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o vigor da nossa investida.



ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA
ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA

ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MA
RIA
Entrevista com São Nuno de Santa Maria



ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA

SÃO NUNO - Sabe, eu estava desesperado com aquele impasse, depois aquela retórica não era o meu meio, todas aquelas argumentações em defesa de outros candidatos, mormente o rei de Castela, soavam a interesses escondidos, a aglutinações de rincões de terras e alcaidarias que estes defensores aspiravam se o reino se tornasse castelhano. Quase que estive para me ausentar antes do fim das côrtes e da sua deliberação. Felizmente o Dr. João das Regras argumentou tão brilhantemente que as débeis resistências de alguns nobres foram vencidas e a maioria pronuncio-se pela eleição de D.João como rei de Portugal.
R-Curiosa correlação que as datas nos dão, no dia 6 de Abril de 1385, passado um ano sobre a batalha de Atoleiros, o Mestre de Avis era eleito rei de Portugal com o título de D. João I. Mostrava esta nova monarquia ser um principado popular, o rei formaria o seu conselho com cidadãos das principais vilas e cidades do reino, ouviria os povos em todos os negócios que lhe tocassem, não lançaria tributos sem os consultar e sem que ele e o conselho apreciassem os melhores meios de contribuições, não faria a guerra nem a paz sem o consentimento da côrtes, era certamente algo de novo ?
SÃO NUNO - Sim, era uma vivência nova em relação aos representantes do reino com assento nas côrtes, as vozes do povo e dos seus representantes das cidades e vilas teriam outro eco, foi tão importante o determinado em Coimbra que durante os reinados seguintes estes compromissos foram cumpridos.
REPÓRTER - Foi tudo tão extraordinário: o rei D. João I estava prestes a fazer 27 anos. No outro dia, 7 de Abril de 1385, o São Nuno é nomeado Condestável do reino, ainda não tinha 25 anos, as promessas futuras do nosso reino estavam na mão dos jovens: ficou surpreendido por ter sido nomeado Condestável do reino ? O mais alto cargo que um comandante podia aspirar ?
SÃO NUNO- Sabe, nesse tempo as nossas vivências amadureciam muito cedo, a nossa idade dava-nos a plenitude de uma conduta muito discernida; os homens podiam tornar-se muito ponderados e equilibrados de actos antes dos trinta anos, se as suas vidas fossem vividas num ideário cavaleiresco e religioso muito mais se guarnecia a sua constança e préstimo ás nobres causas e ao ideal pátrio. Depois, também, tinha muita importância a nossa conduta no terreno, o exemplo aos homens que nos seguiam, mostrando-lhe ser os primeiros nas pelejas, tendo-os como irmãos e amigos, não nos furtando aos mais humildes trabalhos no campo da hoste. Os altos cargos e honrarias nunca foram uma ambição para mim. Ser nomeado Condestável aceitei-o como sendo do livro divino que tinha escrito o meu destino em prol de Portugal. Tudo faria no futuro como sempre fiz, cingido no abraço da prece, na virtude que os céus me concederam para ajuda a afirmar a nossa independência.
(continua)
josé Movilha
O CERCO DE LISBOA DE 1384 ( SEGUNDA PARTE)



ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA
ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA
ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA

ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA


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ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA - V
Estava o repórter, em serviço de reportagem na " Academia do Caracol", para relatar a entrega dos "Manguitos de Gesso", quando de dá a insólita e burlesca cena do ministro aficionado aos burladeros que exemplifica dos motivos, terrenos e crença que a " Fera" pode escolher.
Tudo indicava que este dois de Julho de 2009 seria um dia de júbilo para a " Academia do Caracol". O almoço de Verão iria decorrer em clima de grande apoteose. Seriam entregues os " Manguitos de Gesso", o mais cobiçado prémio nacional e internacional promovido por esta agremiação em honra do Zé Povinho ; premiando as melhores e mais votadas comunicações apresentadas pelos sócios.
O primeiro prémio coube ao insigne associado Chico Lusitano e tinha por título: COMO DISSIMULAR EM POLÍTICA E ENGANAR AS MULTIDÕES
O segundo prémio coube ao talentoso trabalho do associado Marofa da Silveira e tinha por título: COMO ESVAZIAR AS CONTAS DE UM BANCO EM DEZ ANOS SEM NINGUÉM DAR POR NADA
O terceiro prémio coube a outro excelente trabalho do associado Ambrósio Sininho e denominava-se: MANUAL DO FAZ DE CONTA EM SUPERVISÃO BANCÁRIA
O quarto prémio foi outro excelente trabalho de Rufino Cansado, tinha por título: DEZ LIÇÕES DE COMO ENRIQUECER E AOS AMIGOS, COM ESTUDOS PÚBLICOS INEFICAZES
Segundo foi relatado ao repórter o nível dos trabalhos foi muito elevado e actual o que prestígia bastante esta agremiação e o escol dos concorrentes. A devido tempo daremos mais pormenorizadamente o teor destas comunicações.
R-D. Clementina, cozinheira, como é que vê esta cena que a televisões acabam de mostrar e o gesto do ministro ?
CL-Olhe !... eu já não estava hoje de muito bom humor porque já é o terceiro " Magalhães" que compro na " Feira da Ladra". A minha nétinha , a Susana, estava a participar num tal de Blogue " Minuto a Minuto" que acompanhava na Internet ou como lhe chamam, o tal " Estado da Nação". Então a miúda vem a correr esbaforida a dizer que um " Careto", que parecia mesmo das festas de Vinhais, a nossa terra, estava a fazer gestos de " Chanfrudo" para tudo o que era gente. Bem vê: a angústia de uma avó!... Estamos nós em casa a querer ensinar bons modos às crianças e, depois isto !...
R- Chico Lusitano, manufactor de calçada portuguesa, como é que vê o gesto do ministro ?
CL-Olhe, eu não me quero armar em intelectual, embora até já fizesse um desenho do " Mostrengo" que o outro senhor ministro falou. O que me parece é que este senhor representou Gil Vicente noutros tempos, e ficou-lhe este tique do " chanfrudo"; volta e meia solta-se e lá vai disto: só tenho pena que não fosse acompanhado de falas. Aí sim!... Vinha à tona o verdadeiro artista.
R-Arménio Alpendurado, apanhador de sável e antigo forcado: como é que vê o gesto do ministro ?
AR-Olhe meu amigo: eu tenho que ver tudo isto à luz da festa brava, ou por outra, à meia luz do Hemiciclo, aquele senhor é um grande aficionado, demonstrou-o no gesto: primeiro a colocação das pontas, o mais genuíno dos Miuras não teria tanto garbo e apronto; depois aquilo também pode ser tomado por um gesto que um apoderado faz ao seu tutelado em relação ao terreno que deve pisar e à crença do toiro. Lembremos que estamos em plena festa do " Colete Encarnado"; o senhor tutelava o turismo, que melhor propaganda à festa ?
R-Diga-me ainda, senhor Arménio, se fosse um manguito em lugar do gesto " chanfrudo"; como é que as coisas eram encaradas ?
AR-Bem, aí talvez as coisas mudassem: o manguito é nosso, está instituído, é nacional e, embora não se veja há muito tempo um bom manguito público para as bandas de S. Bento. Até parceria que o ministro estava a pensar na Fábrica Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, e talvez tudo passasse mais discreto. Agora um gesto de Pamplona, Zafra e Zamora, uma Isidrada nunca!...
R-D. Efigénia Amador, vendedeira de peixe e manjericos nos Santos Populares, como é que avalia o gesto do ministro ao fazer aqueles " corninhos" na Assembleia ?
EA-Olhe !... aquilo é do mais feio que se pode fazer, muito sangue frio teve o outro moço do PC, senão apanhava-o cá fora e malhava-o, assim como o outro senhor diz, o Santos qualquer coisa...Que se deve malhar a torto e a direito. Se fosse aqui na praça levava logo com uma caixa de bogas pela cabeça abaixo que era um regalo.
R-Tolentino Fogaça. agente funerário, como é que interpretou o gesto do ministro ?
TF-Olhe, eu há muito tempo que me tornei sisudo por força da profissão, até podia sorrir àquele gesto se o mesmo não marcasse em tempos a minha vida. A minha Albertina abandonou-me há muito: traiu-me com um peão de brega, foi durante umas festas do S. Pedro. Dei por mim muitas vezes a apanhar de soslaio aquele gesto nas minhas costas, sabendo que era dirigido como rótulo de " cornudo". Veja agora o meu constrangimento ao ver este gesto feito por um ministro em quem eu tinha votado.
R- Rafael Rap, apanhador de caracóis e discojoquei nas horas vagas, como é que vê o gesto do ministro ?
RR-Qual é o Rap !...Meu... O ministro até foi um bacano ! Esteve na onda, tudo a dizer tretas, pevas que ninguém entende e liga, conversas muit'a complicadas e, o homem solta-se numa fixe e goza de bué e faz gozar a malta com a grand'a cena que fez!...
Termina este apontamento, prometendo aos nossos leitores que em breve regressaremos à " Academia do Caracol".
josé movilha


ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA - IV


R-Dizem que a rainha D. Leonor Teles, quando o armou cavaleiro no Paço de Santarém, penso que com treze anos, com as armas desse seu grande amigo futuro, o Mestre de Avis, mais tarde D. João I, que o tornou Condestável e nunca escondeu o quanto o reino lhe deve. Dizia eu, a rainha se agradou do seu porte delicado, as suas feições finas, a sua destreza nas montarias e justas, a sua modéstia e resguardo a falas contadas, vamos lá!... Até uma certa timidez; querendo que ficasse no Paço e entrasse nos jogos de sedução em que toda a corte e o próprio rei D. Fernando estavam mergulhados.
SN- Bem vê!... Naquele tempo a educação era muito austera e porfiada, com dez anos eu montava eximiamente, daí o meu gosto pelos cavalos, corria montarias e adestrava falcões, virava dardos e conhecia todos os rudimentos principais da esgrima; depois a apetência pelos livros de contares de feitos da cavalaria. Os ecos das Santas Cruzadas, ser um cavaleiro de Cristo, a Távola Redonda, o meu herói Gallaaz, o ideal cavalheiresco contido nas trovas, o respeito às damas e a aprendizagem com os mais velhos. Isto deu-me uns treze anos muito preparados, muito maduros, era natural que surpreendesse em parte e criasse apetências novas no Paço.
Mas logo eu manifestei que não era esse o meu caminho: apesar de ter a minha mãe na corte como aia, o meu tio como escudeiro, não me sentia bem. Todo aquele ambiente que ia constatando existir ano após ano, aqueles jogos e intrigas, traições, adultérios, tudo aquilo me chocava, não era vida para mim. Meu pai ansiava em casar-me, eu tinha 16 anos e esta ideia não me seduzia; queria sim seguir os ideais da Cavalaria Sagrada e a dedicação à vida religiosa. Meu pai insistiu e eu por respeito acedi. Em 1376 casei com D. Leonor Alvim, uma viúva e pia senhora das Terras de Barroso, cujo esposo tinha sido D. Vasco Gonçalves Barroso, alcaide do castelo de Montalegre. Fui viver para Pedraça, perto de Arco de Baúlhe, minha esposa deu-me três filhos, sobrevivendo apenas Beatriz, a minha pequena Beatriz de quem tanto gostava. Libertei-me assim do Paço, passei um tempo muito bom naquelas terras Transmontanas e reforcei uma grande amizade com outro jovem mais velho que eu três anos, D. João, Mestre de Avis, estava longe de pensar o que os sagrados desígnios divinos tinham traçado para nós.
R-Falava com o Mestre de Avis, de alguma situação calamitosa que o reino vinha atravessando? Por exemplo: o " Tratado de Alcoutim" em que Castela traçava a obrigação de D. Fernando casar com a filha do rei Castelhano; o infringir desse tratado casando D. Fernando com Leonor Teles, os motins populares que isso causou, o comportamento da rainha com o conde Andeiro, o descontentamento do povo pela lei das Sesmarias, pois a partir desta parece ter havido muito aproveitamento da nobreza latifundiária para concertar com os trabalhadores a seu belo prazer obrigando-os a um vínculo prolongado e a um soldo fixado por eles.
SN-Falava!... Falava muito com o Mestre de Avis, éramos dois jovens entusiastas e crentes de que o país tinha perdido muito em relação ao reinado anterior do senhor D. Pedro I, este tinha evitado guerras desnecessárias, tinha aumentado o Tesouro Público cunhando ouro e prata, apesar de tudo e de alguma grande tragédia como outra não houve, a morte cruel de D. Inês de Castro, era um rei popular e querido do povo. Agora as lutas com Castela eram permanentes, nós desaprovávamos a hostilidade que D. Fernando iniciou em 1379 após a morte de Henrique II de Castela, e que deu em 1382 uma paz sem vencedores e um compromisso para com Castela que nos custou mais tarde muito caro: o casamento da infanta D. Beatriz com o princípe herdeiro da coroa. O país tinha de mudar, nós estávamos empenhados em tal.
R-Se me permiti: eram uns revolucionários, como se diria hoje, ou esperavam o momento para uma ascensão notória ? Lembro que o Mestre de Avis era um princípe bastardo, o senhor um dos inúmeros filhos de D. Álvaro Gonçalo Pereira, Prior do Crato, isto não colocaria mais tarde algumas comparações de linhagem em relação a altos cargos no reino ?
Entretanto morre o rei D. Fernando, a rainha D. Leonor Teles fica como regente, os desvarios com o conde Andeiro, ao que consta, foram mais que muitos, não há o mínimo decoro no Paço, parece que a rainha pensa mesmo em casar com o conde Andeiro. Por outro lado a jovem infanta D. Beatriz, por força do tal acordo, está casada com D. João de Castela que é pretendente à coroa portuguesa. Quando é que lhe pareceu, como ao seu amigo, que o solo pátrio estava em grave perigo ?
SN-Sim, éramos uns revolucionários, se assim o quiserem entender: contra as injustiças, contra a pobreza, contra o abandono em que o reino se encontrava, contra a desbragada e imoral vida que se levava no Paço de Santarém, o rei que tinha abandonado os negócios do reino dedicando-se a satisfazer os caprichos de D. Leonor, esta a satisfazer os do Andeiro, o rei a passar os dias em montarias, a cuidar de falcoeiros dos quais tinha mais de cem, a amolecer ouvindo trovas galegas e sons de alaúde. As fronteiras do reino eram constantemente violadas por Castela. O Tejo sulcado por galés e naus onde o desembarque destes propiciava rapinagens constantes de bens e haveres portugueses. Depois os tratados desastrosos que D. Fernando fez com Castela.
Quanto à notoriedade, nunca a procurei para mim! Quanto a D. João ser um bastardo provou-se mais tarde por escritos de seu pai o rei D.Pedro I , ser um princípe legitimado. Claro que o perigo iminente ao solo pátrio que se vinha anunciando, tornou-se avassalador após a morte de D. Fernando. O perigo de sermos governados pela rainha D. Leonor e o conde Andeiro e, o perigo de sermos governados por D. João de Castela casado com a jovem D. Beatriz.
Era a altura dos homens íntegros de muitos princípios e convicções aparecerem a mostrar o seu patriotismo; a mostrar que não os impelia a cobiça e os títulos, mostrar ao povo, aquele povo que mais do que ninguém quis a independência e lutou por ela, que havia homens nobres que compreendiam os seus sentimentos de liberdade e estavam prontos a conduzi-los a esse fim.
(continua)
josé movilha
ENTREVISTA COM SÃO NUNO DE SANTA MARIA - PRIMEIRA PARTE



Sentia-me em casa desde que me internara nos campos, já há muitas horas. Desta vez quis fazer o caminho que ousara contar na minha resenha histórica sobre o Santo Condestável D. Nun'Álvares Pereira. Estava entre Arraiolos e Estremoz, nos mesmos campos que o Condestável trilhara com as suas hostes. O castelo de Estremoz norteava-me os passos, lá longe como sentinela pétrea dispensava-me de consultas científicas ou mapas caminheiros, servindo-me de guia e farol. Bebia das mesmas parecidas águas correntes que há séculos confortaram os viandantes e os exércitos do Fronteiro-mor. Internei-me numa alameda de freixos, vendo o arroio brando correr a meus pés, os campos verdes de Abril davam-me à direita e à esquerda a medida da esperança no pão das ceifas de Maio. Senti o cheiro dum forno de carvão, o azinho atabafado curtia zonzo de prestezas dormitando até ser acordado mais tarde a outras incandescências. Senti fome: a sacola adornava-me o dorso com pão luzido em forno de lenha, chouriço de bácoro de Janeiro e queijo de ovelha. Procurava a sombra que entretém os romeiros e dá guarida aos apóstolos. Uma pedra secular enebriava-se de oferenda junto à raiz da mais vetusta árvore. Aproximei-me e ouvi uns risos cristalinos, aqueles que por mercê de uma criação tão julgada de belo só as mulheres podem proferir. Era um grupo de camponeses; pai e mãe de meia idade, um filho em idade militar e duas moças de rostos e tez tão morena que era afortunado o Sol de tantos beijos conquistados. Iam merendar, a refeição do meio dia, convidaram-me com o tom da timidez, era tão frugal e singelo o apronto de suas vitualhas que quase sentiam vergonha de só isso comer.
Era Gaspacho, aquela sopa fria nascida da necessidade dos pobres, mas que com o Estio, os calores tormentosos da planície alentejana, a todos cativa de frescura e tenrura de seus compostos: rei, fidalgo,morgado, cónego nunca ninguém depreciou a sua singeleza. A malga de barro que refrescada perdeu a sua porosidade; água fresca d'uma fonte; o piso que se quer de alho e sal num casamento que baste; pitada de um bom vinagre da última colheita setembrina; olhos de generoso azeite, tantos como os comensais, tomate, pimento verde, pepino, cortados com singeleza de tamanho e, o pão, aquele pão abençoado, feito da rudeza da mó, trigo enobrecido pelos primores do amassar, cozido em forno de lenha, o crepitar da esteva que ao forno dá rubores de mancebo e honras de pão inigualável; cortado é o mesmo em sopas de religioso formato esguias e alongadas como missal cioso e, ressaltam para o requebro da mastigação umas azeitonas retalhadas, guardadas na corna, o recipiente guardador feito de osso de bovino, com tampa de cortiça, que no Alentejo tudo se aproveita.
E é esta comida frugal ainda mais inigualável se comida com a bênção dos campos. Um silêncio de anacoreta cinge-nos, a terra oferta-nos toalha multicolor, a brisa ensina-nos o refinar dos paladares, a frescura da sombra dá-nos a medida da malga que crestamos de prazer e de gastos a cada colherada. Continuei o meu caminho, agradecido da partilha, confortado como pregador jubiloso. Cheguei aos arralbades da terra que me viu nascer, Estremoz, afadigavam-se as andorinhas a obras de barro fresco para suas casas acabarem. A jornada tinha demorado seis horas, tantas como as que indicavam há quanto me sentia em casa.
josé movilha
SÃO NUN'ÁLVARES PEREIRA
OS LUSÍADAS - CANTO IV










SÃO NUN'ÁLVARES PEREIRA
AS CINCO COISAS QUE LEVARIA PARA A ILHA :
SÃO NUN'ÁLVARES PEREIRA
SÃO NUN'ÁLVARES PEREIRA
LEMBRANÇAS QUE FORTALECEM -

SÃO NUNO ÁLVARES PEREIRA



