndio destruiu a catedral. O sudário desapareceu novamente.&lt;br /&gt;No ano de 1353, o conde Geoffroy de Charny depositou na Collégiale de Lirey, diocese de Troyes, fundada por ele, uma mortalha que se afirma ser a de Cristo. Prontamente o povo se pôs a caminho de Lirey para venerar a mais preciosa das relíquias, aquela que tinha marcas do martirio de Cristo. Foi de tal modo o zelo dos peregrinos que outras relíquias havidas em Troyes passaram para segundo plano. Não gostou o bispo Pierre d'Arcy queixando-se ao papa Clemente VII. Mediou Sua Santidade, conciliando os interesses dos senhores, dando orientaçõs que se dissesse aos peregrinos que não havia a certeza de que era aquela a mortalha de Jesus. Diante de tantas contradições, Marguerite de Charny levou o sudário a Chimay, Bélgica, onde, em desespero de causa o ofertou, em 1452, a Anne de Lusignan, esposa do duque de Savóia. Transferindo-o para Chambéry, tornando-se propriedade da casa de Savóia. Edificou-se, então, uma capela em Chambéry, tornando-se a nova e as ostentações com frequência. O crónista Antoine de Llaing afirma que; " para se assegurar da autencidade da relíquia e da sua autenticidade, se fez passar o tecido por provas extraordinárias. Tendo-se até fervido o sudário em azeite e lavado diversas vezes, não se conseguindo apagar as impressões que ele continha. Em 1552, um incêndio declarou-se na capela do sudário, mas queimou só parte do mesmo. Um pingo de prata fundido consumiu uma extremidade do tecido dobrado. A água lançada para apagar o incêndio deixou sobre a relíquia grandes circulos muito simétricos, por uma coincidência que alguns consideraram milagrosa " o fogo deteu-se no lugar preciso onde começava a impressão do corpo crucificado; " o sudário foi restaurado pelas piedosas Clarissas de Chambéry. Após mais algumas peregrinações o sudário chega em 1558 a Turim. Sendo depositado na santa capela anexa à catedral de S. João. Encontra-se lá ainda hoje sendo mostrado em algumas ocasiões nos séculos dezanove e vinte&lt;br /&gt;( continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Movilha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-6603608136316094017?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/6603608136316094017/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=6603608136316094017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6603608136316094017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6603608136316094017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/04/reflexao-pascal-morte-e-ressurreicao-o.html' title='REFLEXÃO PASCAL - MORTE E RESSURREIÇÃO- O SANTO SUDÁRIO ( PRIMEIRA PARTE)'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0neSR2vp3DI/Ta1dlCR-URI/AAAAAAAACvY/1VvW3qUtvxE/s72-c/O%2BSanto%2BSud%25C3%25A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-1274853530375936200</id><published>2011-03-18T15:18:00.006Z</published><updated>2011-03-18T18:31:58.691Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - VIII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-o_90G5ypZWk/TYN5IfyZmYI/AAAAAAAACuo/nCbx4nupf10/s1600/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 259px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585441149748353410" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-o_90G5ypZWk/TYN5IfyZmYI/AAAAAAAACuo/nCbx4nupf10/s320/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; As recordações que assolavam Yeruba relativas ao massacre nunca mais o abandonariam no decorrer da sua existência. Nos dias que se seguiram Berenice vestiu toda de branco, os cabelos murmuravam-lhe soltos como nas sopradas branduras do Vale de Tiropeão; da sua formosura davam as aves conta, levando paz nova das colinas até ao Tejo. Uma calmia de pomares rasgava a manhã. Uma pomba suavizou-se nas suas mãos arrulhando como no Templo. Recordou-a olhando o Oriente, as lágrimas a caírem-lhe como bálsamo virgem. Um lamento que ainda hoje o dilacerava: e que tinha ecoado tão pungente " Oh, Israel!... quantos dos teus filhos morreram mais uma vez por ti !..." Nunca mais os dias foram iguais para a comunidade judaica. A Diáspora continuaria: Isaac, Ruben e Berenice tinham partido naquelas caravelas, que tantas eram agora fundeadas nas águas do estuário. Mas de que servia Lisboa, princesa do Tejo, uma segunda Veneza onde se movimentavam os novos ricos da Renascença. Com o esplendor da Rua Nova dos Mercadores, com os seus comerciantes de ouro de Sofala, de prata do Japão, porcelanas, sedas e damascos da China, tecas e coiramas de Cochim; sândalo de Timor, gengibre e pimenta de Malaca, da canela de Ceilão, do benjoim, âmbar e lacas de Achem, do marfim da Guiné, das alcativas da Pérsia, das pérolas de Kolchar, dos estofos de Bengala, das madeiras do Brasil. Esta Rua Nova que era a marca não só de Lisboa, mas da opulência do país inteiro. uma babel de línguas; as oportunidades da prata castelhana, os mercadores genoveses, biscainhos, sevilhanos, ingleses, flamengos, árabes. Tudo procurava as especiarias raras e os produtos exóticos e vindos de longe. Tendas, bazares, lapidários, livreiros, cambistas, ceramistas, tapeceiros, joalheiros, douradores, perfumistas, ourives lavrantes. Era esta rua, conjuntamente com a Rua Nova de El-Rei e a Rua Nova dos Ferros o profuso passeio público onde tomavam cadeirinha as mais lindas mulheres de toda a península: fidalgos, cavaleiros, clérigos e frades, desembargadores e comendadores, moedeiros, tabeliães, bésteiros e soldados, e o povo anónimo. O tal povo que era o esteio nos assédios e já tinha suportado os dois cercos de Lisboa: homens de misteres; oleiros, carpinteiros, calafates, tecelões, peliteiros, cutileiros, carniceiros, alfagemes, tudo gostava , mesmo de fugida, de ver deste luxo todo, se caso fosse a sorte para o conserto de qualquer trabalho ocasional e um desfrute na Rua dos Ferros para ouvir os vendilhões de pregões, os ganhapães e almocreves, ver as piruetas dos negros e os moiros, gente de Alfama e da Mouraria, mulheres tangedoras e cantadeiras. As casas havia-as de sumptuosidade e elegância, arcarias cobertas com madeiras raras, obras de talha, ouro e pinturas de muitas cores. Disto diziam crónicas dos venezianos Tron e Lippomani e do nosso João de Barros e Damião de Góis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-spqTif6F5a8/TYN4YRLMvxI/AAAAAAAACuY/st_FbergQsM/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585440321192115986" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-spqTif6F5a8/TYN4YRLMvxI/AAAAAAAACuY/st_FbergQsM/s320/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sim, mas, de que servia tanta opulência e moeda, se a intolerância capeava!...Se o Senhor Rei D. Manuel I afastava os mais doutos da comunidade; os mais letrados, os mais afins na ciência, os mais ilustrados nas letras!..." - pensou num misto de acrescida tristeza Yeruba. Em breve ele partiria também para a Holanda e depois para a Turquia, países tolerantes aos judeus: tentaria alcançar os préstimos da família Gracia Mendes e do rabi Abraão Zacuto. A partida deste de Portugal, era a mais incompreendida das condutas que a Corte teve.Mestre Abrão Zacuto fora chamado à Corte ainda no tempo de D. João II e nomeado Astrónomo e Historiador Real, cargo que continuou até ao reinado de D. Manuel I, contribuindo muito para a demanda dos mares por parte dos portugueses. Criou um Astrolábio, feito pela primeira vez em ferro, em lugar de madeira; melhorou as Tábuas Astronómicas que contribuíram para uma mais segura forma de navegar. Permitiu isso a descoberta do Brasil e o caminho marítimo para a Índia. Ainda em Portugal publicou a obra Bi'ur Lu, em latim Almanach Perpetuum; continha as tábuas astronómicas para os anos de 1497 a 1500, beneficiando das mesmas Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral. Um outro membro da nossa comunidade que se distinguiu ao serviço da Coroa portuguesa, foi José Vizinho: traduziu do hebraico para português uma das principais obras de mestre Zacuto, o Almanach. Não obstante todos estes serviços, o Rei Venturoso não teve contemplações quando em 1496 ordenou a expulsão de todos os judeus que não adoptassem a religião Cristã, determinando de uma forma ardilosa que isto se fizesse a partir de Lisboa, mas com tão pouco tempo para esse intento, e falta de recursos, embarcações para o transporte; que milhares foram baptizados à força e convertidos em Cristãos Novos - Marranos. Abraão Zacuto recusou tal infâmia e partiu. Primeiramente em direcção ao norte de África, onde em Tunis começou a escrever a História Cronológica dos Judeus desde a criação até 1500, a que deu o título de " Sefer ha-Yuhasin". Deslocou-se depois para Constantinopla onde os judeus são bem aceites.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-CR7KkW2_cgM/TYN4-TtN8jI/AAAAAAAACug/DOTP2XOiQ2s/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585440974706700850" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-CR7KkW2_cgM/TYN4-TtN8jI/AAAAAAAACug/DOTP2XOiQ2s/s320/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-spqTif6F5a8/TYN4YRLMvxI/AAAAAAAACuY/st_FbergQsM/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partiria, então, nessa tarde, numa nau que o levaria à República Sereníssima de Veneza, de onde depois alcançaria Constantinopla. Iria juntar-se a Ysaac, Ruben e Berenice; como tinha saudades de Berenice!... Soube por mercadores deste navio holandez que vinha regularmente a Lisboa; que o bairro dos judeus na Soberana Porta era muito aprazível avistando-se um braço de mar que era o Bósforo, tão parecido com o Tejo que pareciam irmãos: logo ao lado havia uma comunidade Copta e outra Ortodoxa, não era muito longe da fortaleza de Bogazkesen mandada fazer pelo piedoso Mehmet o Conquistador; diziam que reinava agora lá o Sultão Bayezid , o santo, que era muito tolerante com as comunidades estrangeiras. Levantou ferro a nau para Veneza, Yeruba sentava-se entre as mercadorias acomodadas no convés, passaram no espraiar do rio avistando as três naus que partiriam em breve a levar os presentes ao Santo Papa Leão X, talvez na volta trouxessem indulgências, perdões que essa religião parecia ter criado para perdoar os pecados a troco de ouro. Yeruba olhou a colina que norteava a sua judiaria, a cornija branca onde subia e ficava a sonhar conjuntamente com Berenice. Lisboa não era a cidade do seu nascimento mas amava-a tanto como a Toledo. A tarde abeirava-se das estrelas, os panos enfunavam-se de vento bom, depois de demandarem alguns portos para descargas, em sete dias estariam na rainha do Adriático.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um lustro passado na cabotagem do Mar da Marmara, ali onde as pesadas correntes fechavam o Corno de Ouro, protegendo o sultanato; Yeruba ouviu de um mercador genovês que demandava o porto de Ostia: "que de uma luzida Embaixada enviada pelo rei de Portugal ao Papa, a mesma fora alvo de rude destino, de forte tempestade ao naufragar nos baixios já a vistas de terra. Salvaram-se animais raros: o elefante, a onça de caça, o cavalo árabe; afundando-se a tal raridade de animal, o Rhinoceros, o mais aguardado na Curia de Latrão. Havendo um alemão, artista gravador, de nome Albrecht Durer que logo fez retrato do bicho, que a julgar por tal couraça que o revestia, se compreende como foi ao fundo com tamanha facilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(último episódio)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-spqTif6F5a8/TYN4YRLMvxI/AAAAAAAACuY/st_FbergQsM/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-1274853530375936200?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/1274853530375936200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=1274853530375936200' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/1274853530375936200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/1274853530375936200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/03/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei_18.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - VIII'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-o_90G5ypZWk/TYN5IfyZmYI/AAAAAAAACuo/nCbx4nupf10/s72-c/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-5221227072683878385</id><published>2011-03-11T16:31:00.007Z</published><updated>2011-03-11T19:03:42.196Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - VII</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_OcHpmQXDeQ/TXpQK0QaKLI/AAAAAAAACuE/kz5eK_mYqpI/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 266px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582862834835531954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-_OcHpmQXDeQ/TXpQK0QaKLI/AAAAAAAACuE/kz5eK_mYqpI/s320/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Yeruba continuou com as suas recordações. Corria então o ano de 5266 do calendário Hebraico. 1506 do Cristão. Lisboa e outras terras do reino eram assoladas por rudes secas, não chovia desde há muito. O pão escasseava, a água tinha uma cor terrosa e fétida, os animais morriam definhando os seus restos putrefáctos a céu aberto; a pestilência atemorizava todo o povo. Os poderosos davam-se a ares campestres para evitar os miasmas das cloácas. No ano anterior tinha morrido algumas centenas de pessoas, ficavam hirtas, esquálidas, com uma cor negra na tez. A igreja já tinha encontrado explicação para estes males; atribuindo tudo aos afrontos que se faziam a Deus. Dos causadores se podiam apontar: moirama, negros, marinhagem ímpia de países não tementes e, judeus, eram estes últimos que mais culpas de maldade acarretavam desde há muito. Na Pascoela daquele Abril de 1506 a Igreja de São Domingos não tinha lugar para mais povo, os frades dominicanos Frei João Mocho e Frei Bernardo desdobravam-se no adro em proferir exaltações bíblicas, era preciso acontecer um milagre. O interior da igreja dava-se a uma penumbra sufocante; dos corpos exalava um suor macilento que cavava lugar entre rosmaninhos esparsos e perfumes de especiarias novas. Os rostos dos crentes descarnavam-se de acreditar na demorada e tardia piedade, como se, também, necessário fosse, ter um fero rictus de impudicia e reclamar sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lGQkxHw45aY/TXpPwAr-3CI/AAAAAAAACt8/dgBiT1ZorNU/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582862374315940898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-lGQkxHw45aY/TXpPwAr-3CI/AAAAAAAACt8/dgBiT1ZorNU/s320/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Com o declinar do Sol os vitrais emudeceram de plenitude de luz, e o lugar do Santuário apresentava uma penumbra mais intensa intercortada de quando em vez por reflexos mutáveis. Um frade acercou-se junto de destacado Crucifixo que encimava o altar. Aproximando um brandão com chama muito viva. Um outro mexeu naquela parecida " Gólgota" amovível e um fugaz e estranho brilho pareceu mostrar-se de cintilâncias. O milagre tinha acontecido: os frades ergueram os braços numa exaltação desmedida; para logo caírem de joelhos num soluçar atordoador e contagiante. « Milagre!...Milagre!... as gentes da frente rasgaram as vestes rojando-se ao solo. Um homem ficou esquecido de curvatura e de render graças celestiais: balbuciando para os vizinhos que tudo não passava de uma ilusão criada pelas circunstâncias. Ao ímpio saltaram os frades, esquecidos da benevolência cristã. Da multidão alguém grita: "Judeu!...Marrano!... matem-se todos  esses cães raivosos que escarnecem das coisas santas." Matem-se todos para que o nosso Santo Pai não nos dê mais martírios, por cada um que morrer é um dia de peste a menos..." As mãos procuram e erguem aquele ser indefeso, rasgam-lhe as vestes, encontram-lhe as carnes como facas que sabem do seu oficio. Jogam-no com ululância predadora, pendência sanguionolenta como pano abatido de ventos. Dentro da própria casa dos confortos do Céu, o sangue jorra. No adro a alma do pobre sacrificado é já um despego, o corpo uma massa informe de parecenças. Elevam-se os clamores na zona envolvente. O comércio da Betesga cerra panos. Os gritos de " Mata Judeu!...Mata Judeu!... ecoa como uma tempestade incontrolável. Frei João e Frei Bernardo caminhavam à frente da multidão incitando e brandindo com graves modos cristãos o lenho bento onde estava esculpida a imagem de Nosso Senhor. Quem desse morte aos judeus teria cem dias de absolvição dos pecados.&lt;br /&gt;Os ébrios babavam-se de incorporação de feras, afundando os punhais em tudo o que eram carnes assinaláveis. Os negros saltavam em piruetas dantescas tolhendo a fuga dos desesperados; manipulando piques e lanças. Os mais insensíveis dos criminosos corriam já dos acantonamentos náut&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-95PO8IDEPks/TXpPbGCNIVI/AAAAAAAACt0/0QHiM3iYh-c/s1600/PacoRibeira-%2BCasa%2Bda%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582862014974075218" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-95PO8IDEPks/TXpPbGCNIVI/AAAAAAAACt0/0QHiM3iYh-c/s320/PacoRibeira-%2BCasa%2Bda%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;icos e ribeirinhos, com machados de abordagem que fendiam crânios num dizimar sem resistência. Depois havia as inúmeras riquezas que diziam  os judeus eram possuidores; as mulheres lindas que se podiam esturpiar, nada poderia pôr limites à turba sob a divisa demoníaca. O Rei, longe, corria montaria nos penhascos beirões, o grosso das tropas estava a campo. Lisboa era um terreiro infernal. Duas enormes fogueiras no Rossio e na Ribeira das Naus maculavam de rastos negros a placidez das sete colinas, alimentando-se de madeira saqueada nas casas, Os corpos davam-lhe combustão empilhando-se nas enormes piras; contorcendo-se ainda num último estertor, espalhando um cheiro temeroso e impróprio à vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mestre José Vizinho, cartógrafo, vinha do Paço, o seu corcel passou a custo a Rua Nova, urgia avisar a judiaria. Ninguém podia calcular quantas vidas poderiam ser imoladas e quantos dias isto duraria. Yeruba lembrava a angustia que o conduziu ao encontro de Ruben e Isaac; urgia ir ao encontro de Berenice. Constava que o próprio João Rodrigues Mascarenhas, judeu, e de quem dependiam por tanta ajuda, que tinha o alto cargo de escudeiro do rei, tinha sido morto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já na judiaria e em casa, as portas foram trancadas, os móveis empilhados para susterem qualquer arremetida. O lugar secreto poderia pô-los ao abrigo da turba se a entrada fosse forçada. Teriam que mergulhar na enorme cisterna, sair do outro lado onde um patamar sobre a água e invisível da entrada lhes daria por enquanto segurança protectora. Ao segundo dia Yeruba saiu a indagar, subindo ao terraço, dizendo na volta que o fumo era mais espesso e negro; ouvia-se a turba nas imediações. Os corpos tremeram, as lágrimas rolaram, o que seria da vida de tanta gente indefesa? Quantos irmãos já teriam sido sacrificados? Ao quarto dia Yeruba aventurou-se a uma cornija que demandava de vista o Rossio. Os fumos tinham cessado. Muitas tropas a cavalo viam-se evoluir em várias direcções. A língua familiar fez-se ouvir na rua à mistura com um pranto que tinha a prática comedida de séculos de sofrimento. Falava-se em milhares de mortos, talvez nunca se soubesse verdadeiramente quantos foram sacrificados em nome de um aproveitado pretexto clerical, ignobilmente lançado à superstição popular e culpando os judeus de males que a Natureza regia: ignorância, maldade, crueldade e morte capearam sem detença três dias. A Sinagoga teve ofícios fúnebres permanentes: o " mishwah" a todos que necessitassem, infelizmente não poderia ser cumprido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-5221227072683878385?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/5221227072683878385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=5221227072683878385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5221227072683878385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5221227072683878385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/03/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - VII'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-_OcHpmQXDeQ/TXpQK0QaKLI/AAAAAAAACuE/kz5eK_mYqpI/s72-c/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-7036536516678830235</id><published>2011-02-25T12:14:00.006Z</published><updated>2011-02-25T16:56:55.876Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO -VI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BF2tg3KkYhg/TWefGKwNQRI/AAAAAAAACto/AIAfTMDo29o/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577601591836229906" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-BF2tg3KkYhg/TWefGKwNQRI/AAAAAAAACto/AIAfTMDo29o/s320/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Yeruba não estava ali para ver o fausto da luzida embaixada para Roma, nem para se deslumbrar com o exótico dos animais raros que iam ser embarcados. Como trabalhava na oficina de pintura e tipografia de Abraão Usque, sendo muito amigo de seu sobrinho Samuel Usque que também lá trabalhava. Vinha várias vezes ao reguengo do Restelo trazer desenhos de    arquitectura passados a limpo,desenhos que entregava ao mestre João de Castilho que tomava agora conta das obras da Igreja e Convento que se construía no Restelo. Aproveitava para falar a alguns do oficiais de cantarias que eram judeus portugueses. Estava ali no meio daquela multidão, a pensar em como era impreparada e rude aquela gente. De como eram surperticiosos e ávidos de culparem os judeus por todos os males incompreendidos. Na oficina de mestre Abrão Usque sabia-se muitas coisas da política do reino, o seu parente João Rodrigues Mascarenhas, judeu abastado que era escudeiro do rei, e que o tinha salvo e à família desde o decreto da expulsão, por vezes, com o resguardo necessário comentava com Usque, as más políticas de D. Manuel e a sua avidez pelo enriquecimento dos cofres da Coroa. A sua cedência às instâncias dos Reis Católicos; as exigências da princesa Isabel, e o tão dúbio que passou a ser D. Manuel em relação aos actos relacionados com os judeus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veio-lhe à mente novamente lembranças da sua Toledo natal. as conversas de fim de tarde entre odores de limões frescos de plantio nos contíguos da casa, da forma rude como o povo de Castela os tratava antes do édito da expulsão. Lembrava-lhe que havia escritos na Sinagoga de Toledo do violento Progrom de 1391 em que foram massacrados milhares de judeus em Castela e Aragão. Alargando-se a perseguição a todo o norte do reino; nenhum cristão podia entrar no  gueto: judeus e cristãos não podiam frequentar os mesmos banhos públicos. Nenhum católico podia trabalhar para um judeu. Não obstante esses martírios, isso  tinha servido para apurar mais a união de todo o povo aprofundando-lhe tendências místicas e messiânicas. A propagação do ensino cabalístico era um bálsamo sefardim que nunca iria acabar. Tão falsa memória e ingratidão dos reinos libertos e cristãos; sobretudo a partir destes anos de alvor novo. Os judeus eram desde o tempo dos árabes estimados e ocupavam cargos de grande relevo e importância. Floresceram ainda nos primeiros tempos da reconquista como artesãos, pequenos e grandes comerciantes, homens de leis, prestamistas e banqueiros, funcionários da corte, médicos eméritos, além da notável cultura e erudição da quase totalidade da comunidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r-FTkRx_M68/TWeek9Zz5kI/AAAAAAAACtg/P9X_1jwSu14/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 215px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577601021316949570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-r-FTkRx_M68/TWeek9Zz5kI/AAAAAAAACtg/P9X_1jwSu14/s320/D.%2BManuel%2BI.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r-FTkRx_M68/TWeek9Zz5kI/AAAAAAAACtg/P9X_1jwSu14/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r-FTkRx_M68/TWeek9Zz5kI/AAAAAAAACtg/P9X_1jwSu14/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1449 começa a vigorar a primeira lei de " limpeza de sangue", é proibido o acesso de descendentes de judeus a vários cargos, profissões e honras.Yeruba contava a Berenice, que não podia esquecer o quanto tudo foi tormentoso e amargo para o povo desde essas datas. Após a subida ao trono dos Reis Católicos Fernando e Isabel, tudo se tornou pior. Quantos dos que tiveram que ser marranos, convertidos na violência atemorizadora e imposta, eram levados de suas casas e acusados de " judaizarem"; continuarem a praticar em segredo a religião dos seus antepassados; " apostasiarem" o baptismo, pelo inventado pretexto de não sair fumo aos Sábados das suas chaminés. Em torres altas vigiavam os esbirros, o mais terrível dos inquisidores Tomás de Torquemada empalideceria a sanha dos seus predecessores Bernardo Gui e Eimerich. Estabelecendo quatro tribunais permanentes: Sevilha, Córdova, Jaen e Vila Real, transferindo logo este último para Toledo onde se afiguravam presas bem mais aliciantes de espólio rico a confiscar. Da grande influência que Torquemada tinha junto dos Reis Católicos, foi-lhe fácil manipular os Conselhos juntado-os, dando-lhe o nome de " La Suprema", formando-o por três conselheiros reais, dois assessores dominicanos e o próprio Torquemada como presidente. Os representantes reais tinham voz em todos os assuntos que se referiam à jurisdição dos soberanos, mas não em relação aos temas espirituais que, dependiam pela Bula Pontifícia ao Grande Inquisidor, tendo este a determinação da composição dos tribunais; as maneiras de interrogar, os mecanismos par evitar a astúcia dos denunciados, as regras para as prisões torturas e penas. Era então tudo cada vez mais difícil para mouros e para a comunidade judaica. Em torres altas vigiavam os esbirros dominicanos, fazendo o arrolamento do que os lares denunciados e seus habitantes podiam dar. Em breves horas enchiam-se os cárceres de lamentos e os cofres com&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577600128353159858" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s320/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; os bens confiscados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Yeruba, Berenice e Ruben ouviam tudo dos martírios do seu povo, eles próprios mártires e órfãos de pai ,mãe e ancestrais. Restava-lhes por vezes uma esperança de profético conforto  dos lugares da Cidade Santa, como no remanso das imaginadas águas de Siloé. Berenice ficava sempre cativa destas epopeias de sofrimento, e no fim das conversas voltava o seu formoso olhar para a cálida mansidão do Tejo, recordando  como todos tinham escapado ao cruel édito real do reino de Portugal, que determinava que todas as crianças judias com menos de catorze anos fossem tiradas às famílias e entregues a cristãos. Nestes seus anos de Lisboa viviam todos na alfaria, judiaria do Castelo, numa casa de João Rodrigues Mascarenhas, influente judeu, e ainda familiar que os tinha salvo de abandonar o reino em 1496. Também os ajudava muito D. Gracia Mendes que tinha uma casa e formosos laranjais em seu jardim, e que os deixava folgar de doces frutos. No espaço de quatro anos já tinham conhecido dois Reis: D. João II e D.Manuel I. Como familiar muito afastado tinham ainda Isaac que trabalhava o ferro como ninguém e tinha emprego na armaria real; Ruben que era aprendiz de ourives na oficina de mestre Gil Vicente. Ele, Yeruba, além de querer aprender o ofício na tipografia,com mestre Abraão Usque, queria seguir a tradição rabínica e ajudar na Sinagoga. Havia muita gente a falar o Ladino, a língua que lhes era mais comum. Na festa de Rosh Hashanah, tocava sempre o shofar, a trombeta feita com chifre de carneiro; gostava de ouvir os textos e orações relacionados com a análise dos actos que se faziam ao longo do ano. Os doces especiais dessa época: maçã com mel, romãs, como sinal de fartura, e abobara que significava " rasgar" e deitar fora as coisas velhas. E o Yom Kipur a cerimónia perante água corrente, com o significado de " deitar fora as coisas erradas e perdoar uns aos outros, lembrava a todos, e sempre; de perdoar a quem tanto mal nos tinha feito só por professarmos outra fé.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r-FTkRx_M68/TWeek9Zz5kI/AAAAAAAACtg/P9X_1jwSu14/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0iU-9OXpr9Q/TWedw-2pyrI/AAAAAAAACtU/U-ATONLMK-0/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-7036536516678830235?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/7036536516678830235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=7036536516678830235' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7036536516678830235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7036536516678830235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/02/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei_25.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO -VI'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BF2tg3KkYhg/TWefGKwNQRI/AAAAAAAACto/AIAfTMDo29o/s72-c/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-6791439413869828031</id><published>2011-02-19T15:16:00.006Z</published><updated>2011-02-19T17:50:05.488Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - V</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-b4BwawfqxmM/TV_hyhkCihI/AAAAAAAACtA/8Ea87fg0TrE/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575423121827203602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-b4BwawfqxmM/TV_hyhkCihI/AAAAAAAACtA/8Ea87fg0TrE/s320/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;«Vi que em Lisboa se alcançaram/ povo baixo e vilãos/ contra os novos cristãos/ mais de quatro mil mataram/ dos que ouvera nas mãos/ os deles queimaram/mininos espedaçaram/ fizeram grandes cruezas/ grandes roubos e vilezas/ em todos quantos acharam.» Garcia de Resende ( Crónica de D. João II e Miscelânea)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele Janeiro de 1514, prestes a que a Embaixada embarcasse com destino aos Estados Pontifícios. No meio daquela multidão que se agitava a cada vislumbre do aproximar dos fidalgos e dos animais exóticos que constituíam parte das prendas para o Papa Leão X. Estava um homem ainda jovem, um judeu de nome Yeruba, que não deixava de cativar no rosto quanta mágoa e desilusão lhe vinha à lembrança o que se tinha passado, e estava prestes a fazer dez anos, a terrível matança e crueldades nunca vistas perpetradas sobre o seu povo. E das muitas esperanças que o senhor Rei D. Manuel I parecia trazer aos expulsos dos Reinos de Castela e Aragão; e, que logo no princípio do seu reinado se revelaram amargas e cruéis para as gentes Mosaicas. Cedência para conquistar a princesa filha de Fernando e Isabel, os Reis Católicos, e mais tarde num planeado interesse de avultados proventos que podia usufruir de propalados tesouros de que eram detentores os judeus. D. Manuel I a tudo cedeu aos seus sogros. Tornando a vida do ordeiro povo hebraico em horas de verdadeira amargura e intranquilidade quanto às suas vidas. Yeruba pensava que muito daquele esplendor e riqueza que compunha a Embaixada, o pontifical maravilhoso para oferecer ao Papa, constituído, ao que diziam, por capa, manto, almântegas e frontal de brocado de peso, todo bordado, guarnecido de pérolas e pedrarias, e as inúmeras jóias de valor incalculável que o revestiam: teriam muito do apropriar dos valores que muitas das famílias judaicas foram obrigadas a entregar ao reino. Ali, só, entre aquela multidão barulhenta, lembrou a sua Toledo natal, e duas lágrimas deram-se ao vento frio daquela maré que no seu espraiar propiciaria o embarque muito em breve.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha agora 33 anos, viera para o reino de Portugal com 11 e por vezes era-lhe doloroso lembrar a terra em que tinha nascido e que tinha sido forçado a abandonar em 1492; ainda com os perfumes de uma adolescência graciosa. Lembrava-se que os dias tinham sido vertiginosos e aflitivos nesses quatro meses de prazo que o édito real tinha marcado para a expulsão de todos os judeus dos Reinos de Castela e Aragão. Acometia-lhe à mente os jardins frescos de odores cítricos, as águas cristalinas do Tagus; os estudos sacros, a sumptuosidade sagrada da mais bela das Sinagogas por todos reconhecida como ímpar. Onde há muito os seus ancestrais que ali tinham vivido professavam os rituais; por isso acudia-lhe dos ditos dos anciãos que falavam do tempo das inúmeras perseguições, delapidações de bens, dores , torturas e mortes que o seu povo sempre esteve sujeito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 215px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575422286256373154" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s320/D.%2BManuel%2BI.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha sido recentemente o Purim, festa das sortes, e esta partida significava também uma libertação de um jugo, talvez ao encontro de outro que os esperava no reino de Portugal. Nada mais podiam fazer. Tudo o que possuíam foi arrematado por meia dúzia de moedas: a vasta casa de divisórias arejadas e amplas, os móveis de madeiras finas e exóticas, os finos linhos fiados pelos ancestrais que ornamentavam os dias festivos, as escudelas votivas, as arcas do grão sagrado; as árvores de culto propiciatório. Nada tinha agora o carinho do sentimento e do afago. Os esbirros circulavam como aves negras , arremessavam-se ímpios de violência sarcástica; escarnecedores nas ofertas, minimizavam o proposto à avaliação. Tornando tão magra a amostra de moedas que o pranto era o único receptáculo ao que ficava para os gastos do amanhã. Ao trigésimo dia, acendiam ainda as estrelas uma pujança jovem e a alva engrossava-se de hinos do Hagadah; o rabi lembrava a saída do Egipto. Do seu porte patriarcal vivia o conforto do povo: era Abraão Zacuto, douto de sabedoria e cajado da multidão em caminhar com a vontade do seu Deus. O percurso era longo, um mar de famílias a perder de vista galgava poeiras de infortúnio, arrastando-se a si e aos parcos e únicos haveres que cabiam num quadrado de burel. As crianças choravam lembradas do berço distante, o leite das mães dava-se de pujança generosa na sombra dos ulmeiros, consolando os vagidos dos já entregues a Abraão. Um maná de esperança conduzia aquelas gentes a um novo destino, uma terra nova, desconhecida, que talvez encerrasse menos medos e intolerância.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jBK_bGCQi14/TV_f1s9GM7I/AAAAAAAACss/Dc-dNP46FHM/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 266px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575420977401443250" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jBK_bGCQi14/TV_f1s9GM7I/AAAAAAAACss/Dc-dNP46FHM/s320/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jBK_bGCQi14/TV_f1s9GM7I/AAAAAAAACss/Dc-dNP46FHM/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por vezes lembrava tudo isto com Berenice, a irmã do meio, aquela por quem sentia uma aproximação maior e com quem folgava de jogos adolescentes, canções e contares de lendas tiradas do Livro. O seu nome homenageava uma das mais belas princesas judias, Berenice, - o estudioso Basaías dizia-lhe que o seu nome significava " portadora da vitória" -, a vitória que um dia alcançariam contra a intolerância e a crueldade perseguidora de outros povos. Da comparação do nome adoptado, tinha também atributos de uma pele morena, uns olhos negros e profundos, uns cabelos cor das aves dos jardins de Arimateia; um porte donairoso e encantador onde sobressaia um sorriso cândido e pérolado. O seu nome lembrava, ainda, uma data de luto e dor que se associava à destruição do Sagrado Templo de Jerusalém, e a entrega dessa outra formosa princesa a um imperador pagão de nome Tito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava também de ouvir o seu primo Ruben contar-lhe narrativas do Sibbud, a volta ao mundo, o livro maravilhoso escrito pelo rabi Benjamim, de que descendiam. Ruben fazia versos e ansiava estudar o " piyyut", poesia religiosa inserida no ofício da oração. Admirava poetas como Salomão ibn Gabirol, Issac ibn Ghayyat, Moisés ibn Ezna, Yehudá ha-Levi. Dizia que havia de ser como o grande poeta Yehuda Halevi. A antiga história da comunidade Kazare fascinava-o, as tentativas sefardim de escrever cartas aos seus irmãos da Ásia, a intenção de reunião com as comunidades longínquas, as dez tribos que deviam viver para lá de Sambation; junto a um rio caudaloso que separava a Europa da Ásia. Isto pronunciava por vezes a Ruben entusiasmos desmedidos de a breve trecho partir em viagem. Constava ainda que nessas paragens reinaram monarcas que tinham honrado nomes hebraicos: Isaac, Chanuca, Nissim, Benjamim, Menasse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; Quem dera ir ao encontro deles naquelas naus, mas com os seus e o seu povo, libertando os animais que também eram jugo do homem; repartindo as riquezas por quem precisasse. Fazendo preces junto à vastidão do Templo, implorando por todos os que tinham morrido , lembrando o Yom Hazikaron - Dia em que Deus se recorda das suas criaturas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jBK_bGCQi14/TV_f1s9GM7I/AAAAAAAACss/Dc-dNP46FHM/s1600/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EGwbcyqCf0U/TV_hB40bfaI/AAAAAAAACs4/mFKKtNigO_w/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-6791439413869828031?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/6791439413869828031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=6791439413869828031' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6791439413869828031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6791439413869828031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/02/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei_19.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - V'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-b4BwawfqxmM/TV_hyhkCihI/AAAAAAAACtA/8Ea87fg0TrE/s72-c/Progrom%2Bde%2BLisboa%2B-1506.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-6971523464933118694</id><published>2011-02-10T15:37:00.005Z</published><updated>2011-02-10T17:23:11.795Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - IV</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KD1AhvdCF2E/TVQGvWqm_MI/AAAAAAAACsg/w8VBbn1ftQc/s1600/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 259px; FLOAT: left; HEIGHT: 194px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572086049572060354" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-KD1AhvdCF2E/TVQGvWqm_MI/AAAAAAAACsg/w8VBbn1ftQc/s320/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Pensavam estes tais sábios, assim chamados, ter igual êxito com a mítica pedra, junto à fidalguia portuguesa, dadas as abastanças das casas da Índia e Ceuta, e das lautas bolsas que se começavam a confortar desmedidamente com as mercadorias vindas das terras que Deus nosso Senhor tinha dado a Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dessa abundância se fazia uso, gastando-se em mobiliário palaciano e extravagâncias, bebendo-se em taças que lembravam Apício, guardando-se licores em vidros oriundos da Sereníssima que ornavam madeiras perfumadas. Abandonando as carruagens, fazia-se prática caminheira com séquito mais numeroso, imitando o que se via nas estampas trazidas de Itália; rodeando-se os senhores de negrinhos que vestiam douradas e incomodas librés, para em abanares de plumas sacudirem a canícula e as pestilências dos despejos do caneco que se ofereciam a céu aberto em qualquer beco incontornável à progressão intentada. Indagavam os físicos primeiro que tudo dos proventos das especiarias e do avultar dos títulos dos brasões de quem teriam que abordar. Depois das intrigas, dos ódios mais tenazes e antigos instalados; dos maridos flácidos de ofício que era preciso descartar, seguindo-se; para atemorizar, algumas conferencias nos salões onde era feita a descrição do rol dos inúmeros venenos que podiam apagar em segundos qualquer altivo olhar palaciano. Tudo como possíveis manipulados pelos inimigos para abate do rival elegido; e, das convulsões aterradoras que os mesmos produziriam até à morte. Para encenar todo o número faziam-se acompanhar por cooptados pajens que a dada altura bebiam os falsos arsénicos vertidos no fundo secreto do artístico vidro de Murano que era tirado de adamada bolsa de cor indigo. Para mais impressionar, ostentavam os jovens rasgado sorriso e tranquila e folgada pose; ignorando com desdém a cobaia galinácea que jazia inertes só por duas gotas da mortífera beberagem saída de outra divisória, nem sequer esboçando convulsões, tal a força das malfadadas poções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram então mostradas a mais famosas pedras guardadas em bolsas veludinas, desfilando para amostragem entre as filas da assembleia aristocrática, tudo numa amostragem para primeiras escolhas dos realmente ricos. A par das mesmas um exemplar perfeito de taça mostrava do lugar da dissimulação, onde se incrustava a dita e poderosa pedra. Era ainda o exterior ornado de lavrados traços cabalísticos, a perfeição protectora contra dez amantes enciumados e ainda para reforço a todas as tentações doutros fluídos mais íntimos, vertidos no seu interior. Por todas estas propriedades; no dizer destes meio mesmeristas, ocasionava o não haver moedas suficientes para que a pudessem comprar, além de ter pertencido a um cardeal da casa de Alexandre Bórgia, que a tinha perdido ao jogo por uma formosa cortesã com palácio perto da ponte Milvia.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LIrlxnWpz7Y/TVQGiZXyQLI/AAAAAAAACsY/HOX68ihC4As/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572085826960113842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-LIrlxnWpz7Y/TVQGiZXyQLI/AAAAAAAACsY/HOX68ihC4As/s320/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terminava o divulgador sarau destinado à mais alta fidalguia, aferindo-se de tal que muito tinha sido o trabalho daquela garbosa pena de bico de ouro, pois o pergaminho das encomendas quase não podia conter mais nomes. Reservando-se, tudo indicava, por tal procura e também para a moedagem dos arruinados, qualquer um bem formado seixo colhido ali debaixo dos pés naquele reguengo do Restelo. Que já indicava da boa maré que se aprontava, distendendo-se o cordame entre os passadouros da gávea e na tracção do mastro principal se apoiaria a força que iria içar tanta tonelagem. Estava o elefante inquieto daquela azafama e por ter o Ganga por perto, este dentro de reforçada jaula que devia ter mais de ferraria que todo o Aljube junto; assentando tudo aquilo num estrado com doze rodas que chiavam constantemente apesar do ensebar generoso nos seus eixos. Atirava-se o bicho, incomodado com tanto bulicio das gentes, contra a gradaria; arredando aquela gente mais perto, temerosa da força do colosso. Fez a guarda a cavalo um largo corredor até á embocadura da nau, tendo de atirar garupas à plebe para que isso fosse conseguido. Foi primeiro o Elefante, galgando grosso vigamento até ao tombadilho. Foi depois a jaula do Ganga, fazendo com que este começasse logo a resfolgar e a dar medonhas babas; sacudindo as ferrarias, ameaçando pulverizar as grades da jaula. Não dando pausa ao mais grosso do cordame que gemia ameaçando partir-se a qualquer instante e antes de pousar no centro do bojo da nau. No sereno do rio, em barcaça engalanada, não muito longe, o rei observava os preparos da partida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era então esta azáfama, preocupação para Tristão da Cunha encarregado de fazer cumprir a oferta do Senhor Rei de Portugal D. Manuel I. Entre tantos valores em ouro e pedrarias, mais as raridades dos exóticos animais, tudo devia ter guarda desvelada até às mármores de Laterão e a vistas do Santo Vigário de Cristo na Terra o papa Leão X; este Médice que teria proclamado nesse Março de 1513 ao ser eleito: « Deus deu-nos o Papado - gozemo-lo.» Um italiano da representação dos Estados Pontifícios, que de Portugal acompanharia esta embaixada, contava que nunca o ouro dos cofres pontificais tinha sido tanto, e que na festa de investidura do " Sacro Possesso" os ornados e luxos da via processional entre o Vaticano e Leterão faziam esquecer os faustos de Alexandre Bórgia; gastando-se num ano de pontificado um nono do fabuloso tesouro que Júlio II tinha deixado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;br /&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-6971523464933118694?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/6971523464933118694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=6971523464933118694' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6971523464933118694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/6971523464933118694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/02/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei_10.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - IV'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-KD1AhvdCF2E/TVQGvWqm_MI/AAAAAAAACsg/w8VBbn1ftQc/s72-c/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2852558448021952322</id><published>2011-02-03T16:11:00.011Z</published><updated>2011-02-04T15:33:43.301Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrufPHcGCI/AAAAAAAACr8/4-Qe0WcREu4/s1600/Elefante%2BBranco.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 224px; FLOAT: left; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569526109598128162" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrufPHcGCI/AAAAAAAACr8/4-Qe0WcREu4/s320/Elefante%2BBranco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrfDToPutI/AAAAAAAACrw/xqBr_eMxsuU/s1600/Rinoceronte%2B-%2BAlbrecht%2BDurer"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569509137098717906" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrfDToPutI/AAAAAAAACrw/xqBr_eMxsuU/s320/Rinoceronte%2B-%2BAlbrecht%2BDurer" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quando as finadas inclemências do Sol mais vivo faziam despontar as sombras mais alargadas do torreão maior, tornando mais idosa a tarde; cobria-se de alguma frescura a quase totalidade da cerca prisioneira, dando-se por tal condição o bicho a alívios demorados que se traduziam em horas de estrume; logo aprontado jogo foi inventado para recreio da plebe mais presente de olhares. Selando-se apostas entre risadas inumanas dos mais ébrios. Para comparação a esses e outros despejos, se opunha outra facção citando os mais pujantes animais de casco e ruminâncias conhecidos no reino; combinando-se a entradas do poente, olhar da empinadura da bosta, e da mesma avaliada, logo foi dada como coisa nunca imaginada, rendendo-se até os mais experientes dos palafreneiros; vitoriando-se logo que ganhava largamente em volume a dez cavalos de bom porte dos Valenças.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quis um dia D. Manuel testar a bravura destes animais exóticos que em tão boa hora Afonso de Albuquerque tinha mandado para o reino.Pendia o rei com mais alarde para a raridade do rinoceronte, já que de elefantes somavam-se cinco. Logo pensou num singular combate que pusesse frente a frente o mais corpulento dos elefantes e o rinoceronte. Propondo à fidalguia apostas na bravura de um dos ganhadores. Na cerca feita no terreiro adjacente à Casa das Índias, onde eram os cómodos dos colossos, tudo se preparou para o espectante combate: ocorre muito povo para quem os bichos eram já vistas familiares, atraindo outras gentes que desciam da moirama até Xabregas. Ao avistar o seu tradicional inimigo, resfolga o maior dos paquidermes agitando a tromba e soltando bramidos que se deviam ouvir no reguengo do Jamor, pois no seu meio natural não se encontrariam frente a frente. O colosso mais rasteiro encurvou a poderosa cabeça prestou aquele aríete até às poeiras que a raspagem dos seus cascos faziam no terreiro e fez menção de investir. Os conarcas incentivavam as ciclópicas criaturas a arremeter uma contra a outra. O Rei ria, a fidalguia ria, o povo debruçava-se perigosamente nas pedras e madeirame daquela arena de inspiração romana, tomando partido por um e outro animal.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A um manifesto avanço do rinoceronte fica o pouco belicoso paquiderme em pânico dando grosso safanão na corrente que o prendia ao pesado marco de pedra. Arrancando o mesmo e partindo à desfilada para os lados da vulnerabilidade da cerca. Ficou a turba empoleirada tão assustada, que num gesto de fuga caiu dos seus lugares fronteiros, uns por cima dos outros sem tacto ou propósito; tantas mazelas que os Agostinhos levaram dias a curar cabeças fendidas e outras feridas que quis Santa Luzia não fossem mais graves para outros olhares futuros.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fica o rei Venturoso muito contente de ter ganho as suas apostas com os fidalgos do Paço e de somar ao exótico do Ganga este teste de bravura. Pensando que podia seguramente enviá-lo no conjunto de presentes que deslumbraria Sua Santidade, para o que mandaria luzida embaixada a Roma comandada por Tristão da Cunha. Depois deste acontecimento, aumentaram os contares visionários sobre o Ganga, e muitos virtuosos logo ilustraram versos vendidos por aleijadinhos, dizendo que a tamanho prodígio se dera caça em confins das terras do tal Rei Prestes João; dando-se a tremores o gentio dessas terras até aos de mais negras peles, que muitos eram em Lisboa, reverenciando aquele poderoso senhor das savanas a quem no idioma das suas compreensões chamavam o tal nome Ganga. Passado tempo: em deslumbramentos continuados vinham as gentes de muitas léguas e mudares de luas, do além da cerca Fernandina, engrossando a Rua Nova dos Mercadores como formigão em carreiro, tudo para ver os aprontos do embarque decretado pelo Senhor Rei D. Manuel I.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Para abaladas da Onça de caça, do Elefante, e deste raro animal nunca mais esquecido. Esperava o velame no mais solene dos portos que dera ao mar Gama e outros gloriosos capitães. Logo pela alva movimentava-se tudo o que de nome humano havia, na ânsia das melhores vistas: desde os empoleirados nos pedregulhos informes que começavam a alicerçar a futura torre; aos irmanados de todas as raças que lá viviam e outros que se deslocaram ao reguengo do Restelo, povoando-se as margens das marés em mais de meia légua. Sendo toda esta gente desde os trazidos de Safim e Azamor a negrinhos da costa da Boa Esperança; indostânicos acobreados e timidamente os perseguidos da religião Mosaica, temerosos por causa dos futuros esbirros já a práticas para ingresso dali a três décadas no Santo Ofício que o Rei seguinte a D. Manuel pediria para ser instituído no reino.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um pequeno grupo de Jainistas contrariava barulhentos e estaladiços esgares de uma chusma de negros pigmeus das terras do primeiro Padrão; que com dentes agudíssimos transbordavam salivas de cobiça a tão comestíveis e fornidas carnes que viriam a embarque. Dois homens vestidos de negro faziam comparações entre a raridade dos Sirénios e a do Rinoceronte, que um desenhava preocupadamente em larga folha, tomando apontamentos anatómicos do que parecia ser o possível tamanho e localização duma misteriosa pedra , chamada de Bezoar, que porventura também o bandulho do Ganga albergaria.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Eram físicos Vienenses que percorriam as Cortes europeias com fins de fazer esquecer, no seu dizer, a medicina paracelsica. Vinham da nação de Carlos V, onde diziam que tinham realizado enaltecidos prodígios, entusiasmando os pares da alta nobreza, tentando demonstrar-lhe a raridade desta criada pedra nas entranhas dos mais raros dos animais, pedra que ao ser incrustada artisticamente na mais preferida das taças de libações, captaria o mais torpe e forte dos venenos ministrados por traiçoeira mão.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ouvem-se agitados falares nos empoleirados a título de gageiros; o cortejo para embarque aproximava-se. Tudo era cativo de ver aqueles colossos entrar e acomodar-se na sombra do velame, indo depois navegar tanto mar.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;( continua)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;José Movilha&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrVG30IueI/AAAAAAAACrE/_O13bcxFZHM/s1600/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2852558448021952322?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2852558448021952322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2852558448021952322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2852558448021952322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2852558448021952322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/02/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - III'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUrufPHcGCI/AAAAAAAACr8/4-Qe0WcREu4/s72-c/Elefante%2BBranco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2326891793368827384</id><published>2011-01-27T16:07:00.009Z</published><updated>2011-01-27T19:22:41.098Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO-II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGaA4VlneI/AAAAAAAACqs/o_ezCUy5ERA/s1600/D.%2BManuel%2BI.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 215px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566899954320252386" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGaA4VlneI/AAAAAAAACqs/o_ezCUy5ERA/s320/D.%2BManuel%2BI.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pasmavam-se as gentes das descargas das especiarias para a Casa das Índias, e as outras que faziam do rio o seu pão. Os elefantes saiam da água tomando da firmeza do solo toda a justeza do seu porte. Os negrinhos balançavam-se no enleio dos poderosos apêndices resfolgantes, seguravam-se ao marfim como se cadeira de antepassado régulo se tratasse. Os seus dentes alvos resplandeciam envoltos naquelas pregas cinzentas ainda terrosas do recreio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O prodígio era ver os colossos tomar do chão as levezas risonhas e obedientemente com cuidados amigos colocá-los escarrachados por detrás das cabeças. Dir-se-ia que nada albergavam no seu dorso tal a desporpoção. No entanto a hábil vara de junco, de permeio com a linguagem gutural, tocavam com sábia intenção o local dos acordes da progressão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ao anuncio das trombetas, charamelas e atabales, davam eco à passagem do Senhor Rei Venturoso vindo da Rua Nova d'El Rey, no seu cavalo ajaezado de finos arreios de moda florentina , rodeado da flor fidalga do Paço; tudo com muita pompa e admiração, olhando-o as gentes montado num cavalo árabe de pelagem cor das nuvens de Trebizonda, acobertado da mais lustrosa gualdrapa ornamental em bordados a oiro e anil; destacando-se a coroa cor rubi no contraste de tanta alvura entre a chanfra e a garupa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre a mesma e o dorso equilibrava-se esbelto animal de pelagem pintalgada, uma onça de caça, um e outro animal presentes do Rei de Ormuz. Deste felino grande maravilhava-se tudo o que era gente que tinha a dita de estar presente quando o Senhor D. Manuel mandava fazer correr a domesticada fera; e, dos tirantes de coiro que lhe cingiam as musculadas espáduas, de onde saiam as guias que se ligavam à sela do mais corredor dos corcéis árabes: se dava inicio a tropel faiscante pela Rua dos Mercadores em direcção ao Convento de Xabregas; chegando-se a pendões de final agitados pelos pajens, com o ágil bicho à frente de todas as finas cavalgaduras; pois talvez, nem o vento corresse tanto. Rebentava tudo em fortes aplausos e vivas: e da equipagem um homem sobressaia em apreciações mais artísticas; era Mestre Gil Vicente abraçando grosso rolo de pergaminho onde figuravam riscados desenhos e anotações de tudo o que eram coisas prodigiosas. Para que dali a anos pudesse maravilhar o Paço com o seu teatro e espectáculos mitológicos, aquando da entrada em Lisboa de D. Manuel e D. Leonor sua terceira esposa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Respirava já o animal com tão serenado ânimo, que El Rei com um pico de alabarda lhe chegou a faros vermelho quinhão do melhor do quarto traseiro de rês de boa pastagem. Ao que num contido abocanhar, até algo desvelado a principio; se voltou o instinto daquele gato grande a despedaçar a carne entre os dentes, que se da rataria fizesse sortida para alimento, de tais nocivos bichos estaria a salvo o Celeiro do Povo e o casario do reino. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZScFn7wI/AAAAAAAACqc/OCgposO_lQA/s1600/os%2BElefantes.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 274px; FLOAT: left; HEIGHT: 184px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566899156463120130" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZScFn7wI/AAAAAAAACqc/OCgposO_lQA/s320/os%2BElefantes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando todo este luzido cortejo passava, perdendo-se o som já a Oriente das muralhas Fernandinas. abalavam muitas gentes pra o reguengo do Restelo, para ver os arrumes de tanta pedra para a casa dos Jerónimos. E da mesma já se fazia conta para outra tamanha perpetuação a construir; a Torre que se chamaria de Belém, pela qual já outrora D. João II ansiava, para tranquilidade avistável às sortidas do corso berbere. O traçado, de cunho militar, seria entregue ao iniciado luso Mestre Arruda, dando-se assim aprontos para aformoseado baluarte de vigia e de defesa, que das águas nasceria em limites de quadratura branca e implorada aos céus. Lavrados de cinzel nos merlões entre as ameias, ornadas da Cruz Redentora da nova Ordem de Cristo. Guaritas de muita estratégia aos velames do horizonte, cumes com rematados fechos inspirados numa outra arte de uma outra religião do livro, que tão bem edificou cornijas e minaretes. Havia lá de cumprir-se, do mais alto do seu piso, nas noites em que a Lua esquecia de aparecer, lumes maiores do que aqueles que Alexandre teria feito na Anatólia; indicador para avistada e ansiada bonança aos lemes. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZlB3Gu0I/AAAAAAAACqk/_gg_V-QvvAU/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566899475840416578" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZlB3Gu0I/AAAAAAAACqk/_gg_V-QvvAU/s320/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZScFn7wI/AAAAAAAACqc/OCgposO_lQA/s1600/os%2BElefantes.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cumpriam-se a chegada das Caravelas de bojo ainda espraiado do Atlântico; e de beijo às nereides do Tejo. Nos ornados de cordame de tão insigne estilo, ainda lugar para maravilhas esculpidas de fauna Indostânica, onde as paredes se quinam ficaria a marca do Ganga; o mítico animal perpetuado em olhares ao nascer da maresia. Imaginário de carnes de peso nunca visto, que um dia dali tinha partido para oferta a um Papa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Juntamente com um elefante branco, dos seis vindos, era o Rinoceronte( Ganga), assim chamado pelas gentes do Indostão, que em vida mais povo boquiaberto atraia para junto do Paço Real. Das várias jaulas, a sua tremia de rangeres incomparáveis pondo a gentalha nas longas horas que o dia permitia a ver os movimentos e os resfolgos de tão gigantesco ser. De corno maior do que proa de navio turcomano, patas da grossura de palmeira velha, com três dedos em cascos que fustigavam a terra e cobriam os ares de poeira avermelhada; palhada escolhida vinda das planuras do Alcácer além rio. Recreava-se em pastoreios o colosso sem dobrar aquela enorme cabeça, que redicularizava multidões de aríetes. Aprontando gorda segadeira com os dentes, colhendo o jovial feno em gulas brandas e demoradas como mó que de triturar tempo tem, mas que não pareciam ter fim; e, que deixavam seguramente os caprinos das pastagens da Cerca Moura, como inofensivos aprendizes da arte do ruminar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGZlB3Gu0I/AAAAAAAACqk/_gg_V-QvvAU/s1600/Caravelas%2Bpara%2Ba%2B%25C3%258Dndia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2326891793368827384?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2326891793368827384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2326891793368827384' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2326891793368827384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2326891793368827384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/01/do-lembrado-tempo-do-senhor-rei.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO-II'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TUGaA4VlneI/AAAAAAAACqs/o_ezCUy5ERA/s72-c/D.%2BManuel%2BI.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8313484714515942987</id><published>2011-01-20T11:29:00.008Z</published><updated>2011-01-27T16:05:19.006Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HISTÓRIA E FICÇÃO'/><title type='text'>DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - I</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTglm4rGH4I/AAAAAAAACqQ/ke6-VR3RztA/s1600/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; FLOAT: left; HEIGHT: 259px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564238689594646402" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTglm4rGH4I/AAAAAAAACqQ/ke6-VR3RztA/s320/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;N&lt;/span&gt;essas noites, nos austeros cómodos feitos de madeira, as confrarias operativas esperavam a alva. Bebiam com o olhar o prateado do Tagus, e nas línguas estranhas que falavam vindas do lugar de arregimentação, destes terços do cinzel; evocavam-se arcos de Gisors, labirintos de Chartres, bastiões esforçados de Montségur, e sinais nas entranhas das cavernas de Sabhartès, trasnfigurando-se no contar evocações de marcos caminheiros nas rotas do divino no pico de Saint-Barthélémy; e, em tanto mistério clareavam ao luar as brancuras para as finalizações sacras, as pedras de numerações crípticas, só do saber dos Mestres Maços .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No fundo das arcas guardadoras, desgastados panos da Flandres, que protegiam livros antigos, cópias imemoriais da Phaenomena de Aratus onde se detalhavam em cunho versificante 48 constelações conhecidas três séculos a.C. . A tradução de Ptolomeu, vertida para o árabe, com o nome de Almagesto, comparando-se o luzir dos trânsitos celestes com a planta do futuro Mosteiro. Encontrando-se a Raposa entre o Cisne e a Águia; o Leão Menor entre a Ursa Maior e o Leão. Orientando-se os traços mais requeridos pelos propícios das estrelas na emblemática de Hiran: aguardando-se o nascer da alva para o início dos trabalhos, onde o esquadro e o compasso marcariam os progressos rumo ao prumo final que aporia o sinete dos mistérios nas pedras para todo o sempre. Vencendo as Estações, os principais mestres, todos de outros reinos, rodeando-se dos seus oficiais , iguais na prática dos traçados, dialogavam em biscainho e no francês de Boitaca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo se aprontaria em mais progressivos Sóis de alguns lustres, para se erguer, por ordenamento régio, também, de quem foi Mestre da Ordem de Cristo; o lapidar de um reinado que se chamaria Manuelino. Legando-se tamanha glória votiva, por tal vontade, ao empenho do zelo monástico Jerónimo, elevando-se para todo o sempre oferendas de litanias ao Redentor, por todos os séculos qu&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTgeZQm8WUI/AAAAAAAACp8/bGfnKM5boWk/s1600/naus.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 189px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564230758920116546" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTgeZQm8WUI/AAAAAAAACp8/bGfnKM5boWk/s320/naus.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;e haveriam de vir. Não tinha este Senhor Rei algo de desígnios divinos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha nascido no dia da procissão do Corpo de Deus, culto instituído a partir do testemunho da monja Santa Juliana, que por graças dos céus viu aparições na Sagrada Óstia; e, do reconhecimento da mensagem divina deste sinal, ordenou-se decretado fim por Urbano IV: que a partir desse momento se celebrasse sagrada e luzida procissão, a de todas a maior, que se fizesse em terras de cristandade, organizando-se cerimonial elevado do apronto das vestes pias, pendões das confrarias com alusões aos mistérios e chamada sacerdotal de todos os conventuais nas ruas desta Lisboa, para cativo das multidões do reino. Desta entrega de preces que se fazia há décadas como coisa nunca vista de esplendor, só um ano foi igualada em piedade de gentes presentes: a transladação dos ossos do mártir Infante D. Fernando, muito querido e Luso Santo. Juntando-se tanto povoléu nas estreitas ruas da Porta de Santa Catarina ao Mosteiro do Salvador, que se abateram dois balcões entre ruas, carregados de gente familiar dos das casas. Originando tal despropósito de madeiras quebradas e a morte de dois mouros de Açamor, que cativos por capitão de Nau, tinham libertado correntes e faziam parte da criadagem de rico comerciante que ali morava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seguravam estas afastadas almas, por debaixo do passadiço, pesado pendão com a efígie de Cristo tomada por Verónica, e tão apáticos de fervor cristão que mais pareciam estátuas. Do infausto abatimento, ficaram os ainda infiéis, ao momento, embrulhados no rico tecido e com os destroços por cima a mortificarem-lhe as carnes comprimidas. Por combate ao entulhamemto se entregou tudo o que era gente disponível, e de pasmo milagreiro tudo emudeceu em olhares aos jazentes. Se davam os dois corpos por ausência de sangue visto, e abraçados mitigavam-se no que parecia ser a entrega a outro paraíso; serenamente lembravam dormir nas barbas supliciadas do Senhor Crucificado. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTgdn9jpouI/AAAAAAAACp0/-xH0LWl1S2Y/s1600/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 259px; FLOAT: left; HEIGHT: 194px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564229911992443618" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTgdn9jpouI/AAAAAAAACp0/-xH0LWl1S2Y/s320/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Logo aquela bonomia seráfica tomada dos rostos dos infelizes em honra de tanta reza e ares de rosmaninho; evocou a quem lembranças tinha de trejeitos de tão rudes compostos dos beiços feitos em vida, e a todos tocou por milagre do que a vista via. Tal ocasionou logo se tomar por acontecida intercessão a tão próxima presença dos ossos do Infante Mártir, parados ali bem perto. Pelo que dois lentes canónicos dos Agostinhos, que tinham sido expulsos da rigidez dos Inacianos, por em tudo verem milagres, se aproveitaram para proclamar a sua inclinação incomprendida, e de pronto disseram que aos negritos do Magreb se desse vala comum em cemitério cristão;e, nas mais de trinta procissões anuais nos anos da graça desta Lisboa de tão famoso reino, se pregasse deste milagre, e que até nos Autos que funcionasse o garrote e aos condenados a vestes do sambenito, se dissesse de como todos podem ser acolhidos nos céus, pois por vontade pedida ao Altíssimo pelo Santo Infante Fernando, estavam perdoados. Ordenando-se por vontade real, após este dilacerante acontecimento, o derrubar de quantos maus e construídos balcões e sacadas haviam sido feitos e ganhos ao espaço público, e para prevenir derrocadas funestas, que se desta vez a fero mouro deram tristeza, de uma vez próxima a cristão levariam o pesar, pois nem sempre os santinhos tudo podem vigiar acautelando os da casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desta época de tantos milagres, dizia o povo, que mais este se devia à presença de D. Manuel no trono; pois era o nono na sucessão à coroa, e o primeiro rei cristão da Europa a receber animais que também Deus criou e com certeza não mostrava a qualquer monarca. Aqueles outros animais que tinham vindo nas naus do último lustro, com umas orelhas que afugentavam o moscame a léguas, tromba dez vezes mais grossa que cordame da Bérrio; que lançavam sonoros bramidos mais fortes que avisos de cem búzios tocados à aproximação das naus do Bei. Maravilhavam, ainda, estes cinco pachorrentos animais pela docilidade e algum bom humor, em habilidades obedecidas a negrinhos delgados como juncos, que os tocavam com uma pequena vara; e, desse entendimento tão prodigioso os agarravam os colossos, arrancando-os mansamente do chão com a tal dita tromba, colocando-os escarrachados por detrás da cabeça, para conduções mais velozes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desaparecendo estes entre o assento de rugosa pele de palaquim natural, com as suas pernas a esconderem-se por detrás daqueles escudos sempre em abanos repenicados e em forma de parras gigantes. As marés de feição, com o rio no mais espraiado do seu espreguiçar, tudo parava da cabotagem das pimentas, para ver o banho dos corpulentos animais. E submergiam-se as peles escuras baixando os meninos até onde a água já só deixava ver as cabeças. Afastando-se, estes, depois a nado até à margem, atirando com as mãos chuvas de água; incitando o recreio, agora só próprio a toneladas, com gritos e sonoridades que só eles mutuamente conheciam. E que logo se faziam sentir, revoltando-se as lamas do aluvião, prensadas por balanços e equilíbrios rodopiados como nunca se vira. Sorvendo-se as águas para longe, barrentas de dar prazer, até o tempo passar e o caminho ser um serenar de resfolgos em terra firme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé Movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTgdn9jpouI/AAAAAAAACp0/-xH0LWl1S2Y/s1600/Mosteiro%2Bdos%2BJer%25C3%25B3nimos.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8313484714515942987?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8313484714515942987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8313484714515942987' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8313484714515942987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8313484714515942987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2011/01/do-lembrado-tempo-de-senhor-rei.html' title='DO LEMBRADO TEMPO DO SENHOR REI VENTUROSO - I'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TTglm4rGH4I/AAAAAAAACqQ/ke6-VR3RztA/s72-c/As%2BVis%25C3%25B5es%2Bde%2BD.Manuel%2BI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-2084004177356916563</id><published>2010-11-28T14:27:00.005Z</published><updated>2010-11-28T16:47:22.006Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='BIOGRAFIAS E EFEMÉRIDES'/><title type='text'>Leon Tolstoi - Cem anos da morte de um Mestre Universal das Letras</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnkVIXUyI/AAAAAAAACdw/nahQ1RQXxzQ/s1600/Leon%2BTolstoi%2Bna%2Bsua%2Bmesa%2Bde%2Btrabalho.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 258px; FLOAT: left; HEIGHT: 294px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544607965091681058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnkVIXUyI/AAAAAAAACdw/nahQ1RQXxzQ/s320/Leon%2BTolstoi%2Bna%2Bsua%2Bmesa%2Bde%2Btrabalho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;9 de Setembro de 1828 - 20 de Novembro de 1910&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"o homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte é dono de tudo."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Completaram-se no passado dia 20 cem anos sobre a data da morte deste mestre universal da literatura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nascido a 200 quilómetros de Moscovo, num local chamado Iasmaia Poliana ( o que quer dizer a " Clareira Luminosa"), descendendo da aristocracia; o pai era o Conde Nicolai Ilych, um veterano da campanha da Rússia de 1812. A mãe Maria Tolstaya; ambos os progenitores levados pela morte ainda muito novos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficando a educação dos órfãos, Leon e os outros seus três irmãos e uma irmã; confiados a uma tia Tatiana Iergolkaia. O solar de Iasnaia Poliana tinha uma atmosfera muito especial, a pouca distancia de Tula, no coração de Rússia Central, a propriedade era servida por vários criados e outros trabalhadores na parte agrícola. Na época, e ainda mais pelas circunstancias de orfandade, as crianças da aristocracia e da nobreza da província tinham aulas particulares em casa. Preceptores e professores russos e estrangeiros desempenhavam o papel principal na instrução e educação das crianças. Leon e os irmãos tiveram uma relação muito afectuosa com o professor de Alemão, mas menos simpatia lhes demonstraria o professor de francês, frio e severo, cujos métodos rígidos exaltaram o pequeno Leão, provocando-lhe um ódio muito grande por actos de violência e de autoridade que condenaria pela vida fora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O homem pode viver 100 anos na cidade sem perceber que já está morto há muito tempo"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos 16 anos vai para Kazan, onde os professores universitários o classificam de " ser incapaz de aprender seja o que for". Segue-se um período em Moscovo e São Petersburgo, onde todos os ócios vão dar ao vício e frequências de postibulos, tendo ainda o jogo que o atola de dividas. Para fugir a esta teia , juntamente com o irmão mais velho, faz-se soldado no Cáucaso, sendo segundo-tenente de artilharia na Guerra da Crimeia, em que há-de relatar a experiência mais tarde nos " Esboços de Sebastopol". Preocupado com os problemas sociais no final da década de 1850 criou em Iasnais Poliana uma escola parta filhos de camponeses. Escrevendo grande parte do material didáctico, inovando na pedagogia, deixando um livre grau de expressão entre os alunos , não os punindo pelos seus erros. Casou em 1862 com Sónia Andreievna, com quem teve treze filhos. Dedicou-de à família mais de década e meia; foi nessa época que escreveu Anna Karenina e Guerra e Paz, que lhe absorveu mais de sete anos. Numa busca constante com as grandes questões da existência e o sentido da vida e, após desistir de encontrar respostas na filosofia, na teologia e na ciência, partilhou o exemplo da vida simples dos camponeses, considerando-a ideal de conduta. Partiu dessa reflexão para o que chamou a sua " conversão". Criticou o direito à propriedade privada e os tribunais, e pregou o conceito de não violência. Para difundir estas sua ideias, Tolstoi emitiu panfletos, ensaios e peças teatrais, criticando a sociedade e o intelectualismo estéril. Isto teve enorme influência no exterior e Gandhi , na altura na África do Sul, tornou-se um seu admirador confesso. Máximo Gorki diria dele o seguinte :&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Tolstoi tem umas mãos invulgares - feias, nodosas, perpassadas de veias intumescidas e, contudo, cheias de uma expressividade e de uma força criativa especiais. Leonardo da Vinci terá tido umas mãos assim. Com essas mãos pode fazer-se tudo. Por vezes, ao falar, mexe os dedos, comprime-os devagar cerrando o punho, que depois abre de repente ao pronunciar uma palavra bonita, significativa. Assemelha-se a um deus, não ao Sabaote nem a um deus do Olimpo, mas antes a um deus russo que « está sentado num trono de acér debaixo de uma tília dourada» e que, embora não seja muito majestoso, é provavelmente o mais astuto de todos os outros deuses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se ele fosse um peixe é evidente que só viveria no oceano, não tocaria os mares interiores, nem a água doce dos rios. Aqui, aninham-se e passam rapidamente por ele uma espécie de muges, para os quais aquilo que ele diz é desinteressante e inútil, o seu silêncio não os assusta, não comove. E cala-se de uma forma impressionante e destra, como um verdadeiro eremita que abdicou deste mundo. Mesmo quando fala longamente sobre determinados temas, cala-se ainda muito mais- Alguma coisa - não podemos dizer a ninguém. Tem, decerto, medo dos seus pensamentos.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnWvB27jI/AAAAAAAACdo/LPFpIyNBknI/s1600/Leon%2BTolstoi%2B-%2BFoto%2Bda%2BAcademia%2BRussa%2B%25281887%2529.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 224px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544607731525545522" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnWvB27jI/AAAAAAAACdo/LPFpIyNBknI/s320/Leon%2BTolstoi%2B-%2BFoto%2Bda%2BAcademia%2BRussa%2B%25281887%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tolstoi deixou de beber e fumar e torna-se vegetariano, passando a vestir-se com as vestes simples dos camponeses. A polícia do Czar, devido às suas ideias e textos, passa a vigiá-lo permanentemente, A Igreja Ortodoxa russa, em 1901 excomunga-o. Alguns dos seus amigos e seguidores são exilados. Leon não é preso porque isso seria um tremendo abalo de contestações em todo o mundo onde o escritor era venerado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;" A felecidade é estar com a Natureza, ver a Natureza e conversar com ela"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tolstoi, porém, não via em seu redor a simplicidade em que acreditava. A sua mulher Sónia pendia para luxos e riquezas aos quais estavam acostumados. Os filhos davam razão à mãe e ameaçavam imolar-se se o pai abandonasse a casa. Aos 82 anos de idade Tolstoi não aguenta mais aquele jugo: sai de casa, abandona a família. Durante esses dias nos comboios, nas estações por onde passava, era reconhecido por todos, era a figura mais famosa da Rússia. Porém, devido à sua simplicidade em querer viajar junto aos camponeses e operários em vagões de terceira classe, onde havia muito frio e fumo espesso, o escritor já debilitado contraiu uma pneumonia que se agravou rapidamente, No dia 20 de Novembro de 1910, o grande mestre morria devido ao subito evoluir da doença, na estação de Astapovo, província de Riazan.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O combóio que trazia o seu corpo foi recebido por milhares de camponeses e operários. Veio ainda gente dos pontos mais longiquos da Russia. Uma multidão de milhares de pessoas seguiu o seu caxão: o número teria sido ainda maior se o governo de São Petesburgo não tivesse proibido a vinda de combóios especiais de Moscovo para o enterro do escritor. Todo o mundo noticiou a perda deste grande mestre da escrita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida deste génio incomparável, é a história de uma permanente inquietação metafísica. Uma movimentação continua para a perfeição. Não surprende que tenha sido profeta de Revoluções. Tolstoi que via nos Evangelhos mais do que uns textos antigos e veneráveis. Um homem que escreveu como ele, com a mão do divino,tinha certamente uma inspiração superior. Raramente uma obra espelha de modo tão verdadeiro a génese do homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;" &lt;em&gt;O segredo da felecidade não é fazer sempre aquilo que queremos, mas querer sempre aquilo que fazemos"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;josé movilha&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnWvB27jI/AAAAAAAACdo/LPFpIyNBknI/s1600/Leon%2BTolstoi%2B-%2BFoto%2Bda%2BAcademia%2BRussa%2B%25281887%2529.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnWvB27jI/AAAAAAAACdo/LPFpIyNBknI/s1600/Leon%2BTolstoi%2B-%2BFoto%2Bda%2BAcademia%2BRussa%2B%25281887%2529.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-2084004177356916563?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/2084004177356916563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=2084004177356916563' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2084004177356916563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/2084004177356916563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/11/leon-tolstoi-cem-anos-da-morte-de-um.html' title='Leon Tolstoi - Cem anos da morte de um Mestre Universal das Letras'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TPJnkVIXUyI/AAAAAAAACdw/nahQ1RQXxzQ/s72-c/Leon%2BTolstoi%2Bna%2Bsua%2Bmesa%2Bde%2Btrabalho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4824306497273749975</id><published>2010-11-04T15:48:00.010Z</published><updated>2010-11-05T12:34:55.571Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CRÓNICAS DAS SETE COLINAS'/><title type='text'>CRÓNICAS DAS SETE COLINAS - DEAMBULAÇÕES OLISIPONENSES - VI</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLXh0RKwRI/AAAAAAAACdc/Kzo38yX-aFs/s1600/O+Fiel+Amigo+-+Rua+do+Arsenal.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 243px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535723867958067474" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLXh0RKwRI/AAAAAAAACdc/Kzo38yX-aFs/s320/O+Fiel+Amigo+-+Rua+do+Arsenal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLW6o44kZI/AAAAAAAACdU/t6nb2yadYiI/s1600/Arsenal+da+Marinha.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535723194888524178" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLW6o44kZI/AAAAAAAACdU/t6nb2yadYiI/s320/Arsenal+da+Marinha.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;LEMBRANÇAS DA RUA DO ARSENAL&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cumprindo antigas deambulações dos trilhos Pessoanos, também a nós nos dias de hoje se apresentam visões dos ocres do Arsenal do Alfeite. Pálidos e anémicos de muitas águas, de muitos equinócios, acudindo-nos logo à memória ao olharmos a vetustez do portão emblemático de quanto de muita rudeza facínora ali foi perpetrada. Esta rua que deve o nome ao Arsenal de Marinha, edifício cujo traçado se deve a Eugénio Santos Carvalho, construído em 1759. Ficando ainda no local dois estaleiros de construção de navios, oficinas e armazéns até 1936, data da abertura da Avenida da Ribeira das Naus, altura em que estas instalações navais passaram para o Alfeite. Na rota do tempo assistiram estas seculares pedras às lembranças dos carros puxados por animais, isto em 1873; " O Americano". A invenção de John Stephenson, que um industrial de nome Gomes Guimarães trouxe para Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também, ali tiveram lugar actos de cruenta violência; saída e términos da Camioneta Fantasma na sua leva da morte pela noite de Lisboa, nesse 19 de Outubro de 1921. O cabo Olímpio " o dente de ouro", e outros: os aproveitados instrumentos de uma conspiração mais vasta e influente onde imperava a sotaina, os saudosos monárquicos, um misto de imprensa reaccionária e o capital. Juntou tudo isto, um bando de selvagens e ébrios sedentos de sangue que aprisionaram sem oposição nomes marcantes da República, para lhes dar a morte. Machado Santos foi fuzilado no Intendente; António Granjo e Carlos da Maia caíram atormentados pelas balas no vasto corredor para além do portão. Na ironia dos ciclos do destino mancharam de sangue as mesmas pedras que as vítimas do regicídio treze anos antes, o rei D. Carlos e o princípe D. Luís Filipe. Do funesto à alegria tudo presenciou esta memorialista Rua do Arsenal, que tem início na Praça do Comércio; passando pela Praça do Município e terminando na Praça Duque de Terceira. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLWhr-YUqI/AAAAAAAACdM/BdmzdH2cKtA/s1600/Rua+do+Arsenal+-+O+Americano-+o+transporte+dos+carros+de+trac%C3%A7%C3%A3o+animal..jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535722766220153506" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLWhr-YUqI/AAAAAAAACdM/BdmzdH2cKtA/s320/Rua+do+Arsenal+-+O+Americano-+o+transporte+dos+carros+de+trac%C3%A7%C3%A3o+animal..jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A voz de José Relvas ainda lhe está na mente, com as proclamadas palavras da instauração da República. Depois lugar às manifestações dos arsenalistas com muito radicalismo que se fundava numa soberania popular. Por ela ainda passou o General Sidónio Pais, nos triunfos da vida rumo a Belém, e, em ataúde depois de vitimado por atentado. Deixadas estas lembranças internam-se as passadas num périplo de intencional missão, aceitando as incertezas de um granito calcetado, olhando-se a tísica dos passeios de empedrados cariados onde fendas marcadas pelo engenho aguentam pinhos aplainados em bancadas rústicas que oferecem vitualhas às bolsas sem distinção de classes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um luzido ajardinamento de compostos mareantes, palanques dengosos vestidos de sódio fragateiro das fiéis espécies Islândicas, secas e molhadas, e de outras aparentadas de outros mares, arredadas estas do pingo das festas Joaninas e agora a preceitos de securas mumificadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo-se o alinho da parada pela elevação do fiel dos mais desabonados. Este de costaças imponentes, intocado de gumes guilhotinescos, é o monarca das atracções dos secos, mostrando nas protuberâncias lombares ainda a bravura das lascas resistentes ao empaladouro de Alcochete, e desdenhoso dos mirros de tantos meses virado pró mar da palha e dos empurres do vozeirão do trapobano; dando-se à cisma da maciez dos banhos lagareiros, entretendo-se com maresias ribeirinhas para inchaço bem-vindo e frescura aos desafios do braseiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao lado dando-se em proliferações mais proletárias imolavam-se os menos nobres, em eaquartejos, que tinham as medidas do quinhão operário. Ofertando-se aos de todos os mais, necessitados, e estes aprontavam-se nas contas aos garfos familiares e ao orçamento das dormentes no cotão familiar, para alcançar o cativo das mais graúdas e lascadas mesmo sem ser consoada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o calendário teimava em ser de trinta e um, e o sudestino perdia a temperança ao afago às ondas das traineiras, o biscate ainda arredio todo o santo mês, só imperando as de níquel; recorria-se ao gineceu das barricas salmouradas onde habitavam as mais descarnadas de lascas, que tinham de nome caras e se avivavam em leitos de sódio, compondo-se em cartilagens de gosto sugatório, e se destas, mais próprias para comes ao ar livre e efemérides a festanças clubistas, se fazia todo o Estio, também bem-vindas eram, pela crise, as ditas embrulhadas num verde galego, das couves a rainha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas portadas parava-se em ofegâncias de santuário, passeando ainda introspectivamente entre os molares descansados, o caroço gingeiro dos idos de S. Domingos. Na fila tomava-se o pé aos mirones indecisos, e no bojo das cantarias o caixeiro vigia emboscava-se em salamaneques velhacos apreciando as chegadas peregrinas de quem de longe vinha para comprar, deambulando em cirandas de espião, qual cuco dos portais, treinando-se a idealizar pesos malévolos para vasto engano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transformando estes por mágica agiota, contrapondo à preferencial procura saloia de tanto fiel amigo, os pratos desequilibrados da balança vestidos do pardo e grosso papel que não se amedrontavam perante o elmo prato contrário desvirtuado ao equilíbrio, onde o lascudo já repousava em perda, pincelado de humidades gotejantes de rega furtiva de habilidades galegas. Agrados ao patrão vindo das rias de Pontevedra que velava em olhada postura eunuca o comércio da casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E neste afã de prestezas se levava as diurnas horas a fornir os antebraços a exercícios de retalhos ao corrente e ao graúdo; disfarçando-lhe o desfiguro com certeiros golpes no espinhaço pujante. Maravilhando o freguês que ia pedindo postame aos hábitos da panela, e dos retratos mais singelos antes das campanhas na Terra Nova era agora o escalado um espectro das vestimentas dos habitats há muito gabados no lugre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ás sextas ainda a festança era maior, regressado dos temporários hábitos da canastra das entregas, olhos cheios de perfumes de saiotes sopeirais, curvas de pernas doces como amêndoas de Semana Santa. Cobiças ensaiadas para encher os sacos dos olhares após destrezas para devassa em parceria com a cesta dos álibis; soalhos aplainados em malabarismos ofídicos onde se curvava o corpo aos desejos de ver até portas entreabertas onde rendados mais ocultos se esqueciam do frenesim da passada e mostravam resguardadas formas de brancura tentadora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na próxima quinzena tudo se preparava a anseios do dia do grande mercado, e da alva aos primeiros nasceres da Lua, empanturrava-se a gaveta das lustrosas de mil réis, por tão pródigo manuseamento diurno às resmas do pardo que amortalhava o fiel p'rás alcofas malveirenses, prosperando o negócio a outros futuros intentos mercantis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para a clientela mais conhecedora se apartavam, a outros intentos de respeitada seriedade, a encomenda, os fardos de não enganos pró régulo da melhor das receitas, o João do Grão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na noite enaltecia-se mil vezes a lembrança destes dias, com suores perdurados em sonos agitados onde se rompiam com os dentes as formas do descansado linho de inactivo abraço, dando-se ali ao lado, só, e de corpo informe como marafona de jogo carnavalesco. Levantar-se e guiar passos furtivos acompanhados pelo bruxulear do candeeiro público lá fora. Jogo de espectros até ao quartinho das intimidades descartando a vida e deixando o corpo mais débil para o trabalho do dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhos negros numa alvorada desencantada, este sábado iria até ao lugar onde os corpos se ofereciam mais conseguidos; cais de perteza onde aconteciam outras Amélias que se encostavam em dádiva logo na primeira dança. Corpos húmidos de esperanças, esquecer a outra a quem se queria na lembrança, mas, a quem mal se tocava na pele quando o rol era entregue num canudo mensageiro que tão pouco encontrava os encantos de uma pequenina mão fugidia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-4824306497273749975?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/4824306497273749975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=4824306497273749975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4824306497273749975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/4824306497273749975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/11/cronicas-das-sete-colinas-deambulacoes.html' title='CRÓNICAS DAS SETE COLINAS - DEAMBULAÇÕES OLISIPONENSES - VI'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TNLXh0RKwRI/AAAAAAAACdc/Kzo38yX-aFs/s72-c/O+Fiel+Amigo+-+Rua+do+Arsenal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-9047479638624019083</id><published>2010-10-02T14:47:00.005+01:00</published><updated>2010-10-02T17:00:30.265+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><title type='text'>CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - ÚLTIMA PARTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKc6a-9c6PI/AAAAAAAACcs/D-WN-uPwPFc/s1600/Quadro+alusivo+%C3%A0+Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+-5+de+Outubro+de+1910.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 245px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523447703244957938" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKc6a-9c6PI/AAAAAAAACcs/D-WN-uPwPFc/s320/Quadro+alusivo+%C3%A0+Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+-5+de+Outubro+de+1910.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; República - Sim, a chamada " Monarquia Nova" era uma tentativa de querer fazer ver ao país que as coisas seriam futuramente diferentes com o reinado de D. Manuel II.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - 1925 é mais uma data de golpe militar institucional promovido por republicanos e monárquicos, contra os Democráticos. O golpe falha. Mas, as cisões continuam com os Democráticos a dividirem-se em " bonzos", dirigidos por António Maria da Silva, que defendiam o equilíbrio orçamental, e os " canhotos", de José Domingos dos Santos, que querem o aumento da despesa pública.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Agudizavam-se as lutas Parlamentares na minha presença. Como eu sofria com tudo isso, vendo que esses homens se desviavam de ideais conquistados há tão pouco tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Com o ensaio do ano anterior, chega então, o mais afirmativo dos levantamentos: o Golpe Militar do 28 de Maio de 1926. Militares republicanos e alguns monárquicos estão na origem. O povo republicano não foi armado. Os dirigentes do governo derrubado não esperam que o golpe dure. António Maria da Silva teria dito: " calha bem, estava a precisar de férias". Os golpistas mantiveram-na como forma de Estado, Mas, penso que nunca mais foi a mesma !&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, com dezasseis anos fui encarcerada numa longa noite que durou 40 anos. Grande parte, se não todos os meus principais ideais, foram ostracizados. Vi um desfile de homens e mulheres de grande republicanismo, perseguidos e castigados por quererem ensinar as palavras que foram escritas no meu berço: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Envelheci muito nesses meus 64 anos, até ao 24 de Abril.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto dá-se o 25 de Abril, a sua aprisionada figura ganha uma lembrança nova, os ideais de liberdade são novamente repostos, acaba a censura, os presos políticos são libertados, o povo tem liberdade de mostrar as suas opiniões. Como viveu esta acção libertadora ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Olhe!.. Eu estava mais que petrificada. Do meu local assistia às sessões daquela Câmara Corporativa com uma dor intensa a cada palavra proferida por aqueles pares que adulavam o regime caduco e bolorento. Cheguei a pensar que nada iria mudar. Quando ouvi na rua o grito " Fascistas!...Escutem!... O povo está em luta!..." O Meu ser vibrou de novo...cada bandeira verde rubra era um pouco de mim que assinalava o alvorecer do país de lés a lés.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Qual foi para si o maior momento destes primeiros tempos de Liberdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Foi sem dúvida o 1º de Maio desse primeiro ano de Liberdade. Milhares de pessoas por todo o país deram largas a uma confraternização genuína e espontânea. Não havia tutelas partidárias que conduzissem grupos de distintas ideologias. Todos irmanados, soldados, povo; sem distinção de classes, encheram as ruas com os seus gritos vibrantes de esperança num futuro mais justo e prometedor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto, neste seu aniversário centenário, o que pensa da situação actual da Nação ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Olhe!... Eu estou algo desgostosa com o rumo que as coisas têm tomado nestes últimos anos. Pensei que nunca iria encontrar uma tão grande quantidade de pobres e deserdados da Nação. Pessoas que nem sequer já têm o sustento para o dia a dia das suas famílias. Nunca pensei que voltassem as cantinas sociais instauradas nesses tempos antigos e penosos. Enquanto a classe política aufere privilégios difíceis de aceitar. Dizem-me que acumulam vários rendimentos. Ajudas de deslocações, alguns a viverem bem perto do Hemiciclo, mas, a darem moradas que façam render bem o pagamento de quilómetros. Como o escândalo dos subsídios vitalícios: para quem tivesse doze anos de assento em S. Bento. Timidamente fez-se uma lei há 5 anos, que excluiu alguns parlamentares novos. Tanto quanto sei, não moralizou coisa nenhuma. Quem tivesse à data, assento em três legislaturas, ficava na mesma senhor da benesse; o que foi a maior parte dos deputados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, já parece que voltámos as divisões e opiniões orçamentais daqueles tempos, de que falávamos; os " bonzos de António Maria da Silva que defendiam o equilíbrio orçamental, e os "canhotos" de José Domingos dos Santos, que queriam o aumento da despesa pública.&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKc6KMo3sKI/AAAAAAAACck/F7zS7BsBqzw/s1600/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; FLOAT: left; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523447414858952866" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKc6KMo3sKI/AAAAAAAACck/F7zS7BsBqzw/s320/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repórter - Estamos então num novo ciclo de " Rotativismo ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Pois, sim!... Bem me parece por aquilo que observo: que se naquele tempo ainda havia ideário de servir uma causa e a República, algum romantismo revolucionário e risco ao enfrentar propósitos declarados de luta. Hoje tudo não passa dum mercantilismo descarado. Um servir-se dos cargos em proveito próprio e em proveito dos apaniguados. Bipolarizando-se as benesses, gastando o Estado " à tripa forra" sem contenção ou propósito de salvaguardar o ónus que as gerações futuras terão que pagar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Está, então, muito desiludida ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Estou!... Não pensava que a República com cem anos tivesse tantas preocupações. Que tudo tivesse tido uma acentuada melhoria social nestes últimos 36 anos. Não basta a Liberdade; a Liberdade de expressão; a Liberdade de livre escrutínio eleitoral. A dignidade do ser e o seu usufruto de plenitude Constitucional, é fundamental para o respeito dos cidadãos entre si e para a construção de uma Nação justa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Concordo plenamente. A entrevista vai longa. Este, e outros seus contares dariam matéria para muito mais do que uma entrevista: seguramente para mais um dos livros que se têm escrito sobre si. Vou terminar com uma última pergunta. Porque que é que ficou sempre celibatária, sendo tão atraente aos olhares, de rosto bonito e corpo singelo, e dando tanto estatuto a quem a tivesse ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Fazer corar uma centenária parece-me uma travessura inesperada, mas, acho que está a ser muito gentil com esses tais meus atributos! Sobre o celibato: tive sempre imensos pretendentes oriundos de várias famílias políticas. Alguns que me idolatravam com sincera entrega; outros com a mera intenção de se passearem comigo. Promessas loucas de defenderem sempre o casamento caso eu acedesse. Mas, bem vê!... Eu nunca poderia casar com qualquer deles! Que diria o Povo ? Eu era e sou a prometida dos trabalhadores, dos camponeses, dos pescadores, de toda a gente que ainda hoje tem em casa aquele tal quadro em que eu os conduzo à Vitória. Eu pairo permanentemente no fundo do peito de quem acredita na Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Enquanto houver um homem livre eu não morrerei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Parte de si partiu à 7 anos, com 101 anos, também já centenária. Ficou esta imagem esperançosa e imorredoura lavrada no mármore. Se algum dia a mudança do símbolo acontecer, nunca ninguém esquecerá que a tutela figurativa, vitoriosa e condutora da Pátria; teve um século de génese humilde de uma mulher do povo, filha de uma família de camponeses alentejanos. Resta-me agradecer-lhe!... Felicitá-la por este centenário, que queremos se perpetue na Liberdade... Viva a República !&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-9047479638624019083?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/9047479638624019083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=9047479638624019083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/9047479638624019083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/9047479638624019083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/10/cem-anos-de-republica-entrevista-com.html' title='CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - ÚLTIMA PARTE'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKc6a-9c6PI/AAAAAAAACcs/D-WN-uPwPFc/s72-c/Quadro+alusivo+%C3%A0+Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+-5+de+Outubro+de+1910.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3197119944160722789</id><published>2010-09-27T14:49:00.009+01:00</published><updated>2010-09-27T17:22:36.539+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><title type='text'>CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - PARTE II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKCiSj8dblI/AAAAAAAACcM/0xgzphREOzY/s1600/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 156px; FLOAT: right; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521591582926401106" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKCiSj8dblI/AAAAAAAACcM/0xgzphREOzY/s320/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKCh98fMRmI/AAAAAAAACcE/lBBnQs61Ciw/s1600/Quadro+alusivo+%C3%A0+Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+-5+de+Outubro+de+1910.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 245px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521591228737275490" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKCh98fMRmI/AAAAAAAACcE/lBBnQs61Ciw/s320/Quadro+alusivo+%C3%A0+Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+-5+de+Outubro+de+1910.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Também pousou para o escultor Simões de Almeida, sobrinho ?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, isso foi mais tarde, o que ocasionou um outro busto, uma estátua de corpo inteiro e figurar nas novas moedas de escudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Tudo inspirado em " A Liberdade Guiando o Povo" de Eugène Delacroix. Nós cá fomos mais recatados e de mais vestes. Mas, é um quadro soberbo e cheio de força, não acha ? Sabe que em França após a libertação de Paris em 1944, a Associação dos Autarcas Franceses decidiu mudar o busto de " Marianne", adoptando como futuros modelos artistas francesas. O busto actual teve a pose de Leaetitia Casta, uma manequim. Por cá já houve opiniões de que se devia fazer algo parecido. Qual a sua opinião ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, a modelo de Delacroix era mais cheinha do que eu, também, teria de dar mais a uma nação, a França, muito maior do que nós. Mas, é um quadro que será sempre um hino à Liberdade. Sobre a nova figuração para o busto: não ficaria agastada se houvesse mudança, acho muito bem. Não me ocorre perpetuar e ser monopólio de tantas décadas. Mas, se isso acontecesse, que fosse outra alentejana, a Fernanda Serrano ficava muito bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Apesar de tudo, penso que teve muitos momentos felizes ! Como quando o seu busto foi tornado público e quando do alto desta varanda da Câmara Municipal, que olhamos, proclamaram o seu nome.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, foi inesquecível, quando naquela manhã Eusébio Leão, Inocêncio Camacho e José Relvas gritaram o meu nome e aquela multidão do povo que enchia esta praça aplaudiu entusiasticamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto a sua meninice e adolescência foram bastante intranquilas: sendo ainda uma jovem mulher com 26 anos, em 1926, quiseram finalizar a sua vida. Aprisioná-la nessas correntes que tinha rompido. Como encarou a Ditadura ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, sofri muita intranquilidade. Revoltas, desrespeitos parlamentares. Governos que entravam e volvidos meses saíam. Mortes de pessoas que me tinham ajudado a nascer: ainda não me tinham mostrado ao país já dois dos meus padrinhos morriam. O almirante Cândido dos Reis e o Dr. Miguel Bombarda. Depois os monárquicos queriam assaltar-me o berço, logo duas vezes, sobre a chefia de Paiva Couceiro, mas o povo salvou-me. Depois em 1914 a guerra em África. Em 1916 Portugal entra na Guerra europeia ao lado da Inglaterra, mas, muitos dos meus representantes dividiam-se quanto a isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto ainda aparece o terrível mal da Pneumónica, a chamada " Senhora Espanhola", que ceifa muitas vidas no país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, já tinha aparecido uma epidemia de Tifo oriunda do norte do país. Depois este terrível mal que persistiu muitos meses. Comecei a sofrer muito quando me apercebi das condições em que vivia grande parte do nosso povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto, com dezassete anos, parece que a querem mesmo silenciar. Aparece um movimento militar guiado por Sidónio Pais; toma o poder com fins ditatoriais. É um momento de grande violência física e até simbólica. Afonso Costa é preso. Ficará a sua lembrança como o Desejado dos Democratas; mas, não voltará a formar governo. Este novo presidente e a sua causa impõem um cunho simbólico a esta acção, marcando o fim da primeira República ou República Velha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Foi um período muito conturbado, com muita violência. Lembraram-se de dizer que eu era velha! Eu que ainda era uma adolescente. Velha ou nova não me podiam ostracizar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto acaba a Primeira Grande Guerra. O Presidente Sidónio é assassinado e segue-se um período de pré-guerra civil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, com os meus dezanove anos assisto a que os monárquicos me querem novamente assaltar. Revoltam-se aqui em Lisboa, ocupam Monsanto, e proclamam uma efémera Monarquia do Norte. São distribuídas armas ao povo. Os revoltosos são vencidos. Arranjam-me um novo nome, desta vez Nova República Velha, por ter voltado tudo ao anterior. É eleito o Dr. António José de Almeida, que eu conhecia muito bem, e que ficou junto a mim quatro anos, até 1923.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto a Primeira Guerra Mundial desorganizou as finanças do Estado e originou uma crise social muito aguda para as classes mais desfavorecidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Eu afligia-me muito com essas situações. Pois, não tinha nascido para ficar tudo na mesma e os desfavorecidos do povo continuarem como nos tempos da Monarquia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto, tenho de lhe falar num terrível episódio, a " Noite Sangrenta": o 19 de Outubro de 1921. A " camioneta da morte" alberga gente armada que com grande radicalismo revolucionário vai à procura de dirigentes republicanos adversários do Partido Democrático. Entre figuras destacadas é preso em sua casa na Estefânia, Machado dos Santos. Não muito longe dali na Rua João Crisóstomo, é procurado António Granjo, chefe do Governo, que foge para a Avenida Miguel Bombarda, onde era a casa de um seu adversário politico Gomes Leal, não procurado, sendo infrutífera a acção deste para o proteger. Ocasiona-se tudo numa tragédia de várias mortes, muito marcantes pela forma como aconteceram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Foram dos episódios mais negros da minha jovem vida. Aqui, onde estamos, neste Largo do Intendente, a camioneta parou com uma avaria momentânea. Os sectários, bestializados pela ousadia, retiraram Machado dos Santos do interior do carro prisão, fuzilando-o barbaramente junto a estas paredes. Um homem que me tinha embalado desde a Rotunda, sendo tão empenhado no meu nascimento. Depois essa leva de morte deslocou-se para o Arsenal da Marinha, onde no corredor interior, alguns metros após transpor a porta, é selvaticamente morto António Granjo e o comandante Carlos da Maia.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKChf52s8qI/AAAAAAAACb8/WTsBKf_MuXM/s1600/Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+Portuguesa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521590712634503842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKChf52s8qI/AAAAAAAACb8/WTsBKf_MuXM/s320/Proclama%C3%A7%C3%A3o+da+Rep%C3%BAblica+Portuguesa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Esta nossa Lisboa tem muitos ecos de jubilo republicano, mas, também, muitos locais de evocação de jornadas funestas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, aqui perto na Mouraria vivia o primo Manuel Buiça. Bom homem, parecia um pouco brusco e pouco convivial, mas, tinha sensibilidade de artista. Parece que estou a vê-lo ao piano a tocar " As Carvoeiras" e " A Sementeira", esse cântico escolar tão bonito associado às actividades de instrução popular desenvolvidas por organizações republicanas e maçónicas, ensinando aos seus alunos com uma austeridade plena de ambição didáctica. Não muito longe vivia o primo Alfredo Costa. Lamento que para eu nascer tenham morrido estes dois homens, um deles o Buiça, pai de duas jovens crianças, uma com 8 a outra com 1 ano. Decididos a serem imolados por um ideal que acreditavam: ainda, obrigados a tirar duas vidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter -Também, na Mouraria, tinha comércio na Rua do Benformoso, um ferrenho republicano o senhor José Joaquim dos Santos. Quando do seu primeiro aniversário, em 1911, mandou reproduzir milhares de bilhetes-postais ilustrados com os principais acontecimentos do 5 de Outubro. Foi tal a felicidade da reprodução, a escolha dos motivos e a sua explicação; que esta reprodução passou posteriormente, já na dimensão de quadro, a figurar como agradecimento à República, na maioria dos lares portugueses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - O que me conta dá-me novo alento, nestes meus cem anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto, como poderia ser, se não houvesse o Regicídio ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - O rei podia ter abdicado, como fizeram tantas cabeças coroadas na Europa e no Mundo. Como aconteceu na nossa vizinha Espanha, em 1931, com o exílio de Afonso XIII. Poderiam ter-se poupado vidas e a República não nasceria com alguma mácula de atentado e sangue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - O rei nunca abdicaria! É convicção de muita gente durante décadas de apreciação ao ocorrido. Mas, isto seria um assunto que prenderia a nossa entrevista por horas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, concordo. Só queria manifestar que nunca me regozijei com estas mortes reais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Parece , que da parte dos monárquicos mais influentes, ou dos que tinham mais benesses não foi muita sentida a morte do rei. Diria um jornal da época: " Os fidalgos, os pares do reino, os conselheiros, estavam todos enfiados em casa, a tremer de medo. O próprio funeral de Estado, cheio de pompa, decorreu friamente". A tal politica de " acalmação" que logo a seguir foi tentada sob o reinado de D. Manuel II. As influências de D. Amélia, José Luciano de Castro, no jovem rei. A demissão de João Franco, que muitos acusam de causador do regicídio. Leva a uma tentativa de perpetuar os Braganças. É nomeado um governo de coligação presidido pelo almirante Ferreira do Amaral; iniciando-se o que ficou designado por " Monarquia Nova".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3197119944160722789?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3197119944160722789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3197119944160722789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3197119944160722789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3197119944160722789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/09/cem-anos-de-republica-entrevista-com_27.html' title='CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - PARTE II'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TKCiSj8dblI/AAAAAAAACcM/0xgzphREOzY/s72-c/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3826591958097432825</id><published>2010-09-25T14:41:00.007+01:00</published><updated>2010-09-25T17:26:01.466+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O REPÓRTER NO TEMPO E NA HISTÓRIA'/><title type='text'>CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - PARTE - I</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4Ak-I-FEI/AAAAAAAACbg/EUhuKmUsVvk/s1600/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; FLOAT: left; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520850828358718530" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4Ak-I-FEI/AAAAAAAACbg/EUhuKmUsVvk/s320/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4A_r3mUWI/AAAAAAAACbo/ar3oJCRGCN4/s1600/Busto+da+Rep%C3%BAblica+-2.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 67px; FLOAT: right; HEIGHT: 94px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520851287310487906" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4A_r3mUWI/AAAAAAAACbo/ar3oJCRGCN4/s320/Busto+da+Rep%C3%BAblica+-2.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4BZn9TPJI/AAAAAAAACbw/vTZhCWm7pbg/s1600/Barrete+Fr%C3%ADgio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; DISPLAY: block; HEIGHT: 280px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520851732937260178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4BZn9TPJI/AAAAAAAACbw/vTZhCWm7pbg/s320/Barrete+Fr%C3%ADgio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Repórter - Começo por lhe agradecer a disponibilidade em me conceder esta entrevista. Neste centenário em que deve ser muito solicitada para contar a sua longa vida e as ocorrências na mesma; e, em que desatou tudo a escrever sobre si. Sinto que é um privilégio para qualquer repórter ouvi-la. Gostaria, também, de lhe agradecer, o quanto acedeu a dar a entrevista enquanto deambulamos pelos sítios mais marcantes desta Lisboa republicana, o que obstante, a sua provecta idade, não tomou como impedimento. Ainda, uma interrogação que me ocorre: como deverei chamá-la ? D. República, Senhora República, o que prefere ?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Trate-me simplesmente por República. Eu vim de um extracto social pobre, humilde, sempre em contacto com o povo, eu nasci e sempre fiz parte do povo. Foi ele quem me deu o nome. Não faria sentido aceitar dons e outras coisas que mais não seriam do que trazer à lembrança tempos antes de mim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Repórter - Como é que se dá a sua aparição como símbolo da República e como é que foi escolhida para corporizar esse ideal, ficando-lhe ainda hoje tão bem essas vestes que embora gastas ainda mantêm as cores iniciais. É bem certo que o Barrete Frígio está um pouco desbotado, perdendo a liberdade de ter a outrora bela cor vermelha. Mas, de resto, ainda parece manter tudo dos seus atavios iniciais, inclusive o raminho de loureiro ainda viçoso, o molho de feno e a foice que lembra o nosso Alentejo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Sim, foram sempre as mais duradouras vestes que conheci. Como sabe, eu vim muito nova, treze anos, do Alentejo para Lisboa. Nasci em Arraiolos, filha de humildes trabalhadores rurais. A vida para nós era muito difícil, como era para milhares de pessoas pobres por esse Portugal fora. Eu de muito nova demonstrei logo muita habilidade para a costura, isso dar-me-ia mais tarde muito jeito para costurar a minha túnica dos rasgões que lhe provocaram no decorrer dos anos. E se eles foram rasgões!... Uns logo em 1911,1912, outros em 1915, 1917, 18, 19, 21, 25, quase que não havia ano em que não me rasgassem a túnica. Depois em 1926 o maior de todos, de tal maneira que levei quarenta anos para arranjar linhas da mesma cor.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Repórter - Mas, diga-me: já estava em Lisboa quando do Regicídio ?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Sim, lembro-me perfeitamente. Estava a arrumar entretelas, linhas por número e uns cetins, por acaso verdes e rubros. Quando se ouviu gritar muito na rua:" Mataram o Rei!...Mataram o Rei!..." Claro que eu não percebi na altura o que isso significaria, que tudo iria mudar em Portugal a partir desse momento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Repórter - Para o bem ou para o mal ?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Para melhor, claro!... Eram muitos acontecimentos e maus exemplos que se acumularam nos Governos que se sucediam na Monarquia. Basta lembrar alguns: a questão Hinton, o súbdito inglês que obtivera em 1903 na Madeira um verdadeiro monopólio de transformação de açúcar em álcool e que vem pedir uma indemnização de 673.000 libras.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Afonso Costa em 1910 apresenta cartas no Parlamento comprometedoras para D. Fernando de Serpa, ajudante de Campo de D. Carlos, que envolviam a Corte nos negócios com Hinton. Por isto, o governo encerra o Parlamento e legisla vergonhosamente para repor as condições de monopólio detido por Hinton.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Repórter - Depois a falência do Crédito Predial Português, em Junho de 1910, ficando mais de mil pequenos obrigacionistas arrastados para a miséria. Tomando o Dr. Afonso Costa as suas defesas.. Em Agosto de 1910 os republicanos denunciam os adiantamentos feitos pelo ministro Teixeira de Sousa ao rei D. Carlos; à rainha D. Amélia; à rainha D. Maria Pia; ao Infante D. Afonso, o conhecido " arreda" pela maneira como gritava para os peões para se desviarem do caminho. Muitos milhares de contos de réis para gastos ostentatórios que já vinham de há muito: três Peugeot dos mais modernos comprados num só dia, a juntar aos outros quatro;  manter quatro iates; o areal entre o Estoril e Cascais que uma vez foi iluminado com 13 mil lanternas de azeite e 9000 balões, efeitos pirotécnicos para deslumbrar o Rei Chulalongkorn, do Sião, vindo de visita a Portugal. As extravagâncias da rainha-mãe D. Maria Pia: fortunas em obras de arte: pratas, sedas, mobílias novas para a nova residência de férias, um chalé na marginal, no Monte Estoril. Os 350.000 réis para comprar um faqueiro de prata, faqueiro que era o terror dos empregados quando a rainha-mãe mandava servir o jantar na praia, os criados sempre com medo que se perdesse algum talher na areia e fossem castigados por isso. Quando se lembrava de sair do Palácio da Ajuda para as férias em Mafra, até o piano tinha que ser carregado durante 40 quilómetros por oito homens, a pé, por penoso e difícil caminho. A juntar a todo este cumulativo de anos, por fim, a ditadura açulada pelo João Franco tornou D. Carlos ainda mais decrépito de vontade e relaxado nos prazeres mundanos e nos gastos. Cedendo a assinar o último decreto de deportação dos líderes republicanos, assinou a sua sentença de morte.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Sim, vim a saber de todas essas coisas mais tarde. Sendo o povo tão necessitado e tão carente das necessidades básicas, era inconcebível esse comportamento da Coroa. Assim, compreendi melhor as origens da luta pelo meu nascimento.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Repórter - Mas, diga-me: Essa oportunidade de Ilda à República, como foi?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;República - Vinda para Lisboa, por intercepção de uma família da classe média que estava ligada a uma casa de costura. Entrei como aprendiza para a mesma. Para mim foi um sonho, ver aquelas roupas bonitas que confeccionávamos para uma clientela de bom gosto e sempre a&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4AUb8ViHI/AAAAAAAACbY/jh8mwouXe-0/s1600/Est%C3%A1tua+da+Rep%C3%BAblica+-+Anjos+Teixeira.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520850544301017202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4AUb8ViHI/AAAAAAAACbY/jh8mwouXe-0/s320/Est%C3%A1tua+da+Rep%C3%BAblica+-+Anjos+Teixeira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;querer inovar. Também, o de aprender para que no futuro pudesse ganhar algum dinheiro para ajudar os meus pais. Entretanto fui crescendo, querendo a natureza dotar-me com alguns belos atributos que distinguem as mulheres entre si. Já por volta dos meus dezassete anos ia por costume comprar os preparos para o nosso trabalho a uma retrosaria para os lados de S. Bento. Ia e vinha a pé passando por várias ruas. Numa delas, que desembocava num pequeno largo, havia uma oficina de canteiros, vim a saber depois que eram senhores que faziam estátuas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Possivelmente foi aí que mais tarde pousou para o busto da República?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Sim, foi precisamente ali. Um senhor de barba, com uma bata branca, estava por vezes à porta. Via que ele me olhava com alguma atenção, a princípio senti medo, eu estava instruída para não falar com homem nenhum, nem sequer os olhar, os momentos eram muito conturbados, com muita agitação nas ruas. Mas este senhor só me olhava, nunca me dirigiu palavra. Um dia uma senhora que eu costumava ver a varrer o largo, veio ter comigo, é sempre mais fácil uma mulher abordar outra. Pediu-me para levar uma carta à minha patroa. Eu assim fiz: e, a minha mestra parece que ficou agradada com o que vinha escrito. Disse-me: " gostavas de posar para que te fizessem uma estátua?" . Eu fiquei muito admirada, sem perceber bem o que ela me estava a dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repórter - Entretanto, os seus pais?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;República - Os meus pais, com o recado que lhe levei, vieram falar com a minha patroa. Esta disse-lhes: " o escultor Francisco Santos, que ganhou um concurso para fazer um busto que simbolize a República, neste primeiro aniversário de 1911, mandou dizer" que gostaria de experimentar como modelo a Ilda, para o que pede aos seus responsáveis familiares autorização". Lembro-me que os meus pais ficaram mudos, sem saber o que dizer; o meu pai a apertar o boné entre as mãos. Balbuciando a minha mãe: " a senhora é que sabe! Se é coisa de respeito ?... Passados dois dias acompanhou-me lá. O senhor falou comigo muito educadamente e comecei a posar sentada num tamborete coberto de uma manta grená. Vestia uma blusa branca, de linho, um pouco decotada, que cingia o peito na forma dos cordões afrouxados e caídos naturalmente. O Barrete Frígio, vermelho, que contratava com o meu cabelo castanho claro. Ficava maravilhada como as minhas feições se iam transferindo para a pedra de forma tão real até ser eu que lá estava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3826591958097432825?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3826591958097432825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3826591958097432825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3826591958097432825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3826591958097432825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/09/cem-anos-de-republica-entrevista-com.html' title='CEM ANOS DE REPÚBLICA - ENTREVISTA COM A VETUSTA SENHORA - PARTE - I'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TJ4Ak-I-FEI/AAAAAAAACbg/EUhuKmUsVvk/s72-c/Busto+da+Rep%C3%BAblica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-569393337601327138</id><published>2010-08-14T12:00:00.008+01:00</published><updated>2011-08-13T15:42:50.408+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Efemérides da história'/><title type='text'>Aljubarrota, 626 anos da " Mãe" de todas as Batalhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGaiilIqYPI/AAAAAAAACbE/UdwL7JnvKrg/s1600/S.Jorge.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; FLOAT: left; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505266309474705650" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGaiilIqYPI/AAAAAAAACbE/UdwL7JnvKrg/s320/S.Jorge.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; 14 de Agosto de 1385&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ44UkB7oI/AAAAAAAACa4/sCBRNqXszJY/s1600/034.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505220503494848130" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ44UkB7oI/AAAAAAAACa4/sCBRNqXszJY/s320/034.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Comemoram-se neste 14 de Agosto de 2011, 626 anos da Batalha de Aljubarrota. Passados todos estes anos esta pobre Nação vive mais depauperada de afirmação do que naquele tempo. Arrasada por torpes vilanias perpetradas pelos poderosos. Arrastando-se na cauda das nações do seu Continente; afirmando-se pelo pior e pela quantidade de pobres ressurgidos, novos: " Barrigas ao Sol", que dão ao censo da Comunidade Internacional o pior dos indicativos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que hoje, como ontem: terão que ser, mais uma vez, os pobres a mudar Portugal ? Será que já é tarde quando o seu grito de mudança ecoar ? Lembremos os que deram a vida para que este solo continuasse a ser Luso. O povo, e alguns homens abnegados para quem a fama , as honras e a fortuna não contaram para minar a sua determinação e dedicada missão nos destinos de comandar gente e ser independente. Aos homens de lugares cimeiros, na Pátria de hoje: empresários, banqueiros, tribunos de toga, lentes, políticos e governantes, sobretudo estes: pensem um pouco na história e em algumas figuras da mesma, e nos exemplos que nos deixaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portugal não é uma Nação perdida; perdidos são, sim, os homens, que não sabem ler a exemplaridade da história que lhes foi legada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;CAMPO DE S. JORGE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tarde declinava com rapidez, não haveria muitas mais horas de sol. A batalha parecia iminente, mas no entanto não se feria de avanço e confrontos. Isso seria muita preocupação para D. Nuno Álvares Pereira, para D. João, Mestre de Avis, e restantes gentes da hoste. Em breve seria noite, o adiar da batalha, se acontecesse, por parte dos castelhanos, representava para as nossas forças um imprevisto que nos podia estragar a estratégia pensada. Havia uma parte do conselho de Castela, o mais conservador e algo prudente, que era por um adiamento para o outro dia. Outro grupo, o de gente mais nova queria atacar de imediato, argumentando que nada deteria o seu poderio em campo de batalha. São esses que convencem o rei D. Juan de Castela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levando estes a melhor, ouvem-se os disparos secos dos " Trons", canhões nunca vistos nos nossos arraiais de peleja. Um zumbido seco, acompanhado de ecoares cavos e sucessivos a que ninguém jamais tinha ouvido, pejavam o curto horizonte do campo de ninguém com uma fumaça enegrecida. Os projécteis de pedra causaram apenas danos de morte a um inglês e a dois escudeiros que eram irmãos e, que estavam a campo de peleja pendentes de serem julgados em breve por terem causado a morte a um clérigo. Foi isto tomado pelos que tinham presenciado mais de perto o deflagrar, como castigo divino aos dois sacrílegos e, uma protecção aos combatentes crentes que defendiam Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A " Batalha Real" ia começar. Atroaram de um e outro lado os gritos aos seus patronos: " A ellos!... Castela!... Santiago!..."; " Pela Virgem Santa!... Por São Jorge!..." gritavam os nossos com desmedida determinação e bravura. Uma mancha férrea tapava o horizonte avançando no terreno. Vinha afunilando progressivamente entre ladeado de baias de terra e tojo crescido. Cada vez mais perto, nos que se não escondiam no sigilo dos bacinetes, viam-se rostos cavos de ansiedade e febril determinação sacrificial, muitos que se conheciam de pelejas antigas, agora sob a cor de outros estandartes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, ao alcance de ferros que rompiam carne da mesma carne caminhando para a morte. No desenfrear imparável, muitos cavaleiros tombavam por falha de solo firme para os seus corcéis. Afundavam-se nas várias covas, fossas e abatizes, os cavalos relinchavam retalhados pela dor imprevista e mortal que os trespassava na forma de paus acerados. A imensa mole que se seguia, tudo triturava, não parando, não se apiedando de quem já era uma massa informe que jazia vitima das mesmas cores. Consumava-se o embate tremendo, avassalador, ululante de encomendas ao paraíso e às preces protectoras. O ar rasgava-se de silvos continuados e milhares de flechas e dardos abatiam-se como granizo grado, sombreando tudo como nuvem que anunciava a morte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como forja ciclópica cruzavam-se os milhares de ferros; era um canto estranho, um tinido que se ia tingindo de vermelho da vida. Os corpos escoavam-se, esgotavam-se num tempo de respirar. Agonizavam abraçando poeiras e resinas de estevas rasteiras, tornando-se ataúdes férreos que ficavam inertes com os brilhos embaciados, rotos e pejados de muitos bicos acerados virados para o céu. Num dos primeiros lugares da vanguarda castelhana vinha Pedro Álvares, mestre de Calatrava e irmão de D. Nuno. Frente a frente como oponentes iriam combater por ideais diferentes. Também, vinham lá Diogo Pereira, Afonso Tello, o Velasquez, Sanches de Toledo, o letrado Galvez, o sem medo Montanchez, o conde de Vilhyalpandos, Marique, o Guevara, que se untava de sangue dos seus oponentes. Todos os mais ousados comandantes de Castela estavam ali para tentar abrir uma brecha na estreiteza do local das nossas defesas. Existia já um longo terreno à nossa frente pejado de corpos. Os que se acercavam não podiam escolher; tinham que ignorar este jazer e ser despiedados de calcar com força, a isso impunham as circunstancias. A breves, das várias chuvas de projecteis cai Pedro Álvares varado por uma lança que o vitimou junto à gola da armadura. Em breve todos os comandantes de mais nomeada nesta frente, estavam mortos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto não paravam de crescer as forças adversas. Tendo os nossos que ceder no centro das nossas defesas. Foi o recuo de uma pequena meia lua por onde os castelhanos avançaram. Mas rapidamente as gentes das alas e da retaguarda ocorreram e rechaçaram os castelhanos para as posições iniciais. Disto observou lá longe o rei de Castela e confirmaram-lhe que esta primeira surtida tinha sido de muitas perdas em vidas e equipamento, e que os portugueses não tinham cedido em nenhuma defesa. Manda então avançar uma poderosa segunda linha que formaria em crescente à moda mourisca, no intuito de envolver as forças portuguesas. Porém, esta segunda linha não estava definitivamente preparada, a longa fila de oito léguas, este "dragão" alongado, que levava mais de meio dia a movimentar-se da frente à retaguarda, ainda não avistava a batalha. Mesmo assim, a tal força quando avançou deparou-se com a retirada das então diminutas forças da primeira vaga. Ocorrendo um confuso choque, um desnorte, uma falta de discernido comando que aglutinasse e reflectisse o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ataque frontal parece perdido como opção para os castelhanos. Numa última manobra de tentar romper as nossas defesas, vem a poderosa força do Mestre de Alcântara, avançando por leste, tentando furar a nossa retaguarda onde estava D. João, Mestre de Avis. De pronto os nossos ocorreram a reforçar aquele local, pois a estratégia passava pela mobilidade que o bloco das nossas tropas tinha para ocorrer a qualquer frente da batalha. Entretanto o dia declinava, o inicio do luzeiro celeste anunciava-se. Estandartes e balsões lusos desfraldavam-se nos braços de uma brisa vinda dos Hermínios. Mais um poderoso ataque castelhano não tinha sortido efeito. Tinham este sido empurrados muito para além das nossas linhas iniciais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;D. João tinha estado em perigo, ao desequilibrar-se quando terçava com o Sandoval, preparando-se este para o acometer com uma estocada que poderia ser funesta; mas, Martim Gonçalves de Macedo, experiente fidalgo de lutas antigas, salvou-o ferindo de morte o oponente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto mais tempo iria durar esta batalha? Que tinha até então durado tão pouco de peleja! Tudo isto num espaço de uma hora, de muita violência e fatídico fim para milhares de combatentes. A vitória parecia pender para o lado português quando os movimentos de Castela pararam e, sem fito de novo ataque organizado. O rei D. Juan de Castela cujo estado de saúde no começo da batalha não era o melhor, foi acometido no decorrer da mesma de uma ansiedade febril, a que o malogro e desaires dos assaltos à nossas posições não foi estranho. Com uma falta de comando firme e experiente, minaram-se os ânimos dos castelhanos e ocorreu a ideia da debandada. O crepúsculo abraçou enormes gritos de aflição, interjeições ansiosas rasgavam os campos para os lados de Alcobaça. A charneca abrigava milhares de fugitivos que entre moitas procuravam as dobras da noite para poder escapar. Isto fez acordar uma multidão de aldeões das vizinhanças, que apercebendo-se daquele tropel de gentes sem rumo, lhes dá perseguição impiedosa e os fere de morte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ4khY0KII/AAAAAAAACaw/0CIG5Iqxqo8/s1600/023.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505220163340085378" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ4khY0KII/AAAAAAAACaw/0CIG5Iqxqo8/s320/023.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;D. Nuno Álvares Pereira, D.João, todos os comandos usaram de prudência. A cavalaria do Mestre de Alcântara quase que não tinha sofrido baixas. Havia ainda muitos milhares de combatentes castelhanos que podiam ser reorganizados. Continuou tudo nas suas posições e com atenção redobrada, não se sabia o que traria o novo dia. Nas sombras da noite os archotes começavam a dar uma visão medonha do campo de batalha alastrado de mortos e moribundos. Ouvindo-se ainda gritos de pelejas em locais distantes. D. João com um grupo encontra Diogo Álvares que vinha prisioneiro de Egas Coelho. O Mestre abraça-o estando disposto a perdoar-lhe por ter combatido por Castela. Entretanto corre que estavam a atacar o Condestável. D. João acorre para esse pretenso local; na muita escuridão gentes que iam e vinham procurando castelhanos, avistam Diogo Álvares que vestia um laudel com as cores de Castela; disso, ocorreu trespassarem-no a golpes de lança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi tudo isto muito terrível para todos. Esta guerra com Castela já tinha cerceado a vida de quatro irmãos do Condestável. Mas, mereciam os oponentes o maior respeito e a maior das piedades. Já no despontar da alva pôde-se avaliar do espólio que ficou a terreiro. A bagagem era muita e vária, tendas reais riquíssimas, os balsões e bandeiras reais de Castela. O oratório de prata da capela real; uma Bíblia e um relicário muito lavrado; o próprio ceptro castelhano de cristal com lavores artísticos engastados em ouro. Mais coisas iam chegando: os colossais caldeirões de cobre da cozinha de campanha, que logo foram destinados para os frades de Alcobaça. Mas, entre tantos despojos, nenhum cativou mais o orgulho, do que a bandeira real de Castela, com o dragão bordado em campo verde; um dragão que já não era altaneiro e já não ondulava mostrando-se como norteio às suas gentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto era dia 15 de Agosto de 1385, dia de Nossa Senhora. Sabia-se já que o rei de Castela tinha abandonado o local da batalha e tinha rumado a Santarém. Chega D. Juan de Castela a esta localidade após três horas de cavalgada. Ali no Paço dá largas ao seu desespero rompendo num pranto irado com os seus validos. Derrubando baixelas, arrancando veludinos, a todos verberando: « Desastre!... Desastre!...» Proferia sem cessar cerrando os punhos que batiam incontidos no mobiliário circundante. Entretanto Guzman, Mestre de Alcântara, ruma com as suas forças quase intactas na peugada do rei. No caminho de Santarém, para se lhe juntar. Recolhendo soldadesca e cavalaria dispersa que rumava incerta e perdida pelas campinas. Quando ali chega o rei tinha partido, as notícias do desastre militar avolumavam-se e tingiam de funestidade. Muitos dos maiores de Castela tinham perecido na batalha, ele rei, só queria rumar a Sevilha. Tomar um batel e descer o Tejo ao encontro da esquadra castelhana fundeada em frente de Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficaram as nossas forças três dias no campo de batalha, para, segundo as regras da Cavalaria, confirmar a vitória, mostrando que mais ninguém se atrevia a disputá-la. Após este tempo rumou o exército para Alcobaça onde foram recebidos pelo prior de Cister. A hoste acampou no vale de Chiqueda e D. João mandou que piedoso trabalho fosse de pronto feito: enterrar os inúmeros mortos castelhanos que se espalhavam nos campos em redor. Enviou-se para Lisboa a bandeira de Castela, para que as gentes da capital do reino vissem o mais significativo troféu. Entretanto chegam noticias da debandada do rei de Castela e de tropas e guarnições de castelos. Chegam no outro dia as tropas portuguesas a Santarém. O povo dava vivas entusiásticas saltando e cantando nas ruas; guardando&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ4Ka_OZGI/AAAAAAAACao/HqJJ72hnjww/s1600/003.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505219714945541218" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGZ4Ka_OZGI/AAAAAAAACao/HqJJ72hnjww/s320/003.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;as portas das igrejas e conventos onde alguns castelhanos se acoitavam ao abrigo destes lugares santos. Deparou-se uma multidão de prisioneiros que impressionava pela quantidade. Chegavam de todo o lado como enorme rebanho e iam acorrentados e em grandes "manadas" beber ao Tejo. Comida não havia para prover o sustento destas pobres gentes. Resolvendo D. João e D. Nuno usarem de compaixão, libertando todas aquelas gentes, que fossem sem qualquer perigo para as suas terras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então, este quente mês de Agosto de 1385, o acontecer de esperanças novas para todos os portugueses. A pátria estava liberta, os solos e caminhos eram senda lusa doravante, sem perigos opressores. Os balsões das quinas iam de novo ondular em todas as menagens do reino. Tinham morrido milhares de homens, mais castelhanos que portugueses. Lembrar que o lamento deveria ser igual, independente da origem. Todos tinham avós, pais, mulheres, filhos, alguém que esperava para o despontar de uma família, um amigo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A guerra nada poupou. Restará para os vivos actuais e vindouros, no gastar dos séculos, a lembrança desses homens que generosamente deram a vida para que Portugal continuasse independente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-569393337601327138?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/569393337601327138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=569393337601327138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/569393337601327138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/569393337601327138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/08/aljubarrota-625-anos-da-mae-de-todas-as.html' title='Aljubarrota, 626 anos da &quot; Mãe&quot; de todas as Batalhas'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TGaiilIqYPI/AAAAAAAACbE/UdwL7JnvKrg/s72-c/S.Jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-7929150641348584540</id><published>2010-06-27T15:08:00.004+01:00</published><updated>2010-06-27T16:41:57.995+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VIAGENS'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - III</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TCdcYuZZ5UI/AAAAAAAACaM/kYKLGfnzvgI/s1600/Hagia+Sophia+-+1852.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 223px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487456250815440194" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TCdcYuZZ5UI/AAAAAAAACaM/kYKLGfnzvgI/s320/Hagia+Sophia+-+1852.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PRIVILÉGIO DIVINO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No Grande Bazar ( Kapahçarsi) , entre o bulicio das centenas de tendas; Murat esperava-nos à porta do seu alfarrábio. Milhares de livros, manuscritos, Corões raros, um que tinha pertencido ao grande arquitecto Sinan, o tão considerado obreiro da Mesquita Azul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Murat dizia-nos que não tinha grandes pistas para o que procurávamos, que era muito delicado falar do livro de Abdul al - Hazred, o poeta louco de Sanna no Yémen. É um livro de evocações aos Dejjíns e demónios, que pode perder quem o leia. Dá-nos conta de que parece que uma família de anciãos, moradores na cidade subterrânea de Derinkuyu, no coração da Anatólia, tem um exemplar que outrora foi vindo de Damas, na Síria, trazido por caravaneiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada mais havia a fazer até aos preparos da partida. Chega mais uma noite invulgar da pujança de Silene, centelhas de lazuli abraçam-se nos minaretes da Mesquita Azul. O Crescente coroando a cúpula lembrava Sinan e o seu discípulo Mehmet Aga. Era do pátio desta Mesquita do Sultão Ahmet que partia todos os anos a caravana sagrada dos peregrinos para Meca. Daqui saia um camelo sagrado, que se dizia descendente de um animal que pertencera ao Profeta. Azeijado com o Mahamal, uma peça de tecido negro bordado a ouro, que o sultão enviava para cobrir a Ka'ba, caminhava na frente da procissão que descia até ao Bósforo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os eunucos, os janízaros, os dervixes seguiam o camelo; logo atrás sete mulas carregavam presentes para o emir de Meca. Juntava-se todo o povo, regulando todos o passo pela cadência do animal. Estes peregrinos encontravam-se com os de Uskudar na outra margem, partindo em direcção à Arábia. Fervor de fé sublime e colorida presença de milhares de pessoas davam uma imponência ímpar a esta cerimónia; por isso a distinção da construção de seis minaretes nesta Mesquita, o privilégio reservado somente à única e grande Mesquita de Meca. Mais tarde pressionado pelos Ulemas, o emir de Meca ordenou a construção de um sétimo minarete que fizesse a diferença. Querendo mais, desdobro-me de olhar, já nos beijos da aurora, qual Ícaro sôfrego de querer pairar nas Sete Torres: na de Yedicule a mais alta, toda a cidade, toda a Terra parece acolher-me. Europa e Ásia frente a frente com um destino comum. Os Muezzins chamam os crentes, Istambul acorda, bandos de estorninhos vindos das Ilhas Princípes são estandartes de um Sol ainda tímido. Volteiam ágeis indo da Mesquita de Solimão o Magnífico aos encantos dos jardins de Santa Sofia. Meigas rolas equilibram-se nos obeliscos, cruzando em curtos vôs os lugares do antigo Hipódromo. O Sol bafeja-me, distendo-me numa pequena preguiça felina, a felicidade dos mistérios de uma noite a olhar Istambul, dão-me a medida do olhar dos reis, antes de descer ainda me ocorre lembrar Théophile Gautier: « Vi as ruínas de Atenas, Éfeso e Delfos; atravessei toda a Turquia, Europa e Ásia, se há memória que perdure para sempre é o que se pode sonhar entre as Sete Torres e a extremidade do Corno de Ouro.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passo pelo lugar do antigo Hipódromo, lugar de lutas cruéis e exaltações de facções: os Verdes os Azuis, o aplauso às bigas e quadrigas vencedoras: Homens a lutar até à morte, conclave de conspirações de poder que nasciam dos rumores ali perpretados. Lugar de saque durante revoltas populares; pilhado pelos latinos da Quarta Cruzada. A Coluna Serpentina erigida na origem em frente do templo de Apolo; trazida para Constantinopla no tempo do primeiro imperador, marca com a sua vetustez e patine de séculos o centro da praça. Lembra a grandeza do Império. Mesmo os momentos mais pungentes e terríficos da história, não ofuscam o tanto e tão belo que esta cidade tem para oferecer. Respeitamo-la mais: cada pedra é um livro, cada monumento um agasalho para o intelecto, cada brisa uma largada para a encruzilhada das civilizações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagino Orhan Pamuk a correr por entre a brancura da neve, sentindo o bafo frio vindo do Mar Negro, naqueles dias em que as agulhas dos minaretes são estalagmites forradas de pérolas brancas, em que o som da chamada dos Muezins ecoa forte até Uskudar. Pamuk inspirando-se para escrever o seus livros; o que já escreveu a " Neve": que visita a cada Inverno a sua amada Istambul. Dirijo-me para o Palácio Topkapi, junto à Porta Imperial Roxelana espera-me; é de uma beleza e doçura cativante, tem uma escola de danças orientais na zona de Sultanahmet. Cumprimento-a pensando na favorita das favoritas, retribui-me com um encanto de rainha. Profere-me palavras belas, entre elas: « Um dia vou-te mostrar todo o Palácio do Topkapi!...Afinal já fez parte da minha vida!...» Diz-mo entre o clarão brando do meio dia e a música de um bando de estorninhos que desenha um nome milenar num céu muito azul.&lt;/div&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;josé movilha&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-7929150641348584540?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/7929150641348584540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=7929150641348584540' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7929150641348584540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/7929150641348584540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/06/visita-sublime-porta-iii.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - III'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TCdcYuZZ5UI/AAAAAAAACaM/kYKLGfnzvgI/s72-c/Hagia+Sophia+-+1852.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-3085951586695916693</id><published>2010-06-13T14:46:00.005+01:00</published><updated>2010-06-13T15:56:25.458+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VIAGENS'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TBTi6QryoxI/AAAAAAAACaA/WvUHUhiLBLM/s1600/Noites+no+Topkati.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482256136955667218" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TBTi6QryoxI/AAAAAAAACaA/WvUHUhiLBLM/s320/Noites+no+Topkati.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TBTigHm-m0I/AAAAAAAACZ4/axjklPElPqQ/s1600/Hagia+Sophia+-+1852.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 223px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482255687842962242" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TBTigHm-m0I/AAAAAAAACZ4/axjklPElPqQ/s320/Hagia+Sophia+-+1852.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A VARANDA DOS DJÍNS&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bizâncio, Constantinopla , Istambul, três nomes imemoriais no tempo para a mesma cidade. Istambul desde 1453, esta imensa metrópole que eu olhava; serenada no manto da noite, envolvendo-se num calmo adormecimento aparente. No mais alto de um edifício no bairro de Sultanahmet dava-me ao horizonte com a vontade de um etilita perpétuo, abraçando a transparente oferta de uma noite invulgar. Os inúmeros monumentos que a minha vista abarcava mostravam-se em luz e sombras como se planassem numa outra dimensão. Os minaretes apontavam-se às galáxias, perpetuando a aliança sagrada e o engenho dos homens. Do outro lado a Torre da Gálata circundava-se de envolvências de nevoada tule. A ponte do mesmo nome, assim, como a de Ataturk, respiravam de calcorreio breve. Antes do nascer do Sol, Europa e Ásia ouviriam milhões de seres, massa humana que ia e vinha dum continente ao outro. Gentes que sofriam, rezavam, comiam, tinham fome, amavam; mostrando alegrias e tristezas e o destino de um deambular trepidante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na serenidade da água, lá longe, o Mar da Marmara enfeitava-se num luzeiro de miríades nas pequenas embarcações. A Lua plena lembrava Hécate uma das padroeiras da cidade, a que rasgou breves trevas, clareando protectoramente, avisando os bizantinos, nesse ano de 340, quando o exército de Filipe da Macedónia estava nos contrafortes das muralhas. Da defesa e repelir dos sitiantes, ficou o reconhecimento à deusa: foi cunhada moeda com o crescente e a estrela; os seus símbolos votivos. Desta varanda torno-me mago de descobrir. Os Djíns mostram-me o passado e o presente, da janela do tempo imagino os milhares de seres que edificaram aquela obra mandada fazer por Teodósio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquelas muralhas de sete quilómetros, muro imemorial que ainda hoje dá forma à cidade na sua extensão até ao Corno de Ouro. Toda a população foi mobilizada, milhares de carregadores, canteiros, ladrilhadores, pedreiros. As facções do Hipódromo, os Verdes e os Azuis contribuíram com 16 mil homens. O primeiro bastião com a espessura de quatro metros harmonizava-se nas curvas das colinas, a sua resistência aos séculos é tal, que ainda hoje se consegue discernir toda a arquitectura da fortificação. Uma segunda muralha menos alta ergue-se após um terrapleno a que se chamava períbolo. Logo após um segundo períbolo onde estagnavam águas pluviais que se podiam aumentar, como recurso de defesa, com um sistema de eclusas. Uma terceira muralha chamada contra-escarpa completava o conjunto, tudo comunicava entre si nos planos militares por um bem concebido plano de portas e paternas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portas que assistiram a virar de séculos, a magnificências régias, a procissões de relíquias votivas, peregrinações fervorosas; a dezenas de entronizações de Imperadores Bizantinos; embaixadas luzidas em busca da Sublime Porta. Mas que também ouviram ecos de gritos, contidos na fúria cerceadora do invasor; as revoltas cruéis no Circo em busca do poder. À destruição impiedosa, ao saque, ao sangue dos inocentes; à mais horrível matança e pilhagem perpetrada pelos irmãos do mesmo credo, cuja missão era proteger a Cruz e resgatar o Santo Lenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A limpidez da noite faz divisar a imponência do Palácio de Dolmabahçe. Do outro lado do Bósforo mostra-se o mesmo numa plenitude de vivos recortes. Segundo a lenda foi naquele local que Jasão e os seus Argonautas desembarcaram à procura do Velo de Oiro. Construído em 1853, albergou a corte imperial até ao advento da República em 1923. O tempo parece parar nestas sete colinas, por momentos dou-me numa dualidade recordativa como se estivesse na Olissipo e o Tagus fosse gémeo do Bósforo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;José Movilha&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-3085951586695916693?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/3085951586695916693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=3085951586695916693' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3085951586695916693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/3085951586695916693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/06/visita-sublime-porta-ii.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - II'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TBTi6QryoxI/AAAAAAAACaA/WvUHUhiLBLM/s72-c/Noites+no+Topkati.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-5518188173868246253</id><published>2010-05-29T12:24:00.006+01:00</published><updated>2010-05-29T17:21:40.724+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VIAGENS'/><title type='text'>VISITA À SUBLIME PORTA - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TAD-D9OLa7I/AAAAAAAACZY/8p63OQ41X4k/s1600/Istambul+-+Ber%C3%A7o+de+Civiliza%C3%A7%C3%B5es.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 167px; FLOAT: right; HEIGHT: 539px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476656490809617330" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TAD-D9OLa7I/AAAAAAAACZY/8p63OQ41X4k/s320/Istambul+-+Ber%C3%A7o+de+Civiliza%C3%A7%C3%B5es.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Das&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TAD6MGLs9RI/AAAAAAAACY0/ElVIY6OlREc/s1600/Mesquita+de+Ortakoy.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 233px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476652232607593746" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TAD6MGLs9RI/AAAAAAAACY0/ElVIY6OlREc/s320/Mesquita+de+Ortakoy.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; inúmeras vezes que visitava  Istambul, peregrinava sempre com elevado gosto, na visita à Hagia Sophia. Perdia os olhares naquela cúpula imponente que suplantava a do Panteão de Roma, cumprindo-se de referências estéticas do Egipto à Síria passando pela Pérsia. Numa solitária caminhada bebia ali frescos e contemplações que me transportavam a outras estágios de peregrinação. A noite anterior com os amigos tinha sido rica em libações e gastronomia. Mustafa tinha-se empenhado numa verdadeira noite de " leão" - o que se chama aguentar o " Raki" - a mais emblemática bebida turca. Diluída em água, com toque e sabor a aniz, com apreciável grau que trai os mais incautos entusiastas e convivas. Fez questão de colocar, para nosso uso, os mais belos Kilims, os tapetes, com belos desenhos geométricos e apelativas cores. Os pratos sucediam-se: iniciam-se com o Kebap e o Zeytinyagli Biber Dolmasi ( pimentos recheados). Por fim o frango com nozes ( cerkez tavugu), fazendo-se este pela confecção eleger a libações mais profundas de Raki. Eu poupava-me a meter-me com Mustafa ou Memet no acto de pousar o copo vazio. Estávamos nos baixos do edifício Pamuk, construído pelo avô do escritor Orhan Pamuk; datava da época em que este patriarca da família enriqueceu a montar caminhos de ferro e fábricas, tudo sobre a égide do fundador da Turquia moderna, Kamal Ataturk. Era nos andares cimeiros que Orhan escrevia os seus romances e onde Mustafa tirava fotografias únicas que ganhavam prémios internacionais. Num privilégio único, Mustafa tinha-me levado lá para que pudesse observar a vista para o Corno de Ouro e para o Palácio Topkapi. Em maresias brandinhas sentia-se daquela janela o Bósforo trepidante de tráfego. Ainda assim, desdobrando-se no horizonte em serenidades como o seu irmão Tagus da ocidental praia; suportando pontes trepidantes de gentes que faziam a ligação entre a Europa e a Ásia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre nuvens de estorninhos que pejavam um fim de tarde límpido, o muezzin sacralizava-se ali perto,na Grande Mesquita, ecoando para o poente mais uma chamada aos crentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cidade prodigiosa que está e estará sempre para os escritores como S. Petersburgo esteve para Dostoiévski; Buenos Aires para Jorge Luís Borges; Dublim para Joyce; ou Paris para Proust. Aqui toda e eternamente para Pamuk. Quinze milhões de seres que fervilham nesta grande cidade colmeia. Saio da Hagia Sophia elevado pela contemplação. Repouso os olhares num último fresco: como Teodora, a filha de um domador de ursos, praticante de algumas artes mais desonradas; se fez perpétuar em pose " Mariana", conseguindo influenciar e tiranizar o império. Aos olhos do Sol, pisei um último lajeado, a resplandecencia tolhe-me a visão. Acoberto-me novamente, por minutos, na sombra de tanta vetustez. Desta vez olho Justiniano tornado Santo Ortodoxo sem se desgastar nas subidas infindáveis do Monte Athos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um novo friso de painéis, o imperador Comnemos, sua mulher Irene e o seu filho Alexis estão retratados como se fossem a Sagrada Família. Cristo sentado no trono ladeado pela imperatriz Zoe; os vários maridos da imperatriz a quem foram modificadas as representações dos rostos e nomes de cada um deles após os casamentos, mostram-se esbatidos de assumirem o compromisso do tempo e da fugacidade dos reinados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desço à cisterna de Yerebatam, do lado oposto do Museu de Santa Sofia, a maior construída em Istambul durante o período bizantino, o prodígio da dimensão solta-nos para outros estágios de exaltação; a frescura empresta uma respiração de mosto de djíns. As luzes são pálidas, cuidadosas de ferir, esbatendo-se no lajeado aquoso que se distende como um espelho de Silfídes que tem de idade as sagas do Profeta. A água chegava dos rios,as nascentes da floresta de Belgrado,a muitos quilómetros de distância. Encaminho-me para a saída. Duas cabeças gigantescas de Medusas usadas como base de colunas, parecem olhar-me , adormecidas, tocadas pela beatitude do lugar, transformando do emblema do seu horrendo bacinete, ondulantes e inofensivos líquenes flutuantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo escoa-se e não vou voltar a visitar a Mesquita Azul , Mesquita do Sultão Ahmet, a maior e mais explendida mesquita de Istambul. Quando a visitava, das suas cinco portas existentes para o pátio, preferia sempre a da corrente. De acordo com a lenda esta corrente ajudava o Sultão a descer da sua montada. A contornos perdi-me nos verdes do arvoredo e jardins circundantes à Praça do Sultão Ahmet; antigo lugar do Hipódromo que iniciou a sua construção no ano 203, com Septímo Severus, logo após a conquista romana da cidade, sendo especialmente concluído no ano de 330 para as cerimónias do imperador Constantino, o Grande.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Subo a uma pequena elevação de terreno polvilhada de inúmeros canteiros com as mais belas flores. Como gageiro de bonanças diviso lá em baixo o Bósforo arremetendo em surtidas brandinhas de espumas intemporais. Imagino uma galera Veneziana a aportar com mil deslumbramentos para Roxane. Um vento antecedente tinha ainda no horizonte a marca da frota Cruzada para S. João de Acre. Adornam-me as vistas para o Palácio Dolmabahçe, a ponte de Galata, o próprio Leonardo da Vinci chegou a apresentar um projecto ao Sultão. Das águas olho o imponente Palácio Topkapi, o fascínio das suas memórias acompanham-me até ao cais. A tarde entrega-se às estrelas. No outro dia tinha que estar bem cedo no Grande Bazar ( Kapahçarsi), juntamente com Mustafa, para visitarmos o maior alfarrabista de Istambul, Murat. Talvez ele nos desse uma pista do mais famoso e raro dos livros esotéricos que procurávamos, composto por Abdul al-Hazred, o poeta louco de Sanaa no Yémen. Isso, provavelmente levar-nos-ia a distantes e antigos " caravansarais" ( hospedarias), caminhadas na Anatólia, caminhos de Alexandre o Grande, grutas de Goreme e uma permissão de ouvir a comunidade Sufi em Konya.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé Movilha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-5518188173868246253?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/5518188173868246253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=5518188173868246253' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5518188173868246253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5518188173868246253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/05/visita-sublime-porta-i.html' title='VISITA À SUBLIME PORTA - I'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/TAD-D9OLa7I/AAAAAAAACZY/8p63OQ41X4k/s72-c/Istambul+-+Ber%C3%A7o+de+Civiliza%C3%A7%C3%B5es.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-5729297888270035222</id><published>2010-05-15T14:54:00.005+01:00</published><updated>2010-05-15T20:07:19.567+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>EVOCAÇÕES DA BELA CINTIA - IV</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6rRhbHOjI/AAAAAAAACYo/NQZKBWGXark/s1600/mulher+misteriosa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471498914819947058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6rRhbHOjI/AAAAAAAACYo/NQZKBWGXark/s320/mulher+misteriosa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;BALALON&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Buganvílias como chapéus coloridos, compunham poses ao luar pleno que Sintra ainda continuava a oferecer naquela noite de absoluta limpidez celestial. Eu conhecia bastante bem este palácio. Tinha-o percorrido inúmeras vezes não só em estudos para vários trabalhos, como também, em ciclos de aulas vivas com grupos nacionais e estrangeiros. Podia pois, deambular por todas as salas com bastante desenvoltura e regressar ao ponto de partida o Terraço da entrada, ou à Sala dos Cisnes onde decorria o concerto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recordei, com um sorriso que me aflorou os lábios, que certa vez caminhava com um grupo de trabalho italiano de professores de arte oriundos de Veneza, a quem mostrava o palácio e a quem descrevia o lugar da sala quarto-prisão onde vários anos permaneceu El-Rei D. Afonso VI; quando se deu pela falta de três elementos que se tinham afastado do grupo, sendo inexplicável de momento encontrá-los ou vislumbrar para que lado estariam. Pedi ao grupo que se mantivesse nas cercanias da antiga casa da distribuição da água e num prognóstico algo intuitivo desloquei-me em direcção à passagem para a sala dos brasões, alcançando em seguida a sala das colunas, das duas Irmãs ou de D. Afonso V; acercando-me assim, do Jardim da Lindaraya. Ali, encontrei-os contemplando a idílica flora, entregando-se ao mesmo tempo a mantos de sombras que cativavam em prodígios de frescos. Resgatados para o périplo colectivo, rapidamente todos juntos fizemos o restante percurso da visita, e a breve trecho, chegámos à Sala das Sereias, da Galé, ou Câmara de Ouro, passando à sempre admirada Sala das Pegas, deslocando-nos para a Sala de D. Sebastião, do Conselho, ou da Audiência, encontrando-nos em breve no Pátio da entrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A estridente ovação a coroar o virtuosismo dos executantes, tirou-me das minhas meditações recordativas. Era a marca para tomadas de ar fresco para amenizar o galopante fluido emotivo, elevado por tão intensa entrega melómana ao cativo dos sons. Junto ao Lago dos Cisnes encontrava-me há algum tempo só. Parado junto a um enorme cone de buxo tratado em forma piramidal, olhava impessoalmemte os grupos de pessoas que me circundavam, quando fui atraído pelo odor de um perfume diferente de tudo o que nos cercava. Não sendo propriamente um " nariz", na plenitude do ofício, sabia distinguir as notas principais, as notas de cabeça, que são essências voláteis, as notas de coração, essências mais fortes que caracterizam o perfume, e as notas de fundo que como música caracterizam toda a solidez da composição perfumista. Lembrei-me da oferta que um dia tinha feito a D. Sininho, com a cumplicidade de Senesino: um jogo de frascos de René Lalique, verdadeiras preciosidades, onde se incluía uma réplica do primeiro frasco para L'Effleurt de François Conty. Tudo isto adquirido num antigo vidreiro coleccionador de Murano e, para o qual para conseguirmos os preciosos frascos, depois de aturadas negociações, se impuseram como moeda de troca duas bonitas gravuras de Bonnart, representando figuras em traje perfumista, uma cave de perfumes, caixa de conservação em madeira da Ilha de Fritis, e ainda uma réplica de L'e Tépidarium de Théodore Chassérian, de 1853, cópia muito bem feita por um anónimo em princípios do século XX.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No nosso laboratório fazíamos vários incensos para rituais, e algumas vezes aquando de ocasiões especiais, tinha o privilegiado gosto de fazer algumas águas régias. Aqua Mirabilis, a água chamada da Rainha, da Hungria, a água de colónia dos tempos correntes; e alguns óleos para práticas de Aromaterapia. Onde amiudadamente lhe reservava três óleos: a lavanda para as frieiras, o zimbro para a circulação e o funcho para a obstipação. Das sete famílias de perfumes, D. Sininho gostava dos " chipres" constituídos no acorde bergamota-jasmim; mas, preferia muito mais os " hespérideos", dádiva do grande Alexandre, o Grande, alguns pés de cidreira trazidos para a Grécia, após o regresso de muitas das suas expedições asiáticas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os primórdios básicos onde deveriam assentar mais tarde com os árabes, a laranja amarga da bacia mediterrânica e quinhentos anos mais tarde a bergamota calabresa, os percursos até à colónia dos nossos dias.&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6qv0aRvOI/AAAAAAAACYg/pe5sA9cTI9A/s1600/Sala+dos+Bras%C3%B5es+-Pal%C3%A1cio+de+Sintra.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471498335801162978" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6qv0aRvOI/AAAAAAAACYg/pe5sA9cTI9A/s320/Sala+dos+Bras%C3%B5es+-Pal%C3%A1cio+de+Sintra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parecia-me, pois, que o odor que me cercava tinha uma forte componente cítrica, mas também, talvez, a rosa damascena, ou a rosa centifólia; estivessem presentes a par de muito sândalo-branco e mais qualquer coisa muito subtil e muito forte ao mesmo tempo, que não conseguia identificar. Inclinei-me para através do olhar contornar o bojo da enorme escultura de buxo, de onde parecia emanar aquele odor. Divisei uma silhueta de mulher naquele recanto entre o arbusto e a janela que dava para o jardim. O sombreado fundido na luminiscência difusa mostrava-me, num emolduramento quase pictórico, uma mulher de traços finos e aparência muito bela, vestida com os aprontos das festas da Sereníssima. Os cabelos tufavam de mansinho até aos ombros deixando-se afagar no alto por uma tiara singela; um colar cor de ébano adornava-lhe o níveo peito, como pressagiando a tepidez meio escondida e gémea que se agitava ao bater das emoções Não tinha dúvidas que era daquele ser que se desprendia a rara fragrância. Ainda não refeito por esta emoção em que as almas algumas vezes capricham. Vi-a olhar-me e acto contínuo, o seu gracioso braço estendido mostrava na mão um qualquer papel quandrangular. O mesmo caiu num propósito evidente de me envolver no que era ,nos últimos minutos,toda a atenção dos meus sentidos. O pequeno conjunto de páginas, que apanhara, era agora com evidência o programa do conserto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cerca de alguns metros, já no interior da sala, iluminada por mil reflexos cristalinos de uma luz não natural; um corpo suprimido de tensões de pose, aquela calma das princesas nas varandas de Ítaca. Tecendo oferendas para os deuses e falando com o mar; o apelo algo adorativo que cativa e prende a quem olha e, que, inexoravelmente nos faz pensar num tributo religioso a uma Deusa que nos aleita de presença pujante e nos coloca em ara de sortes que apelam mais ao respeito contemplativo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto se me sublimou no espírito em fracções de segundos. Habituado pelo treino analítico ao catalogar do que me cercava; no espaço destes fugazes momentos de julgamento emocional ao que devia fazer: compreendi ir acontecer algo de mais surpreendente. Olhando mais em detalhe o programa, a propositada mensagem, li : " Deve seguir-me "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6ov5S2TEI/AAAAAAAACYY/ow2BQg0M_eY/s1600/Pal%C3%A1cio+da+Vila+-+Sintra.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471496138088926274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6ov5S2TEI/AAAAAAAACYY/ow2BQg0M_eY/s320/Pal%C3%A1cio+da+Vila+-+Sintra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais estranho e paradoxal para mim, em todos estes desfilados e céleres actos, era a sensação de que aquela figura de mulher me era familiar e, que algures, já a tinha visto em qualquer lugar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não era difícil seguir aquele rasto, o mais misterioso dos perfumes indicava-me o caminho, o mesmo era ainda feito de parceria com breves aparições de grupos coloquiais que aguardavam o começo da segunda parte musical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na peugada de seguir a minha misteriosa guia encontrava-me a breve trecho no pátio junto ao Tanque dos Cisnes, dali, subindo umas estreitas escadas desemboquei no Pátio do Esguincho, ou Pátio Central, onde na calma vetustez daquele périplo por salas e pátios apartados de calor humano, já só chegavam aos ouvidos ecos remotos de conversas longínquas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir daqui divisei junto à minha misteriosa guia uma luz do que parecia ser, talvez, uma lanterna. Eu caminhava afoito e ao mesmo tempo preso da maior curiosidade; pensando até onde me levaria aquela luz juntamente com a minha guia. Em breve estávamos na Sala dos Árabes, e a breve trecho no Pátio da Carranca. Ali a luz imobilizou-se. Eu mantinha uma distância de, talvez, quarenta passos, e a continuar assim em breve a alcançaria e, à sua misteriosa portadora. Mais perto e por entre um fugaz luar ocultado por nuvens ocasionais, divisava já aquele forte bruxulear em cima de um banco de pedra; mas da misteriosa diva transportadora nem rasto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei em volta, surpreso e esperançado de que a cativante criatura que ali me tinha levado ainda pudesse aparecer; mas não: no ar pairava, agora de uma forma mais intensa o forte perfume que me inebriava mais e me fazia lembrar algo que conhecia. Era como se fosse um convite a pôr à prova a minha capacidade de separar as essências para a primeira decifração de algo que não era palpável para leigos; mas que poderia ser uma primeira pista para os conhecedores dos trabalhos do Athanor. O odor estranho e único da forte fragrância era agora mais intenso do que nunca. A misteriosa portadora parecia ter-se desmaterializado, transformando-se nesta presença volátil. Lembrei-me de que há muito intentava fazer o Kyphi perfeito, o perfume sagrado dos deuses egípcios, mas ainda não tinha conseguido as verdadeiras proporções e genuínas matérias. Existia em toda aquela atmosfera algo daquela composição, quase que tinha a certeza disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando-me para o objecto luminoso e pegando-lhe vi tratar-se de uma lanterna, Era piramidal, de metal, bronze ou latão; devia ter uns trinta centímetros de altura, na cúspide uma pequena argola era o meio de a transportar. Uma vivíssima luz num tom verde azulado desprendia-se, não se vendo da sua proveniência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O céu era agora uma cascata de réstias de luar, divisando-se perfeitamente tudo no interior do pátio. Resolvi-me a pegar na dádiva misteriosa da minha bela fugidia, decifrar por fim todo ou algum mistério ali acontecido. Ao deslocá-la elevando-a, a luz apagou, mostrando-se junto à pega um rolo de papel de alguma consistência. Era só eu, o luar, e aquela presença agora transformada em perfume. Retrocedi nas sombras com a experiência de um conhecedor que a breve sairia do Palácio. Com o artefacto metálico embrulhado num abafo, restava-me vencer a breve ansiedade de procurar uma precária luz para leitura. Distendi o rolo, do que me pareceu ser realmente papiro. Em letra que talvez cálamo escrevesse, pude ler:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;" Almejas conseguir o Kyphi, um dia o farás : Eu sou aquela com o cabelo enfeitado com sete estrelas, os sete alentos de Deus que movem e pulsam sua excelência. E tenho penteados os cabelos com sete pentes, nos quais são escritos os sete nomes secretos de Deus, que não são conhecidos sequer dos Anjos, ou dos Arcanjos, ou do chefe dos exércitos do Senhor ".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;BALALON&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trémulo de emoção internei-me na folhagem, subi ao mais alto de Cintia e contemplei toda uma noite de luar, acompanhou-me aquele perfume que agora sabia sacro. A manhã rasgou-me o peito de mansinho com o grito de mil aves vindas do mar. No murmurio do azul Ela vogava já longe numa barca para Mênfis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6ov5S2TEI/AAAAAAAACYY/ow2BQg0M_eY/s1600/Pal%C3%A1cio+da+Vila+-+Sintra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-5729297888270035222?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/5729297888270035222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=5729297888270035222' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5729297888270035222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/5729297888270035222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/05/evocacoes-da-bela-cintia-iv.html' title='EVOCAÇÕES DA BELA CINTIA - IV'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S-6rRhbHOjI/AAAAAAAACYo/NQZKBWGXark/s72-c/mulher+misteriosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-8292029471666815851</id><published>2010-05-01T16:05:00.005+01:00</published><updated>2010-05-01T18:53:30.822+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>CRÓNICAS DAS SETE COLINAS - DEAMBULAÇÕES OLISIPONENSES - V</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xE8RIg4FI/AAAAAAAACYM/U0C8R8mYDJI/s1600/Est%C3%A1tua+de+E%C3%A7a+de+Queir%C3%B3s+com+a+verdade..jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466319849902891090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xE8RIg4FI/AAAAAAAACYM/U0C8R8mYDJI/s320/Est%C3%A1tua+de+E%C3%A7a+de+Queir%C3%B3s+com+a+verdade..jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Na íngreme senda do Alecrim, e mais acima à direita, o palácio mandado edificar por Joaquim Pedro Quintela, o para sempre conhecido palácio Quintela. Ali, o primeiro barão deste nome, hospedou principescamente Junot e o seu estado maior, aquando das invasões francesas. Moldagem de interesse situacionista para acobertar os seus bens e agradar aos franceses. Sendo-lhe mais tarde remetido de Paris, por este general amado do grande Corso, um admirável serviço de Sévres, como reconhecido apreço por tão generosa hospitalidade. Neste tempo ainda o barão se albergava nos tais perfis de bandeira legitimista, preservando os seus avultados bens no abrigo da tal capa de equilíbrio diplomático que ia dando os seus frutos. Não obstante todo o meandro vivencial do nosso barão com a corte, eis que é promulgado o célebre decreto de Novembro de 1831, que põe fim a esta calmaria de protectorado aos abastados; intentando tirar a todos grosso pecúlio. Ao nosso mecenas foram fixados por quota vinte contos de réis, uma enorme fortuna na época, para a qual intento o barão se recusou a pagar. Intimado a sair de Lisboa em vinte e quatro horas, o nosso ilustrado patrocinador dos melhores eventos culturais da época, teve que se refugiar, com alguns poucos correligionários de recusa, a passaporte de amizade antiga , a bordo de embarcações francesas sedeadas no Tejo. Passados estes tempos conturbados e, com a chegada do rei liberal e 1833. quis Pedro Quintela, já a novos perfis de filiação, dar o mais sumptuoso dos bailes que aquele palácio teve: em homenagem a D. Pedro IV e aos seus oficiais e, voluntariamente abrir os cordões à bolsa e à causa liberal, sob a forma do mais prestimoso e oportuno dos empréstimos à coroa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xECRkDTDI/AAAAAAAACX8/RND4gBUotVg/s1600/Pal%C3%A1cio+Quintela.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; FLOAT: left; HEIGHT: 166px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466318853585980466" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xECRkDTDI/AAAAAAAACX8/RND4gBUotVg/s320/Pal%C3%A1cio+Quintela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transformou-se este palácio a propósitos mais coloridos, numa " movida cursiva", tendo o ensino das artes pictóricas do " Designe" e do jornalismo como emblema a quadros que Quadros quis dar. Deparando-se aos alunos, ali bem em frente, em surtida de espera ao amarelo da carris, a réplica do que teria sido a verdade marmórea do Eça « Sobre a nudez forte da Verdade o manto diáfano da Fantasia»; in Relíquia. Amputada, o original várias vezes nos seus níveos braços, mortificada de indecorosos graffittis que fariam corar de revolta o gaiense Teixeira Lopes, seu autor, e ainda por outras razões menos perniciosas e mais bem " naifs" a velha criada da família da mulher de Eça, que vinda do Douro a Lisboa, ao deslocar-se para ver o monumento, teria dito: « O sr. Dr. José Maria ficou muito bem, mas pelas santas alminhas !... Não há direito de porém a Srª D. Emília assim, com tudo ao léu...»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do pitoresco episódio teria o nosso grande mestre da escrita sorrindo prazenteiramente, incluindo-o na prolixa fonte dos coloridos do Chiado. Eça que tanto descreveu a verdadeira Lisboa nos seus livros; está agora substituído na sua verdade por um replicado trabalho de bronze, mais resistente aos desmandos nocturnos, exilando-se o original a protectorados de beneplácito edil para convalescente restauro e preservação temporal de tão emblemático monumento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chuva dá um tom novo ao casario da Emenda. Afinando-se o conserto pérolado dos beirais, pautas dos gotejares de perfumes de limos, timbales de embalos a sardinheiras tocadas a recatos marmoreados; misturas de craveiros quase a terrosos tropicais; arames como cordas de violoncelos a tanger de brandinho semi-colcheias de chitas e meias de seda em volteios inconformados e saudosos das suaves formas das coxas de alguém de corpo dado e nudez consentida. O Sudestino a persistir em ficar vários dias, os frenesins de alguma espera ao solarengo, fazendo repousar os corpos em tinas zincadas, colhendo os vapores tépidos que muitas ferventes águas zarpam no mais estreito do delta e dos festins da aportagem. No ponto a que se chama de Vénus, o monte, a maciez da esponja tem desígnios sáficos;e, a tarde prolonga-se em languidez de carnes tépidas e olhares de tentações fruídicas às formas mais priápicas que os entalhes merceneiros capricharam nos móveis dos vastos salões. Depois toalhas grandes, envolvências de Igres, anteparam rosados de corpos livres de espartilhos; as coxas soltam-se em leitosos repousos, adamadas pelo polvilho feito pó dum feno selvagem. Os cabelos envolvem-se num capacete de Roxane e numa franja mudéjar de desalinhado encanto negro, algumas madeixas de Mediterrânea cor lembravam perfumes de palmares. No abraço das sombras a tarde cai, repousando o olhar nas vidraças onde o último escorrer lânguido e espectral dos barros do telhado prodigalizavam líquidos cor de camomila, cadinhos de musgos, cerrares de paleta primária ao entardecer de um dia sem Sol.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lisboa espraiava-se de maresias como uma criolinha tépida com os cabelos cor de caju.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xEhu3rY3I/AAAAAAAACYE/Q8H6Tmrrh0I/s1600/Barca+de+S.+Vicente.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 246px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466319394028872562" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xEhu3rY3I/AAAAAAAACYE/Q8H6Tmrrh0I/s320/Barca+de+S.+Vicente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No mais esperado descanso, a manhã era para a casa de nosso Senhor, nos Mártires, tão pertinho ali de casa, quase a um pio de rola, que guardava o " Lausperene"; a exposição do Santíssimo durante o fim-de-semana, o que bastava para os enlevos beatos das senhoras serem mais caprichados de apetrechos bentinhos e para as ladainhas dos credos. A ares do transepto, e no manuseio do desgastado impresso bíblico das orações, tudo se voltava em primeiro lugar para os mais carenciados de ladainhas aos eleitos a elevar ao panteão dos futuros santos; para conciliábulo e companhia celeste a par de Santo António e São João de Brito, Santa Joana, princesa, que embora vivesse quase toda uma vida de recolhimento em Convento Feminino de Clausura na nobre terra moliceira de Aveiro; onde repousa em túmulo acobertado de sumptuoso talhe de meticulosa e fina lavra, acabado e 1711, também de Olisipo teve berço. Bem bastou a escusa dos representantes celestes na Terra em deixar de fora das reivindicações do povoléu alfacinha os santinhos mártires de Lisboa: Veríssimo,Máxima e Júlia, que dormem ainda hoje rodeados de bulício citadino em Santos o Velho; tudo perdendo das aspirações padroeiras por os seus torrões de berço terem sido tardiamente vistos à beira Tejo. Valendo-se assim São Vicente, de quem, dizem, muito ficou a dever a seu corvo que o avisou do ocorrido, para prestezas de candidatura ao lugar de patrono das sete colinas. Resultando ainda tudo coincidir com um esquecimento celeste em não iluminar o bom povo da beira rio para encontrar os milagreiros corpinhos dos três jovens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais indulgentes foram mais tarde os representantes do Pai Santo na Terra, por compensação meritória elevaram ao panteão celeste D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Este nascido e baptizado no anterior templo dos Mártires, varrido no tremor devastador de 1755 e muito perto do hoje existente. Nasceu Bartolomeu Vale, em Maio de 1514 ( reinava D. Manuel I ), na antiga rua da Tanoaria, ao tempo situada perto do Tejo e da rua do Ferragial de hoje; tão piedosamente sentiu o apelo da casa do Senhor, chamada Mártires, que resolveu doravante passar a chamar-se Frei Bartolomeu dos Mártires. Na Ordem Dominicana fez todo o seu marcante percurso pio, de noviço a frade, tornando-se em breve professor de Filosofia e Teologia. Tais méritos levaram a Corte a pedir-lhe que se encarregasse da educação de D. António, o futuro prior do Crato; também, o notável historiador Diogo de Couto foi seu discípulo. De passagem pelos ares transtaganos, em Évora, cedo voltou a Lisboa ao Convento de São Domingos de Benfica. Frei Luís de Granada lembrou-lhe o dever de obediência, pois contra a sua vontade, colocou-o em Braga onde ascendeu ao arcebispado. Nesta diocese a sua acção evangelizadora foi notável e sempre com base num rectilíneo exemplo de humildade e moderação em prol dos mais desfavorecidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teve ainda, fraternidade sublime, este amigo de santos como S. Carlos Borromeu e de Papas como Pio IV e Pio V; teve até Bartolomeu deste último a deferência de receber como oferta a sua muar pessoal aquando do regresso a Portugal vindo do estado Pontifício. Mas das muitas acções deste Santo doutor da Igreja, fica lapidarmente exarada a sua intervenção no Concílio de Trento. Quando ali se interrogavam os prelados, indagando-se se as reformas também se aplicariam aos cardeais, D.Frei Bartolomeu declarou desassombradamente:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;« Os eminentíssimos e reverendíssimos cardeais precisam também de uma eminentíssima e reverendíssima reforma »&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desta sublime frugalidade comportamental em vida, cujo exemplo é tão arredio nos dias que correm, fica esta visão de há séculos que tão bem cabe nos conturbados momentos que o mundo vive.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;josé movilha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xEhu3rY3I/AAAAAAAACYE/Q8H6Tmrrh0I/s1600/Barca+de+S.+Vicente.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xEhu3rY3I/AAAAAAAACYE/Q8H6Tmrrh0I/s1600/Barca+de+S.+Vicente.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xEhu3rY3I/AAAAAAAACYE/Q8H6Tmrrh0I/s1600/Barca+de+S.+Vicente.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2475745300903381905-8292029471666815851?l=opusmagnumletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/feeds/8292029471666815851/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2475745300903381905&amp;postID=8292029471666815851' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8292029471666815851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2475745300903381905/posts/default/8292029471666815851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opusmagnumletras.blogspot.com/2010/05/cronicas-das-sete-colinas-deambulacoes.html' title='CRÓNICAS DAS SETE COLINAS - DEAMBULAÇÕES OLISIPONENSES - V'/><author><name>josé movilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12981789088988128419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/Srup90jsFJI/AAAAAAAACC0/m54G4ipRw5U/S220/031.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9xE8RIg4FI/AAAAAAAACYM/U0C8R8mYDJI/s72-c/Est%C3%A1tua+de+E%C3%A7a+de+Queir%C3%B3s+com+a+verdade..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2475745300903381905.post-4839052565900271153</id><published>2010-04-22T15:07:00.007+01:00</published><updated>2010-04-22T18:03:22.784+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crónicas'/><title type='text'>CRÓNICAS DAS SETE COLINAS - DEAMBULAÇÕES OLISIPONENSES -IV</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9BiQfvmzTI/AAAAAAAACXw/j7f1FMQ4w3I/s1600/Fernando+Pessoa-Crian%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 106px; FLOAT: right; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462974383539014962" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9BiQfvmzTI/AAAAAAAACXw/j7f1FMQ4w3I/s320/Fernando+Pessoa-Crian%C3%A7a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9BZOAdVEXI/AAAAAAAACXk/r2cbyYJ0SuA/s1600/Fernando+Pessoa+-+com+6+anos.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 233px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462964445176467826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_AnxItPn7uPY/S9BZOAdVEXI/AAAAAAAACXk/r2cbyYJ0SuA/s320/Fernando+Pessoa+-+com+6+anos.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; DA IMAGINADA E FANTÁSTICA VIAGEM DO FERNANDINHO ANTÓNIO PESSOA, NO TÚNEL DO ROSSIO&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do Largo de S. Carlos fazia o Fernandinho fugaz perteza caminhante até ao lugar do túnel do Rossio, para deslumbramentos recentes que maravilhavam os viajantes. Andanças para ouvir resfolgos de hulha a temperança de caldeira, cumprir também, receita avoenga de aspirar amplas narigadas de francos fumos em combustão, quase tão bons como ramadas de eucalipto de uma fornalha a brios de incensamento medicamentoso que afastavam os miasmas da chamada tosse convulsa. Préstimos, a que o novo monstro a compassos de preceito boticário presenteava, a espaços, os mais chegados. Uma vez encontrou naquele cais de visões calidescópicas a menina Maria Lamas, a quem ofereceu uma flor que tinha colhido no Jardim da Misericórdia; esta agradeceu-lhe de uma forma simples e cativante dando-lhe um beijo agradecido. Fernandinho corou, enquanto via a menina afastar-se com passo decidido para outro combóio que ia para terras do Oeste. « Vai ser uma grande mulher, parece nada lhe meter medo» - pensou. Enquanto era conduzido pela mão para excitação debutante nas profundezas cavernais, pelo seu companheiro de ousadias iniciáticas, o tio, o general Rosa. Era um aproximar à nutrida e massiva mole férrea, onde o faiscar preparativo se soltava do ventre que rangia na cama carrilada como fogo de artifício rasteiro. Da fila ansiosa entrava-se a compostos de pequena multidão, por escada de elevação a paquiderme e se dava em breve pela corneta. Som de abaladas em maravilhas de fadas; comandos de cornarca de lauto bigode a que o colosso parecia obedecer por absoluto, começando por oscilações esforçadas. No galope ficavam nos ouvidos as sacudidelas do esqueleto metáli
